quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

A Lenda da Caridade


Diz interessante lenda do Plano Espiritual que, a princípio, no mundo se espalham milhares de grupos humanos, nas extensas povoações da Terra.

O Senhor endereçava incessantes mensagens de paz e bondade às criaturas, entretanto, a maioria de desgarrou no egoísmo e no orgulho.

A crueldade agravava-se, o ódio explodia...

Diligenciando solução ao problema, o Celeste Amigo chamou o Anjo Justiça que entrou, em campo e, de imediato, inventou o sofrimento.

Os culpados passaram a resgatar, os próprios delitos, a preço de enormes padecimentos.

O Senhor aprovou os métodos da Justiça que reconheceu indispensáveis ao equilíbrio da Lei, no entanto, desejava encontrar um caminho menos espinhoso para a transformação dos espíritos sediados na Terra, já que a dor deixava comumente um rescaldo de angústia a gerar novos e pesados conflitos.

O Divino Companheiro solicitou concurso ao Anjo Verdade que estabeleceu, para logo, os princípios da advertência.

Tribunas foram erguidas, por toda parte, e os estudiosos do relacionamento humano começaram a pregar sobre os efeitos doma ledo bem, compelindo os ouvintes à aceitação da realidade.

Ainda assim, conquanto a excelência das lições propagadas repontavam dúvidas em torno dos ensinamentos de virtude, suscitando atrasos altamente prejudiciais aos mecanismos da elevação espiritual.

O Senhor apoiou a execução dos planos ideados pelo Anjo da Verdade, observando que as multidões terrestres não deveriam viver ignorando o próprio destino.

No entanto, a compadecer-se dos homens que necessitavam reforma íntima sem saberem disso, solicitou cooperação do Anjo do Amor, à busca de algum recurso que facilitasse a jornada dos seus tutelados para os Cimos da Vida.

O novo emissário criou a caridade e iniciou-se profunda transubstanciação de valores.

Nem todas as criaturas lhe admitiam o convite e permaneciam, na retaguarda, matriculados ns tarefas da Justiça e da Verdade, das quais hauriam a mudança benemérita, em mais longo prazo, mas todas aquelas criaturas que lhe atenderam as petições, passaram a ver e auxiliar doentes p obsessos, paralíticos e mutilados, cegos e infelizes, os largados à rua e os sem ninguém.

O contato recíproco gerou precioso câmbio espiritual.

Quantos conduziam alimento e agasalho, carinho e remédio para os companheiros infortunados recebiam deles, em troca, os dons da paciência e da compreensão, da tolerância e da humildade e, sem maiores obstáculos, descobriram a estrada para a convivência com os Céus.

O Senhor louvou a caridade, nela reconhecendo o mais importante processo de orientação e sublimação, a benefício de quantos usufruem a escola da Terra.

Desde então, funcionam, no mundo, o sofrimento, podando as arestas dos companheiros revoltados: a doutrinação informando aos espíritos indecisos quanto às melhores sendas de ascensão às Bênçãos Divinas; e a caridade iluminando a quantos consagram ao amor pelos semelhantes, redimindo sentimentos e elevando almas, porque, acima de todas as forças que renovam os rumos da criatura, nos caminhos, humanos, a caridade é a mais vigorosa, perante Deus, porque é a única que atravessa as barreiras da inteligência e alcança os domínios do coração.

domingo, 8 de janeiro de 2012

Mais Perto de Deus


             Todos nós fomos criados por Deus com o objetivo comum de chegar à perfeição, estado esse que nos possibilitará estar em perfeita sintonia com o Criador.

            No entanto, durante essa jornada de auto-iluminação muitas vezes nos distanciamos dessa meta. Se espontaneamente não percebemos que estamos equivocados, a providência divina, com os seus mecanismos redentores, pacientemente e na medida das nossas possibilidades, irá nos ofertando as experiências que necessitamos para o despertamento. Quando persistimos no erro, invariavelmente, como último recurso, a dor será a terapêutica que nos mostrará que, por inoperância ou por ações equivocadas, nos desviamos do caminho reto. Será um precioso aviso de que, em algum momento, agimos em desacordo com as sábias leis do criador.

