domingo, 23 de novembro de 2014

Semeadores da Esperança

Possivelmente não terás pensado ainda no verbo formoso e grave a que todos somos chamados: criar para o progresso.
O Criador, ao dotar-nos de razão, a nós, criaturas, conferiu-nos o poder de imaginar, promover, originar, produzir.
Referimo-nos freqüentemente à lei de causa e efeito. Sabemos que ela funciona em termos de exatidão. Utilizamo-la, quase sempre, tão-só para justificar sofrimentos, esquecendo-lhe a possibilidade de estabelecer alegrias.
Causamos isso ou aquilo, geramos acontecimentos determinados. Experimentamos essa força que nos é peculiar, na formação de circunstâncias favoráveis aos homens.
Antes do comboio a vapor, a eletricidade já existia. Os transportes arrastavam-se pela tração, mas foi preciso que alguém desejasse criar na Terra a locomotiva, que se converteu a pouco e pouco no trem elétrico, a fim de que a Civilização aprimorasse os sistemas de condução que prosseguem para mais altas expressões evolutivas.
O firmamento era vasculhado pelos olhos humanos há milênios, mas foi necessário que um astrônomo inventasse lentes, para que os povos recolhessem as preciosas informações do Universo, que já havia antes deles.
O princípio é idêntico para a vida moral.
Precisamos hoje e em toda a parte dos criadores de harmonia doméstica e social, dos desenhistas de pensamentos certos, dos escultores de boas obras.
O tempo nos ensinará a entender a necessidade básica de se criarem condições para o entendimento mútuo, como já se estabeleceram normas para o trânsito fácil do automóvel.
Inventa em tua existência soluções de conforto, suscita motivos de paz, traça diretrizes de melhoria, faze o que ainda não foi aproveitado na realização da riqueza íntima de todos.
Provavelmente estamos na atualidade em estágio obscuro de lições, sob a atuação imperiosa de ações passadas. Mas não nos será correto esquecer que somos Inteligências com raciocínio claro e que, se antigamente nos foi possível colocar em ação as causas que neste momento e neste local nos infelicitam, retemos conosco a sublime faculdade de idear, planejar e construir.
Ajamos na construtividade de Jesus, sejamos semeadores de esperança.
pelo Espírito André Luiz, Do Livro: Estude e Viva, Médium: Francisco Cândido Xavier.

Ser e Parecer

A essência, o ser em si mesmo, constitui a individualidade, que avança mediante o processo reencarnatorio, adquirindo experiências e desenvolvendo as aptidões que lhes jazem inatas, heranças que são da sua origem divina.
A expressão temporária, adquirida em cada existência corporal, com as suas imposições e necessidades, torna-se a personalidade de que se reveste o Espírito, a fim de atingir a destinação que o aguarda.
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A primeira tem o sabor da eternidade, enquanto a outra é transitória.
No âmago do ser encontra-se a vida pulsante, imorredoura, embora, na superfície, a aparência, o revestimento, quase sempre difere da estrutura que envolve.
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A individualidade resulta da soma das conquistas, através do êxito como do insucesso, logrados ao largo das lutas que lhe são impostas.
A personalidade varia conforme a ocasião e as circunstâncias, os interesses e as ambições.
Esta passa, enquanto aquela permanece.
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Máscara, forma de aparecer, a personalidade se adquire sem transformação substancial, profunda, ocultando, na maioria das vezes, o que se é, o que se pensa, o que se aspira.
Legítima, a individualidade se aprimora, qual diamante que fulge ao atrito abençoado do cinzel.
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A personalidade extravasa, formaliza, apresenta.
A individualidade     aprimora, realiza, afirma.
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À medida que o ser evolui, mergulha no mundo íntimo, introspectivamente, desenvolvendo os valores que dormem em embrião e se agigantam.
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O exterior desgasta-se e desaparece.
O interior esplende e agiganta-se.
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A semente que morre semente, não viveu, não realizou a missão que lhe estava reservada: multiplicar e produzir vida.
A gema, sem lapidação, jamais fulgura.
Faze a tua indagação à vida, em torno da tua destinação.
Quem és hoje e o que pretendes alcançar?
Cansado da aparência, realiza-te intimamente e desata as aptidões superiores que aguardam oportunidade e cresce para as finalidades elevadas da Vida.
Tenta ser, por fora, conforme evoluis por dentro, sendo a pessoa gentil, mas nobre, fulgurante e abnegada, afável, todavia leal.
Tua aparência, seja também tua realidade, esforçando-te, cada vez mais, para conseguir a harmonia entre a individualidade e a personalidade, refletindo os ideais de beleza e amor que te vitalizam.
FRANCO, Divaldo Pereira. Momentos de Coragem. Pelo Espírito Joanna de Ângelis. LEAL.

