quarta-feira, 6 de agosto de 2014

Tribulações

"Também nos gloriamos nas tribulações." - Paulo. (ROMANOS, 5:3.)
Comentando Paulo de Tarso os favores recebidos do Plano Superior, com muita propriedade não se esquecia de acrescentar o seu júbilo nas tribulações.
O Cristianismo está repleto de ensinamentos sublimes para todos os tempos.
Muitos aprendizes não lembram o apóstolo da gentilidade senão em seu encontro divino com o Messias, às portas de Damasco, fixando-lhe a transformação sob o hálito renovador de Jesus, e muitos companheiros se lhe dirigem ao coração, mentalizando-lhe a coroa de espírito redimido e de trabalhador glorificado na casa do Pai Celestial.
A palavra do grande operário do Cristo, entretanto, não deixa margem a qualquer dúvida, quanto ao preço que lhe custou a redenção.
Muita vez, reporta-se às dilacerações do caminho, salientando as estações educativas e restauradoras, entre o primeiro clarão da fé e o supremo testemunho. Depois da bênção consoladora que lhe reforma a vida, ei-lo entre açoites, desesperanças e pedradas. Entre a graça de Jesus que lhe fora ao encontro e o esforço que lhe competia efetuar, por reencontrá-lo, são indispensáveis anos pesados de serviço áspero e contínua renunciação.
Reparemos em nós mesmos, à frente da luz evangélica.
Nem todos renascem na Terra, com tarefas definidas na autoridade, na eminência social ou no governo do mundo, mas podemos asseverar que todos os discípulos, em qualquer situação ou circunstância, podem dispor de força, posição e controle de si próprios.
Recordemos que a tribulação produz fortaleza e paciência e, em verdade, ninguém encontra o tesouro da experiência, no pântano da ociosidade. É necessário acordar com o dia, seguindo-lhe o curso brilhante de serviço, nas oportunidades de trabalho que ele nos descortina.
A existência terrestre é passagem para a luz eterna. E prosseguir com o Cristo é acompanhar-lhe as pegadas, evitando o desvio insidioso.
No exame, pois, das considerações paulinas, não olvidemos que se Jesus veio até nós, cabe-nos marchar desassombradamente ao encontro d’Ele, compreendendo que, para isso, o grande serviço de preparação há de ser começado na maravilhosa e desconhecida "terra de nós mesmos"
XAVIER, Francisco Cândido. Vinha de Luz. Pelo Espírito Emmanuel. 14.ed. Rio de Janeiro, RJ: FEB, 1996. Capítulo 142.

* * * Estude Kardec * * *

terça-feira, 5 de agosto de 2014

Guia-me Luz Benigna

Guia-me, luz benigna, no meio das trevas que me cercam!…
Ilumina as veredas que meus pés palmilham…
Não te peço que me rasgues vastos horizontes, soberbos panoramas, dilatadas perspectivas…
Suplico-te apenas, ó luz benigna, que ilumine o modesto espaço que cada passo tem mister…
Basta-me um passo, um passo apenas, porque tu sabes onde ponho o pé…

Guia-me, seguro, por escarpas e alcantis…
Guia-me, quando alegrias me exaltam e sofrimentos me deprimem…
Guia-me quando amigos me louvam e inimigos me vituperam, para que eu não julgue melhor nem pior do que sou a teus olhos…
Guia-me, luz benigna, para que nenhuma injustiça me faça injusto…
Que nenhuma ingratidão me faça ingrato…
Que nenhuma amargura me faça amargo…
Que nenhuma maldade me faça mau…
Que eu queira antes sofrer todas as injustiças do que cometer uma só…
Guia-me, luz benigna, e mostra-me que todas as coisas, mesmo as mais pequeninas, são grandes, quando feitas com grandeza de alma…
Guia-me rumo à humilde grandeza de servir, longe da soberba mesquinhez de querer ser servido…
Guia-me cada vez mais longe de mim, cada vez mais perto de ti…
Bem perto de ti…
Ó luz benigna!…
(Texto extraído do livro “Imperativos da Vida” – do genial filósofo brasileiro Huberto Rohden – Editora Martin Claret) .

 http://ceacs.wordpress.com  ( Centro Espírita Amor e Caridade Santarritense) 