            Sendo assim, a cura real e verdadeira somente será lograda quando cessarem as causas desse distanciamento de Deus. Somente teremos saúde plena quando estivermos caminhando, sem pausas, na direção do Criador.

            Para isso, será necessário fazermos um balanço das nossas ações em busca dos fatores desencadeantes do desequilíbrio, tanto físico como emocional. “De imediato, propõe-te à higiene moral e mental abrindo-te ao amor, que gera saúde, e a confiança em Deus, que a sustenta, prosseguindo em harmonia durante o tratamento que se faça necessário” 1.

            Seguir uma religião nos ajudará a permanecer firmes nos propósitos novos, pois "a crença em Deus é, também, uma forma de dar sentido, dar significado à vida. Desse modo, a atitude religiosa é uma maneira de o homem encontrar motivos superiores para viver, para dignificar a vida e até mesmo para dar a existência por eles, qual ocorrem em outras áreas do comportamento humano. A religião é também responsável por inúmeros impulsos criativos e realizadores, o que a torna essencial à vida” 2.

            Os templos são locais em que vamos refazer nossas energias, nos fortalecer na fé, compartilhar nossas angústias, anseios, ou seja, onde buscamos o alimento para que a chama da esperança não se arrefeça.

            Porém, não vamos nos iludir que a simples adoção de um rótulo irá solucionar nossas desventuras, porque somente a vivência de princípios elevados, irá modificará a nossa realidade interior. As religiões mostram o caminho que cada um deve seguir, a esforço próprio e de acordo com as condições que a vida lhe oferecer, sem transferir para Deus aquilo que nos compete realizar. Como nos ensina Joanna de Ângelis2: "O crente que se conscientiza dos postulados religiosos que abraça, entrega-se a uma dinâmica de maturidade e realização que o propele a conquistas novas: ampliação das aptidões, capacidade de amar, força de trabalho, alegria na luta, compensação emocional diante da dor, espírito de combatividade, calma nas atitudes ....”

            A melhor maneira de reaproximarmo-nos do Criador é procurar fazer da vida um “Evangelho de feitos”1 no lar, no trabalho, na vida social, onde vamos conviver com pensamentos divergentes, contrariedades, críticas, rejeições e até o desprezo. Esse é o batismo de fogo: viver a nossa crença, sendo exemplo positivo, procurando sempre agregar e construir, sem fugir da realidade em que estamos inseridos, seguindo os passos de Jesus, o ser mais perfeito que a Terra já conheceu, Mestre que teve no amor sua grande religião.

            Como a caridade (amor em ação) cobre uma multidão de erros, conforme assevera o Apóstolo Pedro (1Pd. 4,8) teremos aí uma proposta para amenizar as nossas faltas. Lembrando sempre que o amor cura as feridas da alma e nos guia pelo caminho seguro, tornando o nosso fardo leve e suave e nos aproximando cada vez mais de Deus.
Cleto Brutes
Momentos de Meditação - Joanna de Ângelis. Divaldo Franco

quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

Mensagem que salva


 Em setembro de 1995, um jornal publicou uma interessante história.
Tratava-se de uma jovem que, sem objetivos na vida, começou a achar que tudo estava contra ela. Ficou deprimida e pensou em se suicidar.
Tentou uma vez, em um hotel, mas a camareira entrou e chamou socorro a tempo. Ela foi salva.
Quando saiu do hospital, continuou com o firme propósito de acabar com a vida. Começou a estocar remédios. Às vezes, começava a olhar para o teto, procurando um lugar para colocar uma corda e terminar com tudo.
Era um tormento constante. A ideia não saía de sua cabeça. Dois meses depois, ela foi até um hotel levando trezentos comprimidos em sua bolsa.
Felizmente, três amigas atentas, dessas criaturas atenciosas que Deus coloca na trajetória dos seres, para servirem de anjos de guarda, descobriram o seu plano. Com muito esforço, a levaram até o hospital, antes que ela fizesse uso dos comprimidos.
Enquanto aguardava para ser atendida, na sala de espera do hospital, ela apalpava os comprimidos que trazia consigo, pensando em como faria para enganar as amigas e tomar a medicação.
Enfim, como o atendimento demorou um pouco, ela pôs os olhos sobre uma mesinha e viu uma revista. Pegou-a e abriu. Seus olhos ficaram arregalados de espanto, quando leu: Antes de você se matar.
O artigo oferecia diversas razões fortíssimas para se optar pela vida em vez do suicídio.
De uma forma misteriosa, aquelas observações foram calando em sua alma e ela desistiu de se matar.
Chamou uma enfermeira e lhe entregou todos os comprimidos. Nunca mais tentou se matar. Decidiu viver.
Ao publicar a sua história, afirmava que tudo acontecera há dez anos.
*   *   *
Uma mensagem salva uma vida. Isto nos mostra como é importante que as coisas boas, as coisas positivas sejam passadas adiante, sejam divulgadas.
Cada um de nós, onde esteja, pode ser um propagandista das coisas positivas, elevadas, nobres.
Podemos procurar um folheto que fale do otimismo, da fé em Deus, da beleza da vida e passá-lo adiante. Aquilo que nos faz bem, nos sustenta a esperança, deve ir além para favorecer igualmente outras vidas.
Se lemos um livro que traz lições excelentes, por que não emprestá-lo a alguém que sabemos estar enfrentando muitas dificuldades?
Se conhecemos a mensagem do Cristo, que é um poema de vida abundante, por que não repassá-la a outros?
Lembremos: às vezes, tudo o que é preciso para resgatar uma vida, fortalecer um coração é uma palavra generosa, uma mensagem de esperança e consolação.
*   *   *
O bem é tudo quanto estimula a vida, produz para a vida, respeita e dignifica a vida.
O bem é simples. A sua linguagem singela dispensa aparências.
Um sorriso a quem, em uma sala de espera, aguarda ansioso pela notícia de um parente hospitalizado.
Um aperto de mão, uma flor a quem está triste. Um gesto de carinho inesperado.
Habituemo-nos a espalhar o bem, oferecendo ao mundo os nossos esforços a benefício de outras vidas.
Redação do Momento Espírita, com base em  crônica, do livro Pequenos milagres, de Yitta Halberstam e Judith Leventhal, ed. Sextante e no verbete Bem, do livro Repositório de sabedoria, v. 1, pelo Espírito Joanna de Ângelis, psicografia de Divaldo Pereira Franco, ed. Leal. 04.01.2012.

segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

Sobre a duração de um arco-íris



 Se um arco-íris dura mais do que quinze minutos, não o olhamos mais.
A constatação é do filósofo alemão Goethe e representa muito do que vai na alma humana, nestes dias.
Nós, da geração do imediato, do prático, do instantâneo, acabamos tendo dificuldade em nos demorarmos em qualquer experiência que seja, mesmo que prazerosa.
Por que será que muitos de nós acostumamos com a beleza e, então, deixamos de contemplá-la?
Por que será que muitos nos habituamos com as coisas boas que temos na vida e deixamos de valorizá-las?
Alguns não observamos mais as estrelas como se, depois de algum tempo, perdessem sua grandiosidade, seu mistério e deixassem de ser interessantes.
Alguns esquecemos de olhar o pôr-do-sol. Afinal, ele acontece todo dia e talvez não nos surpreenda mais...
Outros deixamos de admirar a esposa, o marido, os filhos, como se esses arco-íris, que temos ao nosso lado, perdessem suas cores ao longo da convivência.
Alguns ainda deixam de se deslumbrar com a própria existência, após alguns anos de luta, esquecendo que cada dia é um novo milagre, uma nova chance, um novo arco-celeste multicolor.
De tão focados no trabalho e nas questões práticas da vida cotidiana, que aprendemos a ser, acabamos nos tornando grandes distraídos.
Sim, distraídos no sentido de esquecidos, pouco atenciosos no que diz respeito às questões mais importantes da existência.
Por isso, em alguns momentos na vida precisamos parar tudo. Parar até de pensar tantas coisas ao mesmo tempo.
As técnicas de meditação nos ensinam este valioso hábito: limpar a mente. Pensar numa coisa de cada vez. Pensar em algo por muito tempo, sem deixar que a mente fique pulando de galho em galho.
Precisamos aprender a observar cada arco-íris até o fim, saboreando esses instantes de maravilhosa beleza, sem deixar que passem, assim, correndo, ou tão rápido, como dizemos popularmente.
A pressa não é apenas inimiga da perfeição mas também da alegria, do deleite e das emoções verdadeiras.
*   *   *
Pare e observe.
Pare e observe algo simples mas fascinante, como a disposição dos galhos numa grande árvore. Imagine quantos seres têm sua moradia ali, escondidos, mas vivos e atuantes no ecossistema.
Pare e observe uma porção de água qualquer: um pequeno lago, uma poça ou até mesmo a água dentro de um copo.
Perceba o comportamento dela quando se gera alguma vibração. Note a forma das ondas.
Coloque a ponta de um dos dedos e sinta a temperatura, a forma com que ela o envolve.
Pare e observe uma criança dormindo. Acompanhe a calma da respiração, a paz de sua expressão, a beleza dos traços...
Pare e observe a vida, os dias, as pessoas. Pare e observe o amor, onde quer que esteja.
Nossa alma se acalma, ganha forças e se aproxima do Criador, sem esforço, sem tensão.
Pare e observe...
Redação do Momento Espírita - 02.01.2012

domingo, 1 de janeiro de 2012

Resolução para o Ano Novo



Afora tu mesmo, ninguém te decide o destino...
Somos tangidos por fatos e problemas a exigirem a manifestação de nossa vontade em todas as circunstâncias.
Muito embora disponhamos de recursos infinitos de escolha para assumir gesto determinado ou desenvolver certa ação, invariavelmente, estamos constrangidos a optar por um só caminho, de cada vez, para expressar os desígnios pessoais na construção do destino.
Conquanto possamos caminhar mil léguas, somente progredimos em substância avançando passo a passo.
Daí, a importância da existência terrena, temporária e limitada em muitos ângulos porém rica e promissora quanto aos ensejos que nos faculta para automatizar o bem, no campo de nós mesmos, mediante a possibilidade de sermos bons para os outros.
Decisão é necessidade permanente.
Nossa vontade não pode ser multipartida.
Idéia, verbo e atitude exprimem resoluções de nossas almas, a frutificarem bênçãos de alegria ou lições de reajuste no próprio íntimo.
Vacilação é sintoma de fraqueza moral, tanto quanto desânimo é sinal de doença.
Certeza no bem denuncia felicidade real e confiança de hoje indica serenidade futura.
Progresso é fruto de escolha.
Não há nobre desincumbência com flexibilidade de intenção.
Afora tu mesmo, ninguém te decide o destino...
Se a eventualidade da sementeira é infinita, a fatalidade da colheita é inalienável.
Guardas contigo tesouros de experiências acumulados em milênios de luta que podem crescer, aqui e agora, a critério do teu alvitre.
Recorda que o berço de teu espírito fulge longe da existência terrestre.
O objetivo da perfeição é inevitável benção de Deus e a perenidade da vida constitui o prazo de nosso burilamento, entretanto, o minuto que vives é o veículo da oportunidade para a seleção de valores, obedecendo a horário certo e revelando condições próprias, no ilimitado caminho da evolução. [Decisão, E - Cap. XXIV - Item 15]
Afora tu mesmo, ninguém te decide o destino...

André Luiz/Francisco Cândido Xavier - Opinião Espírita