domingo, 3 de maio de 2015

Insatisfação e Utopias

 
A insatisfação responde pela presença de muitos males e sofrimentos no organismo social, gerando desequilíbrios que poderiam perfeitamente ser evitados.
Utilizando-se de mecanismos de evasão, a criatura evita assumir a própria realidade, elaborando modelos de fictícia felicidade, para os quais transfere as aspirações, produzindo os estados de inconformismo e de desgosto a que se aferra, perdendo as excelentes ocasiões de conhecer-se e plenificar-se.
Tais padrões passam então a ser-lhe metas, sempre improváveis de concretizarem-se, e mesmo quando consegue alcançar os patamares próximos, porque os seus são objetivos fantasiosos, mantém-se no mesmo estado de morbidez, de desajuste.
Pequenas características tornam-se-lhe fundamentais e detalhes que o diferenciam do que considera belo, saudável, estético e feliz adquirem alta importância, assim mantendo o condicionamento de desditoso.
De caráter rebelde e conduta perturbadora, despreza os recursos preciosos de que dispõe, anelando somente pelo que gostaria de ser, de ter, de parecer.
Aguarda, nesse clima de inconformação, um milagre que jamais lhe ocorrerá de fora para dentro, sem realizar o notável esforço de transformação de conceito, bem como a mudança de atitude de dentro para fora.
Aprofunda-te no autoconhecimento, redescobrindo-te.
És conforme te elaboraste na sucessão do tempo.
As tuas matrizes encontram-se no passado espiritual que não mais alcançarás. Entretanto, através de novos comportamentos alterarás o ritmo e as ocorrências da vida.
Examina-te e tem a coragem de enfrentar como te encontras, elaborando paradigmas e propostas reais que conseguirás alcançar.
A fuga de ti mesmo não leva a lugar algum, porquanto jamais te dissociarás da tua realidade.
Inicia um programa de autovalorização, analisando os fatos, conforme mereçam, ou não, consideração.
A nada, a ninguém culpes pelo que consideras insucessos.
A pessoa irresponsável, quando não se esforça para alterar o que pode ser modificado, transfere a responsabilidade para as circunstâncias que acredita más, as pessoas, ou culpa-se a si mesma, preferindo a queixa e a comiseração ao esforço profícuo. O tempo, o lugar, a sociedade, o governo, a inveja alheia, a competição malsã, a má sorte ou a sua fraqueza são os ingredientes para justificar a acomodação, o falso sofrimento de que se diz objeto.
Ruma na direção das estrelas.
Impõe novos conceitos à vida e trabalha por vivenciá-los de forma edificante.
Quem tem piedade de si mesmo, nega-se a receber ajuda do seu próximo.
O insatisfeito, além de ingrato, é rebelde e preguiçoso, que prefere as sombras da reclamação e do atraso, às claridades do progresso libertador.
Não te permitas utopias existenciais, partindo para a conquista de realizações legítimas.
FRANCO, Divaldo Pereira. Momentos de Saúde. Pelo Espírito Joanna de Ângelis. LEAL. Capítulo 8.

* * * Estude Kardec * * *

Cobiça e Inveja

Na vida prática essas duas imperfeições da personalidade são muito confundidas, parecem a mesma coisa. A verdade é que devemos esforçar-nos para que não cultivemos nem uma nem outra.
Para ajudar o leitor a distingui-las, propomos o seguinte critério: cobiça é querer o que é do outro - bens, posses, coisas, situações. Inveja é não querer que o outro tenha - situação, prestígio, boa reputação, amor, boa imagem, vantagens, independentemente do fato de que ele não tendo, isso nos beneficie, ou não.
Se o leitor observar bem, verá que na maioria das circunstâncias, tando da cobiça quanto da inveja, nada resulta em nosso benefício, apenas frustração e prejuízo para o próximo, o que é uma flagrante violação da lei de amor que nos manda querer para os outros aquilo que quereríamos para nós.
Usamos, semanticamente, palavras com valores atenuados, que frequentemente transformam grandes imperfeições, tais como a ambição, a inveja e a cobiça, em "valores" sociais.
Ante uma informação de que alguém conseguiu algo de bom, lá vem um "se inveja matasse eu estaria morto", que é tomado como um cumprimento, um estímulo, mas que no fundo expressa muito frequentemente o que significa: eu gostaria de ter isso no seu lugar, você ganhou isso por sorte; por que não eu?
A ideia não é que você se torne santo de um dia para o outro, mas que seja a cada dia um pouco melhor, identificando condutas, problemas e dominando impulsos negativos.
Quando se vir ante um impulso de inveja ou cobiça, identifique claramente seu sentimento e procure corrigi-lo na hora, por palavras, sentimentoso ou atos corretivos.
José Yosan dos Santos Fonseca
Revista Reformador 2003