* * * Estude Kardec * * *

Senhor!

Senhor!
A cada assalto, sequestro ou desastre aumenta-nos o medo de sair à rua, trabalhar, viajar, iniciar um empreendimento, viver.
No entanto, não há o que temer. Tu nos proteges, de várias maneiras. Até anjos puseste para nos instruir e defender.
Eles atuam, inspiram-nos, veem os perigos antes de nós, defendendo-nos mais do que os ferrolhos, cadeados e alarmes. São um presente dos céus, um acréscimo da Tua misericórdia; mas, dependem da nossa fé.
Tudo Te pertence, Senhor. A nossa vida, os bens, as posições. Por isso, já estamos seguros.
Confiamos em Ti, nos nossos anjos da guarda, e ficamos em paz.
Obrigado, Senhor, muito obrigado.
Autor:  Lourival Lopes

Livro: Preces da Vida – Editora Otimismo – 6ª Edição – Páginas: 234 à 235 – Brasília – Distrito Federal / 1996

sábado, 22 de novembro de 2014

Um coração afável

A complexidade da vida moderna parece conspirar contra a tua paz interior e, maquinalmente conduzido pela multifária engrenagem, sentes verdadeira conjuração dos fatores que conseguem, por fim, sulcar a tua face com os sinais da intranquilidade, da revolta, do azedume.
Não obstante o conforto que deriva das facilidades ao acesso de grande parte dos homens, experimentas sérias conjunturas afligentes que te molestam, solapando os alicerces da tua estrutura emocional.
Todavia, se te permitires ligeira análise das possibilidades que fluem ao teu alcance, modificarás as disposições negativas e te renovarás.
Enseja-te um coração afável.
Experimenta aplicar esses valores desconsiderados que são a palavra gentil, o gesto simpático, o sorriso delicado, a paciência generosa, e fortunas de verdadeira alegria espalharão moedas de bem-estar através de ti, envolvendo-te, também num halo de felicidade interior.
Francisco de Assis, embora enfermo e asceta, caminhando por sendas de cruas dificuldades, conseguia cantar as belezas da "irmã natureza", dos "irmãos animais", dos "irmãos pássaros"...
Helen Keller, conquanto limitada pela surdez, pela cegueira e pela mudez, pede exaltar a beleza das paisagens, a claridade das manhãs, a fragrância das flores, fazendo da existência um hino de louvor à vida...
Gandhi, apesar de dispor de vastos recursos para o triunfo mundano, abraçou a causa da "não violência" e deu-se integralmente aos aflitos e necessitados em constantes recitativos de amor à vida e abnegação pela vida.
Corações afáveis!
Quantas oportunidades desperdiças de semear júbilos fora e dentro de ti mesmo, porque insignificante problema toldou a luz do teu amanhecer, ou irritação por coisa de monta insignificante produziu um mal-estar na execução do teu programa? Lutaste para conservar a mágoa, disputando a tarefa de parecer e ser infeliz, esquecendo as fartas concessões que o teu coração, tornado afável, poderia conseguir!
Simplifica o teu roteiro de ação, dilata a visão do bem no panorama das tuas horas, e com o preço mínimo de um sorriso considera a coleta de júbilos que dele se deriva e que poderás colher.
Jesus, dilatando o seu coração afável, contou as mais belas hipérboles e hipérbatos, parábolas e poemas que o homem jamais escutou. Um grão de mostarda, uma moeda insignificante, algumas varas, uma pérola luminosa, peixes e redes, talentos e sementes receberam da sua afabilidade um toque especial de beleza que comoveram, a princípio, uma mulher atormentada por obsessão pertinaz, um príncipe petulante e douto, um cobrador de impostos rejeitado, jovens homens da terra e velhos marujos decididos, sensibilizando, depois, incontáveis corações para com eles inaugurar um reino diferente de amor, que até hoje é a mais fascinante História da Humanidade.
Começa, desse modo, desde agora, a experiência de manter um coração afável, disseminando bênçãos.
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"Bem-aventurados os limpos de coração, porque eles verão a Deus". Mateus: capítulo 5º, versículo 8.
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"A pureza do coração é inseparável da simplicidade e da humildade. Exclui toda ideia de egoísmo e de orgulho" Evangelho Segundo o Espiritismo. Capítulo 8º - Item 3.
FRANCO, Divaldo Pereira. Florações Evangélicas. Pelo Espírito Joanna de Ângelis. LEAL. Capítulo 34.

