quarta-feira, 23 de julho de 2014

A imensa alegria de servir

Toda natureza é um desejo de serviço.
Serve a nuvem, serve o vento, serve o sulco.
Onde houver uma árvore para plantar, planta-a tu.
Onde houver um erro para corrigir, corrige-o tu.
Onde houver uma tarefa que todos recusem, aceita-a tu.

Sê quem tira:
a pedra do caminho,
o ódio dos corações
e as dificuldades dos problemas.

Há a alegria de ser sincero e de ser justo.
Há, porém, mais do que isso,
a imensa alegria de servir.

Como seria triste o mundo
se tudo já estivesse feito,
se não houvesse uma roseira para plantar,
uma iniciativa para lutar!
Não te seduzam as obras fáceis.
É belo fazer tudo que os outros se recusam a executar.
Não cometas, porém, o erro
de pensar que só tem merecimento executar as grandes obras.
Há pequenos préstimos que são bons serviços:
enfeitar uma mesa.
Arrumar uns livros.
Pentear uma criança.

Aquele é quem critica,
este é quem destrói;
sê tu quem serve.

Servir não é próprio dos seres inferiores:
Deus, que nos dá fruto e luz, serve.
Poderia chamar-se: O Servidor.
E tem os Seus olhos fixos nas nossas mãos
e pergunta-nos todos os dias:
Serviste hoje?
*   *   *
Gabriela Mistral, poetisa chilena, em seu belíssimo poema nos emociona com uma proposta de vida maravilhosa.
O Poeta dos poetas, certa vez também afirmou que quem desejasse ser o primeiro, fosse o servo de todos.
Servir é a receita infalível da felicidade presente e futura.
Presente, pois quem serve, quem se doa, quem ajuda, já recebe no coração a paz que tal ato propicia. Uma paz sem igual: a paz da consciência tranquila.
Futura, pois quem serve semeia concórdia, fraternidade – merecendo colher o mesmo nos passos seguintes da existência imortal do Espírito.
Todo dia nos apresenta diversas oportunidades de servir. Que possamos estar atentos a elas, e não desperdiçar nenhuma chance, nenhuma dessas experiências enriquecedoras.
Parafraseando a poetisa, perguntamos: Você já serviu hoje?

Redação do Momento Espírita com base no poema A imensa alegria de servir, de Gabriela Mistral.

Ação - Bondade

A cobrança da gratidão diminui o valor da dádiva.
O bem não tem preço, pois que, à semelhança do amor, igualmente não tem limite.
Quando se faz algo meritório em favor do próximo aguardando recompensa, eis que se apaga a qualidade da ação, em favor do interesse pessoal grandemente pernicioso.
O Sol aquece e mantém o planeta sem qualquer exigência.
A chuva abençoa o solo e o preserva rico, em nome do Criador, sustentando os seres e se repete em períodos ritmados, não pedindo nada.
O ar, que é a razão da vida, existe em tão harmonioso equilíbrio e discrição, que raramente as criaturas se dão conta da sua imprescindibilidade.
*
Faze o bem com alegria e, no ato de realizá-lo, fruirás a sua recompensa.
Ajuda a todos com naturalidade, como dever que te impões, a favor de ti mesmo, e te aureolarás de paz.
Se estabeleces qualquer condição para ajudar, desmereces a tua ação, empalidecendo-lhe o valor.
Une-te ao exército anônimo dos heróis e apóstolos da bondade. Ninguém te saberá o nome, no entanto, o pensamento dos beneficiados sintonizará com a tua generosidade estabelecendo elos de ligação e segurança para a harmonia no mundo.
Os que se destacam na ação comunitária e são aplaudidos, homenageados, sabem que, sem as mãos desconhecidas que os ajudam, coisa alguma poderiam produzir.
Assim, os benfeitores verdadeiros são os da retaguarda e não os que brilham nos veículos da Comunicação.
Aproveita o teu dia e vai semeando auxílios, esparzindo bondade de que esteja rica a tua vida, e provarás o licor da alegria na taça da felicidade de servir.
Divaldo P. Franco. Da obra: Episódios Diários. Ditado pelo Espírito Joanna de Ângelis. Capítulo 9. LEAL.