A Depressão à Luz do Espiritismo

No Evangelho de Mateus, cap. V, vv. 5, 6 e 10, e em Lucas, cap. VI, vv. 20 e 21, Jesus nos ensina que bem-aventurados serão os aflitos. Entendemos que Jesus felicita os sofredores por saber que o sofrimento, como aprendemos nas palavras sábias de Emmanuel, é a pedagogia divina a nos ensinar a busca dos procedimentos indicados para curarmos as doenças da alma.
Em o Evangelho segundo o Espiritismo, no cap. V, Kardec faz esmerado estudo sobre o porquê dos sofrimentos da humanidade na Terra e, no item 25 do mesmo capítulo, o Espírito François de Genève (Bordeus), com o título “A Melancolia”, analisa o tema escrevendo: “Sabeis por que uma tristeza indefinida às vezes se apossa de vossos corações e vos faz achar a vida tão amarga? É o vosso Espírito que aspira à felicidade e à liberdade e que, ligado ao corpo que lhe serve de prisão, consome-se em grandes esforços para libertar-se dele. Porém vendo que são inúteis, cai em desânimo, e, como o corpo sofre essa influência, a falta de energia, o abatimento e uma espécie de apatia se apoderam de vós, fazendo com que vos acheis infelizes”.
Essas informações de François precedem aos atuais estudos das ciências psíquicas que, atualmente com o diagnóstico de depressão, procuram dar explicações sobre as causas dos transtornos de humor que acometem a muitos nos dias atuais, sendo resultantes de distúrbios de ordem física. Esse mal que está sendo considerado como a doença do século, e que assola o sofrimento humano, merece ser estudado sob o enfoque espiritual em virtude da sua vinculação íntima a sintomas de ordem anímica, como veremos.
O Espiritismo, ensinando e provando a imortalidade da alma, nos traz luz sobre o tema, pois os amigos espirituais, propiciando ajuda aos sofredores, nos têm informado que antes da reencarnação, isto é, antes da nossa volta a uma nova vida na Terra, nesse intervalo, quando merecedores, somos assistidos por eles no preparo do regresso. Esse preparo consiste num como tratamento espiritual, visando ajudar-nos na nossa programação reencarnatória, quando somos orientados sobre aquilo de que necessitamos para o melhor aproveitamento dessa vida futura.
Estando ainda no mundo espiritual, tomamos conhecimento da felicidade relativa desfrutada por aqueles que já adquiriram méritos para assim se sentirem e constatamos que ainda sofremos em virtude das mazelas, das imperfeições, das faltas cometidas, que configuram o mal que carregamos e daí os sentimentos de falência espiritual e, então, de livre vontade, concordamos em aceitar viver as provas e expiações necessárias ao nosso progresso espiritual e quitação dos débitos do passado.
Com essa nova visão concebida pelo Espiritismo, com essa nova ótica, deduzimos, como ensina François, que a depressão nada mais é do que um estado de desilusão que acomete o Espírito encarnado, quando a voz da consciência e as tendências instintivas nos trazem à memória o compromisso assumido antes do retorno e buscamos a nossa recuperação perante nós próprios, e, não nos encontrando com forças para seguir o novo caminho programado, transformando mazelas em virtudes, e nos julgando incapazes e incompetentes, por nos dividirmos entre o homem velho que insiste em ser o que sempre foi e o homem novo que percebe ser necessário realizar as mudanças prometidas, nesse estado de espírito caímos em tristeza profunda, num abatimento constrangedor, desapontados com nós mesmos, contrariados e incapazes, sem coragem de conviver com as frustrações de não podermos ser como queremos e ter que aceitar a vida como ela está sendo e não como gostaríamos que fosse. Incompetentes para a cura desejada, caímos em desequilíbrio espiritual e daí a depressão que, tratada apenas com as drogas medicinais, não surte o efeito desejado e continua-se a sofrer, pelas causas já apontadas.
Focando o mesmo tema, Ermance Dufaux, no livro de sua autoria “Reforma Íntima sem Martírio”, psicografia de Wanderley S. de Oliveira, nos ensina: “Considerando o egoísmo como o hábito de ter nossos caprichos pessoais atendidos, a contrariedade é o preço que pagamos pelo esbanjamento do interesse individualista em milênios afora, mas igualmente, é o sentimento que nos fará refletir na necessidade de mudança em busca de uma postura ajustada com as Leis naturais da Vida”.
O Espiritismo é, portanto, a doutrina que vem ao encontro da Humanidade para mostrar que a depressão não é um castigo de Deus, mas, sim, um alerta a ensinar-nos a compreender porque ainda vivemos, neste momento, aqui na Terra.
Alertados, tomamos conhecimento das nossas necessidades e, nos munindo do discernimento para separar o bem do mal e de muita boa vontade para as mudanças necessárias em nossos sentimentos íntimos, é que conseguiremos superar as causas apontadas pela ciência médica com o diagnóstico de depressão.  
         Édo Mariani