Corolário do Amor

Meu filho,
Não temas as horas duras de adversidade, pois que o Sol todos os dias é novo por mercê infinita do Pai Divino.
A Luz brilhará sempre, porque o Pai não permite que os Seus filhos caminhem às escuras.
Enquanto as trevas se adensam, luta tu para que tudo, em teu redor, seja claro e seja belo.
Suaviza a dor daqueles que, em lutas íntimas mergulharam nas trevas, para que elas sejam abreviadas e a compensação não seja dura como se faz mercê.
Procura, na certeza do Amor Divino, encontrar sempre a Paz, embora ela nunca reine em teu redor. E nunca temas a luta, embora tudo pareça desmoronar na tua frente. E sê sempre manso para com aqueles que te ofendem, pondo os olhos no Cordeiro Divino, que mais que todos nós, merecedor das graças do Pai, suportou a afronta até à cruz humilhante.
Não desanimes nunca, embora te pareça que o amparo vem longe e só muito dificilmente o poderás alcançar.
O Sol nasce todos os dias e, quando nasce, traz consigo novas auroras que prometem aos homens dias venturosos.
Não temas e segue sempre em frente. Embora os caminhos sejam difíceis e muitas as encruzilhadas, sê solícito a percorrê-los, porque no fim de cada um deles encontrarás a recompensa que todo o homem de boa vontade, conquista pelo seu próprio esforço.
Agradece à Terra o ter-te recebido, o ter-te formado o corpo, o dar-te o alimento, a água que bebes, o ar que respiras, e não tentes fugir nunca, mesmo no momento do maior desespero na vida, da responsabilidade que a própria vida te coloca sobre os ombros.
Segue sempre em frente.
Quando atingires a meta almejada, o Cordeiro de Deus te dará a Sua mão. A subida será mais fácil, os abrolhos diminuirão, a Paz reinará em teu redor, a Luz brilhará eternamente. E a tua alma, com o nascer desse Sol Divino, cantará novas aleluias, porque a redenção chegou a ti por, finalmente, teres compreendido a finalidade do homem na evolução.
Caminha sempre em frente, sem temor nem desespero. E rende graças ao Pai Divino, porque cada alma para Ele é uma centelha de si próprio, dispersa, que Ele tenta de novo abraçar. Procura fundir-te n’Ele todos os dias quando o Sol nascer.
Fraternalmente e sinceramente unidos a tudo quanto constitua responsabilidade com vista às puras elevações, meu filho, caminha sempre em frente.
Irmão Gaspar – Psicografia de Maria Celeste

Corolário do Amor

segunda-feira, 4 de agosto de 2014

Ao viajor da Vida

 Foge à ilusão da forma que te ilude
 Entre sombras e lápides terrenas.
 Surpreenderás, na carne, sonho apenas
 De infância, mocidade e senectude...

 Ri-se o berço... Depois, a juventude
 É ligeira estação de horas serenas...
 Depois, ainda, as lágrimas e as penas
 Da velhice a chorar o inverno rude...

 Que a aspereza da estrada pouco importe...
 Segue, de coração piedoso e forte,
 Plantando o amor na Terra vasta e rica.

 Marca a esparzir o bem de escala a escala!
 O bem – o dom de paz que te assinala;
 Somente o bem é a luz de amor que fica.
pelo Espírito Artur Ragazzi, Do Livro: Antologia dos Imortais, Médium: Francisco Cândido Xavier.

Rogativa

Senhor, sobre este Lar, erguido às dores,
Traze a consolação de Tua graça...
Que esta casa de amor se abra a quem passa,
Por bendito refúgio aos sofredores!

Que a Tua luz aqui brilhe sem jaça
Na palavra dos gênios benfeitores,
Que neste ninho em paz, tecido em flores,
Toda sombra da Terra se desfaça.

Concede às nossas almas, neste abrigo,
O auxílio excelso de teu braço amigo,
No caminho do bem, amplo e fecundo!

Que sirvamos contigo, lado a lado,
No Brasil do Evangelho restaurado,
Onde traçaste o Coração do Mundo.
Pelo Espírito Pedro DAlcântara - Do livro: Cartas do Coração, Médium: Francisco Cândido Xavier.