* * * Estude Kardec * * *

Aprender e Recomeçar

Dizes que não tens condições para as obras da fé porque erraste.  
Erraste e sofreste.
Sofreste e temes a crítica.  
É possível que ainda lutes contigo mesmo.
Entretanto, não recuses o convite do bem que te chama a servir.
Esquece-te e caminha.
O trabalho em auxílio aos outros te fará profunda e bela renovação.
A benção do Senhor te sustentará.
Se não crês no Amparo do Alto, observa a lição do sol.
O astro do dia, vestido em luz pura e imensa está sempre reiniciando o próprio trabalho, em cada hemisfério da Terra.
Pensa nisso e aprende a recomeçar.
Espírito Emmanuel, Do Livro: Tempo e Nós, Médium: Francisco Cândido Xavier.

domingo, 20 de julho de 2014

Sabedoria do Amor

Considerando-se as glórias incomparáveis da Ciência e da Tecnologia contemporâneas que devassaram o Cosmo e penetraram nas micropartículas, revelando a grandeza universal e o milagre da energia, seria de se esperar que os desafios existenciais se encontrariam solucionados.
Certamente incontáveis problemas foram equacionados, enigmas terríveis se tornaram decifrados, o conforto e as comodidades multiplicaram-se favorecendo benefícios que, na evolução, tornaram a Terra quase um paraíso...
Nada obstante, se alteraram a face do sofrimento humano, proporcionando modificações profundas no mapeamento das aflições, não conseguiram eliminá-los como seria de desejar-se.
Pandemias terríveis foram eliminadas do planeta, enquanto outras, não menos dilaceradoras, vieram tomar-lhes o lugar.
A abundância de víveres em grãos e os processos tecnológicos de produção em massa de animais e aves tornou-se surpreendente, mas não foi possível diminuir a fome no mundo, que continua irreversível, ceifando centenas de milhões de vidas.
Substituíram os mecanismos das guerras perversas de corpo-a-corpo pela crueldade das criaturas bomba, portadoras de insanidade de ódio inigualável.
As angústias emocionais, defluentes dos fatores diversos, especialmente dos eventos de vida, são mais temíveis do que o pavor da ignorância medieval.
O crime continua assolando em formas variadas e o medo domina a sociedade, que já não sabe como proceder.
Horrores dificilmente catalogados dominam as multidões.
Excessos de poder, de fortuna, de êxtases mundanos são olhados pela miséria extrema dos excluídos.
As mansões de luxo iluminadas confraternizam com as cracolândias e os depósitos de lixo ameaçadores.
Para onde ruma a humanidade?
Pergunta-se por qual razão há tantos paradoxos, assim como por que existem tantos humanos contrastes?
Jesus ofereceu as respostas conforme inseridas no Sermão da Montanha, no cântico mais profundo e espetacular que a humanidade teve ocasião de escutar. O Seu brado sobre o amor radical ainda não foi ouvido e, perdendo-se nos desvãos do prazer, a criatura humana é responsável pela grandeza das conquistas anotadas, assim como pelos prejuízos éticos e morais.
Tem semeado trigo e cardos simultaneamente, no entanto, o escalracho predomina, com a natural colheita de dores.
Quase ninguém que não esteja experimentando o convite da aflição e sem rumo, assim fugindo de maneira vergonhosa do enfrentamento com a consciência. Renova-se a mensagem do Mestre na Doutrina que os Espíritos trouxeram, a fim de repetir-lhe os enunciados, apresentando as soluções para os aziagos dias do presente.
Reflexiona: a fortuna de hoje nas tuas mãos, se não souberes bem administrá-la, será carência e compromisso negativos no futuro.
A comodidade de agora pode ser véspera da escassez de logo mais.
Semeia luz no caminho bem traçado e confortável ou naquele coberto de abrolhos por onde sigas.
Não te canses de servir, de ser útil, de fazer a parte que te cabe na economia coletiva e espiritual da existência.
Dá-te conta que os desastres de todo tipo, que ora tomam conta das manchetes da mídia escandalosa, são efeitos da conduta de cada indivíduo no seu passado atual.
Sem dúvida, muitos males que ora são enfrentados defluem das ações infelizes desta existência, da negligência, dos desacertos, das animosidades, da insensatez.
Outros, porém, transcendem a presente jornada e ressurgem como heranças nefárias de existências anteriores.
Não desanimes, porém, insistindo na ação edificante, fruto de pensamentos retos e dignificadores.
A sociedade será melhor e mais feliz na razão direta em que cada um dos seus membros assuma a responsabilidade de alterar o comportamento, elegendo diferente proceder.
Não será necessária uma severa mudança para uma conduta mística, alienada, mas para atitudes consentâneas com as lições sublimes das bem-aventuranças.
É sublime que te permitas instalar nos sentimentos as diretrizes da afetividade do bem fazer.
Não estás isento de experienciares sofrimentos inesperados e bem-estares agora, da mesma forma que a segurança econômica e social podem, sem aviso prévio, alterar-se para pior.
De igual maneira, a carência, a solidão, a dor selvagem, podem modificar-se, como ocorre amiúde.
Precata-te interiormente, agradecendo a Deus tudo que te ocorre e acende a sublime luz da alegria de amar no país do teu coração.
Frui as bênçãos do conhecimento, espalhando-as com os esfaimados de misericórdia, de oportunidade e de paz.
A jornada terrestre é caracterizada pelos acontecimentos inesperados.
Quem poderia imaginar que a multidão que recepcionou Jesus na entrada de Jerusalém seria a mesma que, em poucos dias, o apuparia e o levaria à cruz?
Resguarda-te na confiança em Deus e avança, crucificado ou liberto, vivenciando a sabedoria do amor para seres sempre livre.
Espírito Joanna de Ângelis. Psicografia de Divaldo Pereira Franco, na noite de 12 de dezembro de 2013, no Centro Espírita Caminho da Redenção, em Salvador, Bahia.  http://www.divaldofranco.com.br/mensagens.php?not=357