O "Ponto de Deus" no Cérebro

No livro Missionários da Luz, psicografado por Francisco Cândido Xavier em 1945, portanto há 70 anos, André Luiz nos trouxe dados importantes a respeito de um corpúsculo pertencente ao cérebro, de forma oval, situado no sulco existente entre os corpos quadrigêmeos superiores, ao qual se atribuem funções endócrinas.
Referimo-nos à epífise, também conhecida como glândula pineal.
Da obra mencionada extraímos, a propósito dessa glândula, as informações seguintes:

1.) No exercício mediúnico de qualquer modalidade, a epífise desempenha o papel mais importante. Através de suas forças equilibradas, a mente humana intensifica o poder de emissão e recepção de raios peculiares à esfera espiritual. É na epífise que reside o sentido novo dos homens; todavia, na grande maioria deles, a potência divina dorme embrionária. (Missionários da Luz, cap. 1, pág. 16.)

2.) A função da epífise vai muito além do que relatam os livros médicos, que circunscrevem suas atribuições ao controle sexual no período infantil. Em realidade, a epífise não é um órgão morto, mas a glândula da vida mental, que acorda no organismo do homem, na puberdade, as forças criadoras e, em seguida, continua a funcionar, como o mais avançado laboratório de elementos psíquicos da criatura terrestre. (Obra citada, cap. 2, págs. 19 e 20.)

3.) A epífise preside aos fenômenos nervosos da emotividade, como órgão de elevada expressão no corpo etéreo. Ela é também conhecida dos Espíritos como glândula da vida espiritual do homem, possuindo ascendência sobre todo o sistema endocrínico e, ligada à mente através de princípios eletromagnéticos do campo vital, comanda as forças subconscientes sob a determinação direta da vontade. (Obra citada, cap. 2, págs. 20 e 21.)

4.) Segregando "unidades-força", a epífise é comparável a poderosa usina, que deve ser aproveitada e controlada no serviço de iluminação, refinamento e benefício da personalidade, e não relaxada em gasto excessivo do suprimento psíquico, nas emoções de baixa classe. É, pois, indispensável cuidar atentamente da economia de forças, no serviço honesto de desenvolvimento das faculdades superiores. É preciso preservar as energias psíquicas para engrandecimento do Espírito eterno. Jesus ensinou a virtude como esporte da alma. Daí a importância da renúncia e a grandeza da lei de elevação pelo sacrifício. O homem que pratica verdadeiramente o bem vive no seio de vibrações construtivas e santificantes da gratidão, da felicidade e da alegria. (Obra citada, cap. 2, págs. 23 a 25.)