* * * Estude Kardec * * *

quinta-feira, 20 de novembro de 2014

Obstáculos e Resultados

A compassividade de Deus, através de suas leis justas e perfeitas, conhece por antecipação todas as nossas necessidades e da mesma forma os nossos méritos muito melhor do que nós mesmos.
As benesses de Deus são entregues de igual modo para todos. A sua bondade e misericórdia usam de um só e justo critério de distribuição para todos.
Acontece, porém, que a Lei do Merecimento, que regula essa distribuição, determina que cada um receba de conformidade com a sua capacidade, pois ela se regulamenta pelas ações individualizadas.
Assim sendo, compreendemos que cada um de nós está possuindo aquilo que precisa ter e passando exatamente por aquilo que deve passar. Isso porque Deus não erra, não castiga e não persegue. "A cada um segundo suas obras", ensinou Jesus.
É natural desejarmos e lutarmos por soluções através de benefícios de ordem espiritual que venham alterar o quadro de nossas necessidades e sofrimentos. Entretanto, se nos dedicarmos ao estudo sério do Espiritismo, que ajuda o nosso entendimento a respeito da justiça divina, compreenderemos que não há como conseguir isso através de ações milagrosas e nem com urgência. A lei divina que é imutável não vai alterar seu curso só porque estamos com pressa.
Será natural então aceitarmos a ideia de que teremos que construir o nosso próprio crédito espiritual, alterando assim o nosso merecimento.
O Espiritismo, na qualidade da Terceira Revelação dada ao homem, nos ajuda nesta parte, primeiro a descobrir qual o problema que está causando as dificuldades por que passamos e depois orienta-nos como agir, do que carecemos e o que nos é possível fazer no encontro da solução adequada.
O homem comum, aquele que ainda não despertou o interesse por questões a respeito da vida espiritual, encontra muitas dificuldades para esse despertamento consciencial. Felizes são os que venham a se interessar pelos estudos espíritas, pois passam a compreender que primeiro é necessário identificar nossa realidade íntima, o que somos, e, a seguir, aceitar as alterações a serem processadas em nossa vida, pondo as mãos no arado para as mudanças que precisam ser feitas.
É importante ficarmos alertas para com as companhias espirituais que nos cercam por afinidade, pois, segundo André Luiz, existe o "Hálito Mental", o reflexo do que pensamos e sentimos, através do qual somos identificados pelo mundo espiritual. Nosso esforço em melhorar implica na troca desses companheiros espirituais. Essa é a Lei de Deus, lei do merecimento.
Para essa tarefa, comecemos por trabalhar o nosso egoísmo, pois de todas as imperfeições humanas é a mais difícil de ser extirpada, porque se liga à influência da matéria, da qual o homem é ainda escravo, por estar muito perto de sua origem, e ter dificuldade dela se libertar.
A boa vontade é instrumento indispensável para que comecemos a mudar o falso modo de encarar as coisas e interpretar a vida, usando o bom senso na própria avaliação. Em verdade somos responsáveis pelo nosso comportamento, por sermos pessoas adultas e agora conscientes de onde viemos, o que estamos fazendo e para onde iremos depois que a morte nos levar daqui.  Assim devemos controlar nossas ideias, rejeitando os pensamentos inferiores e perturbadores, estimulando as tendências boas e repelindo as más.
Tomemos conta de nós. Deus nos concedeu o livre-arbítrio para essa finalidade. Aprendamos a controlar em todos os instantes e em todas as circunstâncias o nosso poder e veremos que ele é maior do que pensamos.
Quase sempre encaramos as pessoas de modo desconfiado, indiferente, principalmente aquelas que são de nossa intimidade imediata, o que denota desrespeito e desamor. Procuremos mudar essa maneira de agir, colocando atenção pelos outros. Exercitemos estes conceitos e verificaremos os resultados positivos advindos daí.
Tudo isso é muito importante se colocado em prática nos dias de nossa vida. Estaremos criando em torno de nós a empatia e o afeto daqueles com quem convivemos e assim iremos ganhando bônus espirituais que muito nos ajudarão na obtenção dos resultados possíveis de alcançar na presente existência terrena. Será, sem dúvida, um passo a mais na nossa caminhada.
por Edo Mariani - Matão/SP
extraído do Informativo Espiritismo Estudado, do Centro Espírita Humberto de Campos