sexta-feira, 18 de julho de 2014

Palavras de amigo

... Na fase terminal da nossa reunião, na noite de 16 de setembro de 1954, os recursos psicofônicos do médium foram ocupados pelo nosso amigo Queiroz, que foi abnegado médico em Belo Horizonte e cuja personalidade não podemos identificar, de todo, por motivos justos.
Conhecemo-lo pessoalmente.
Homem probo e digno, fizera da Medicina verdadeiro sacerdócio. Dedicava-se aos clientes e partilhava-lhes as dificuldades e sofrimentos, qual se lhe fossem irmãos na ordem familiar.
Apenas 28 dias depois de desencarnado, com o amparo de Amigos Espirituais viera pela primeira vez ao nosso Grupo. Parecia despertar de longo sono e sentia-se ainda no corpo de carne.
Reconhecia-se consciencialmente, mas julgava-se ainda em estado comatoso e, por isso, orava com encantadora fé e em voz alta pelos enfermos que lhe recebiam cuidados, confiando-os a Deus.
Passando a conversar conosco e assistido magneticamente pelos Benfeitores Espirituais de nosso templo, despertou para a verdade em comovente transporte de alegria.
 Lembramo-nos, perfeitamente, de ouvi-lo dizer, tão logo se observou redivivo:
“Então, a morte é Isto? uma porta que se fecha ao passado e outra que se abre ao futuro?”
Passou, de imediato, a ver junto de si antigos clientes desencarnados que lhe vinham demonstrar gratidão e, com inesquecíveis expressões de amor a Jesus, despediu-se, contente, deixando-nos agradecidos e emocionados.
Voltando ao nosso círculo de ação, felicitou-nos com a presente mensagem que bem lhe caracteriza o elevado grau de entendimento evangélico.
Sou daqueles que precisaram morrer para enxergar com mais segurança.
A experiência terrestre é comparável a espessa cortina de sombra, restringindo-nos a visão.
E, em mim, o dever do médico eclipsava a liberdade do homem, limitando observações e digressões.
Contudo, vivi no meu círculo de trabalho com bastante discernimento para identificar os profundos antagonismos de nossa época.
Insulado nas reflexões dos derradeiros dias no corpo, anotava as vicissitudes e conflitos do espírito humano, entre avançadas conquistas científico-sociais e os impositivos da própria recuperação.
Empavesado na hiperestrutura da inteligência, nosso século sofre aflitiva sede de valores morais para não descer a extremos desequilíbrios, e a existência do homem de hoje assemelha-se a luxuoso transatlântico, navegando sem bússola.
Por toda parte, a fome de lucros ilusórios, a indústria do prazer, a desgovernada ambição, o apetite insaciável de emoções inferiores e a fuga da responsabilidade exibem tristes espetáculos de perturbação, obrigando-nos a reconhecer a necessitade de fé renovadora para o cérebro das elites e para o coração das massas sem rumo.
Daqui, portanto, é fácil para nós confirmar agora que o mundo moderno está doente. E o clínico menos atilado perceberá sem esforço que o diagnóstico deve ser interpretado como sendo carência de Deus no pensamento da Humanidade, estabelecendo crises de caráter e confiança.
Apagando o personalismo que eu trouxe da Terra, descobri, estudando em vossa companhia, que somente o Cristo é o médico adequado à cura do grande enfermo e que só o Espiritismo, revivendo-lhe as lições divinas, é-lhe a medicação providencial.
Segundo vedes, sou apenas modesto aprendiz da grande transformação. Entretanto, quanto mais se me consolidam as energias, mais vivo é o meu deslumbramento, diante da verdade.
A luz que o Senhor vos deu e que destes a mim alterou-me visceralmente a feição pessoal.
Sou, presentemente, um médico tentando curar a si mesmo.
Minhas aquisições culturais estão reduzidas a chama bruxuleante que me compete reavivar.
Meus préstimos, por agora, são nulos.
Mas, revive-se-me a esperança e, abraçando-vos, reconhecido, entrego-me ao trabalho do recomeço...
Glória ao Senhor que nos ilumina o caminho espiritual!
É assim, reanimado e fortalecido, que aceito, agora, o serviço e a solidariedade sob novo prisma, rogando a Jesus nos abençoe e caminhando convosco na antevisão do glorioso futuro.
Espírito Queiroz - Do livro: Instruções Psicofônicas, Médium: Francisco Cândido Xavier.