Sem desânimo

Se você deixou de trabalhar, entrando em desânimo, examine o tráfego numa rua simples.
Ônibus, automóveis, caminhões, ambulâncias e viaturas diversas passam em graus de velocidade diferente, cumprindo as tarefas que lhes foram assinaladas.
Nenhum veículo segue sem objetivo e sem direção.
Observe, porém, o carro parado, fora da pista.
Além de constituir uma tentação para malfeitores e um perigo no trânsito, é também um peso morto na economia geral, porquanto foge do bem que lhe cabe fazer.
Entretanto, se o dono resolve recuperá-lo, aparecem, de pronto, motoristas abnegados, que se empenham a socorrê-lo.
Considera a lição e não gaste o seu tempo, acalentando enguiços na própria alma, que farão de você um trambolho para os corações queridos que lhe partilham a marcha.
Qual acontece ao veículo mais singelo, você pode perfeitamente auxiliar nos caminhos da vida, arrancar um companheiro dessa ou daquela dificuldade, carregar um doente, transportar uma carta confortadora, entregar um remédio ou distribuir alimento.
Se você quiser, realmente, largar o cantinho da inércia, rogue amparo aos Espíritos Benevolentes e Sábios que funcionam, caridosamente, na condição de mecânicos da Providência Divina, e eles colaborarão com você, mas para que isso aconteça, é preciso, antes de tudo, que você pense em servir, dispondo-se a começar.
Pelo Espírito André Luiz
Psicografia de:  XAVIER, Francisco Cândido. Paz e Renovação. Espíritos Diversos. CEC.

Publicado pelo site:  http://ceacs.wordpress.com ( Centro Espírita Amor e Caridade Santarritense) – 07/07/2014

As minhas muitas atividades

Constantemente encontramos pessoas indispostas e queixosas, diante dos compromissos que assumiram espontaneamente, ou que tiveram que assumir, premidas pela necessidade.
Muitas delas, tornadas infelizes, passam a não fazer bem feito o que têm aos seus cuidados, sob mil alegações, tais como:
"Não ganho para isso..."
"Ninguém me dá valor..."
"Estou estressado com tantas coisas..."
"Enquanto me acabo, há outros que não fazem nada...". E outras alegações, que apenas ampliam dificuldades.
É verdade que vemos mães e pais de família sobrecarregados diante dos deveres domésticos que lhes pesam.
Os compromissos de cuidar do lar, da família e da profissão, ao mesmo tempo, provocam desgastes e cansaço, indiscutivelmente.
No entanto, partindo-se do princípio de que Deus não concede um fardo maior do que as forças de quem o vai conduzir, como estabelece a voz popular, constatamos que os aborrecimentos são injustificados.
Concebendo-se a perfeição das Leis Divinas em tudo, também esse rol de atividades e de lutas está sob o foco dessa Divina Perfeição.
Por outro lado, a adoção das reclamações e do mau humor permanente não solucionará os problemas, nem diminuirá os deveres à frente deles. Antes, ampliará as torturas sob as quais a pessoa alega viver.
Você pode escolher: fazer o que tem que fazer com raiva, má vontade, e tornar seu dia terrível.
Ou, fazer o que você tem que fazer conservando a calma, a paciência, e buscando nessas atividades algo que lhe ensine sobre a vida.
Você ainda pode verificar se realmente não está trabalhando demais, cansando-se demais, em virtude de querer ter mais coisas, de desejar manter um padrão de vida econômico e financeiro melhor.
Se for por isso, a reclamação é indevida. A situação só depende de você para ser resolvida.
Se você é compelido a essas múltiplas atividades, porque elas são vitais para o equilíbrio social da família, da sua vida; se não há modo de alterar esse quadro, sem graves prejuízos, para você e os seus, então, você está em meio a vicissitudes importantes para o reequilíbrio geral, perante as Leis de Deus.
Se a sua jornada múltipla atende a necessidades intransponíveis, seja numa fase da sua vida ou seja durante toda a vida terrena, pense na importância disso para o seu reajustamento espiritual.
Pense na sementeira abençoada para o próximo futuro.
Veja, por outro lado, que você trabalha muito agora, sim, e censura os que nada ou muito pouco fazem, no campo dos seus conhecimentos.
Avalie que esta situação que essas pessoas vivem hoje em dia, de modo displicente, cria para elas a necessidade do reacerto com as Leis Eternas, no porvir.
A diferença entre elas e você é que você já se encontra em franco processo de reajustamento, respondendo pela má utilização do tempo em épocas passadas.
* * *
Faça tudo com alegria íntima, porque você está em rota de libertação.
O que lhe dói não é o trabalho em si, pois o trabalho é Lei de Deus.
O que o atormenta é o preço do resgate, caracterizado pela indiferença do mundo para com a sua luta particular.
Da próxima vez que você pensar e lamentar a respeito de suas muitas atividades, lembre-se disso: o trabalho é oportunidade maravilhosa de crescimento interior.