Os anos passaram e eis que, várias décadas depois, apareceu nos meios acadêmicos uma proposta curiosa, a chamada Inteligência Espiritual, tema focalizado no livro QS: Inteligência Espiritual, de Danah Zohar e Ian Marshall, que defendem a ideia de que, além do QI (quociente intelectual) e do QE (quociente emocional), a inteligência humana também pode ser medida por meio da inteligência espiritual, o QS, o quociente fundamental de todos. O QS está ligado à necessidade humana de ter propósito e objetivo na vida. Ele seria o responsável pelo significado de nossa existência, pelo desenvolvimento dos valores éticos e crenças que vão nortear nossas ações no dia a dia. Conhecer o potencial do nosso QS e desenvolvê-lo nos permitirá alcançar metas com mais eficiência.

Segundo Danah Zohar, essa tese fundamenta-se em pesquisas levadas a efeito por cientistas de várias partes do mundo que descobriram o que está sendo chamado "Ponto de Deus" no cérebro, uma área que seria responsável pelas experiências espirituais das pessoas.
Será uma mera coincidência tal ideia com o que André Luiz escreveu 70 anos atrás a respeito da epífise – a glândula da vida espiritual?
É evidente que não. Trata-se, isso sim, da confirmação de que o cérebro é simples meio, precioso e delicado instrumento, do qual, quando se encontra reencarnada e, portanto, vinculada a um corpo material, a alma se vale para manifestar-se. Compondo-o, a epífise exerce nesse processo um papel relevante, como André Luiz informou na obra psicografada por Francisco Cândido Xavier, a que nos referimos.
Respondendo à pergunta “O que é inteligência espiritual?”, Danah Zoar, coautora do livro sobre a Inteligência Espiritual, respondeu: 

”É uma terceira inteligência, que coloca nossos atos e experiências num contexto mais amplo de sentido e valor, tornando-os mais efetivos. Ter alto quociente espiritual (QS) implica ser capaz de usar o espiritual para ter uma vida mais rica e mais cheia de sentido, adequado senso de finalidade e direção pessoal. O QS aumenta nossos horizontes e nos torna mais criativos. É uma inteligência que nos impulsiona. É com ela que abordamos e solucionamos problemas de sentido e valor. O QS está ligado à necessidade humana de ter propósito na vida. É ele que usamos para desenvolver valores éticos e crenças que vão nortear nossas ações.” 
De acordo com André Luiz, como dito linhas acima, é preciso preservar as energias psíquicas para engrandecimento do Espírito eterno, ideia que, na expressão utilizada pela filósofa americana, significaria usar o espiritual para ter uma vida mais rica e mais cheia de sentido, desenvolvendo, em consequência, valores éticos que nortearão a conduta da pessoa ao longo da existência.

domingo, 26 de abril de 2015

Amparo Oculto

Não lamentes, alma boa,
Contratempo que aconteça,
Que a luta não te esmoreça
Nada existe sem valor;
Aquilo que te parece
Um desencanto de vulto
É sempre socorro oculto
Que desponta em teu favor.

Uma viagem frustrada,
Uma festa que se adia,
Uma palavra sombria
Que encerra uma diversão;
O desajuste num carro,
Um desgosto pequenino,
Alteram qualquer destino
Em forma de salvação.

Não chores por bagatelas,
Guarda a fé por agasalho,
Deus te defende o trabalho,
Atuando em derredor;
Contrariedades no tempo,
Quase sempre, em maioria,
É amparo que o Céu te envia
Por bênção do mal menor.
Pelo Espírito Maria Dolores
XAVIER, Francisco Cândido. Canteiro de Idéias. Espíritos Diversos. IDEAL.

* * * Estude Kardec * * *