Texto da Equipe de Redação do Momento Espírita, com base no cap. 23 do livro Para uso diário, do Espírito Joanes, psicografia de José Raul Teixeira, ed. Fráter

domingo, 3 de agosto de 2014

Independência Espírita

O espírita, em verdade, pode e deve:
Estimular as boas obras, mas saber com que meios;
Ler de tudo, mas saber para que;
Andar em qualquer parte, mas saber para onde;
Cooperar no bem de todos, mas saber com quem convive;
Prosperar, mas saber de que modo;
Guardar a fé, mas saber porquê;
Agir quanto deseje, mas saber o que faz;
Falar o que queira, mas saber o que faz;
Lutar corajosamente, mas saber com que fim;
Elevar-se, mas saber como;
O espírita pensa livremente, mas precisa discernir.
pelo Espírito Albino Teixeira - Do livro: Caminho Espírita, Médium: Francisco Cândido Xavier.

Auto-Crítica

  O milagre é invenção da gramática para efeito lingüístico, pois na realidade somos arquitetos do próprio destino.
 Se algum erro de cálculo existe na construção de nossas existências, o culpado somos nós mesmos.
 Todos caminhamos suscetíveis de errar, todos já erramos bastante e todos ainda erraremos necessariamente para aprender a acertar; contudo, nenhum de nós deve persistir no erro, porquanto incorreríamos na abolição do raciocínio que nos constitui a maior conquista espiritual.
 No reconhecimento da falibilidade que nos caracteriza, se não é lícito reprovar a ninguém, não será justo cultivar a indulgência para conosco; e se nos cabe perdoar incondicionalmente aos outros, não se deve adiar a severidade para com as próprias faltas.
 Portanto, para acertar, não devemos fugir ao "conhece-te a ti mesmo", que principia na intimidade da alma, com o esforço da vigilância interior.
 Esse trabalho analítico de dentro e para dentro nasce da humildade e da intenção de acertar com o bem, demonstrando para nós próprios o exato valor de nossas possibilidades em qualquer manifestação.
 Autocrítica sim e sempre...
 Podão da sensatez - apara os supérfluos da fantasia.
 Balança do comportamento - sopesa todos os nossos atos.
 Lima da verdade - dissipa a ilusão.
 Metro moral - define o tamanho de nosso discernimento.
 Espelho da consciência - reflete a fisionomia da alma.
 Em todas as expressões pessoais, é possível errarmos para mais ou para menos.
 Quem não avança na estrada do equilíbrio que somente a autocrítica delimita com segurança, resvala facilmente na impropriedade ou no excesso, perdendo a linha das proporções.
 Com a autocrítica, lisonja e censura, elogio e sarcasmo deixam de ser perigos destruidores, de vez que a mente provida de semelhante luz, acolhe-se ao bom senso e à conformidade, evitando a audácia exagerada de quem tenta galgar as nuvens sem asas e o receio enfermiço de quem não dá um passo, temendo anular-se, ao mesmo tempo que amplia as correntes de cooperação e simpatia, em derredor de si mesma, por usar os recursos de que dispõe na medida certa do bem, sob a qual, a compaixão não piora o necessitado e a caridade não humilha quem sofre.
 Sê fiscal de ti mesmo para que não te levantes por verdugo dos outros e, reparando os próprios atos, vive hoje a posição do juiz de ti próprio, a fim de que amanhã, não amargues a tortura do réu.
Pelo Espírito André Luiz - Do livro: Opinião Espírita, Médiuns: Francisco Cândido Xavier e Waldo Vieira.

A lenda do esconderijo seguro

Aconteceu em tempos já distantes...
Observando o comportamento irregular das criaturas humanas, a sua ingratidão e contínua rebeldia, Deus resolveu reunir a Corte Celeste, a fim de apresentar sua opinião pouco favorável aos seres inteligentes que, invariavelmente utilizavam do conhecimento e da razão para protestar, exigir, reclamar contra tudo e todos, demonstrando irritabilidade e desconsideração para com a Paternidade Divina.
Ante a expectação geral dos anjos, arcanjos, querubins e potestades, o Senhor explicou que desejava ensinar aos homens e mulheres terrestres uma forma condigna para O buscarem.
Todos sabiam que Ele residia no Paraíso, cujo endereço era muito conhecido, e para onde se dirigiam suas queixas e desgostos, raramente a gratidão e o amor. Assim, Ele estava pensando, pelo menos por um período, transferir-se da sua morada, para um lugar onde fosse difícil de ser encontrado. Isso seria uma espécie de férias que Ele desejava experimentar e uma advertência para os filhos ingratos.
Concedera-lhes os predicados do pensamento e da lógica, a fim de que pudessem examinar as belezas existentes no Cosmo, presentes em mil expressões terrenas e, não obstante, na maioria das vezes, esses atributos eram utilizados para o desregramento, a agressividade e a insensatez.
Todos os membros da Corte Celeste concordaram plenamente com a proposta divina e ficaram mais surpresos ainda, quando o Senhor lhes pediu sugestão sobre um lugar na Terra ou próximo dela onde pudesse ocultar-se temporariamente.
Após larga reflexão, um serafim muito honrado pediu vênia para falar, e propôs:
- Acredito que a Lua seria um excelente lugar para repouso. O silêncio que paira na sua superfície é grandioso, e dali a observação do planeta terrestre faz-se tão bela quanto emocionante. Sugiro, portanto, que o Criador a eleja como Vossa próxima residência.
Todos os membros da excelsa assembleia concordaram com a sugestão tomada com sorrisos de júbilo.
Mas, o Supremo Senhor, após meditar, redarguiu, preocupado:
- Eu posso prever o futuro, e graças a essa capacidade, vejo o ser humano chegando ao satélite terrestre e colocando ali os seus símbolos. Se lá eu estiver, nessa oportunidade, será muito mais difícil ter que suportar o atrevimento desses visitantes, que certamente não me deixarão em paz.
Um grande silêncio se abateu sobre todos, ante a desolação estampada na face do Excelso Pai.
Um arcanjo, que era tido como um dos mais sábios, pediu licença, e expôs:
- Os oceanos são ainda grande mistério para os humanos, e o Triângulo das Bermudas apresenta uma fossa muito profunda, inalcançável. Sugiro que ali seja estabelecida a Vossa residência.
Parecia estar resolvida a questão, quando o Supremo Chefe respondeu com tristeza:
- O ser humano é capaz de tudo. Posso prever um futuro não muito distante, no qual, se utilizando de equipamentos sofisticados e valiosos, ele descerá às maiores profundezas oceânicas, e, encontrando-me lá, tentará perturbar-me com a sua petulância e imprudência.
Estava-se num grande impasse, quando um anjo modesto, quase desconsiderado, pediu licença para opinar.
Ele dizia pertencer ao Terceiro Mundo, onde havia muitos pobres, os quais, sempre se ajudavam, procurando diminuir as dificuldades que enfrentavam reciprocamente.
As Entidades mais elevadas, ante o inusitado acontecimento, olharam-no quase com piedade, pensando no que poderia sugerir um modesto anjo encarregado da limpeza do Paraíso!
Mas Deus, por misericórdia, olhou na direção do interlocutor e, com muita ternura, interrogou-lhe:
- Se tens alguma ideia, dize-nos. Em que lugar pensas que me poderei ocultar, a fim de não ser afligido pelos seres humanos?!
Eu sugiro, Senhor - redarguiu o anjo humilde, que vos oculteis no coração da própria criatura humana, porque ali somente chegarão aqueles que muito se esforçarem para alcançar a própria evolução, e esses, quando a conseguirem, respeitar-vos-ão, entoando hinos de louvor à Vossa Majestade.
Houve uma comoção que tomou conta de todos, que passaram a aplaudir o modesto servidor angelical.
E, a partir daquele momento, Deus passou a residir no coração do ser humano, somente sendo encontrado por aqueles que realizam a viagem interior, auto-iluminando-se e amando profundamente ao seu próximo. Até hoje esse é o lugar preferido por Ele...
FRANCO, Divaldo Pereira. A Lenda do Esconderijo Seguro. Pelo Espírito Selma Lagerlöf. LEAL.

* * * Estude Kardec * * *