domingo, 16 de novembro de 2014

Um coração renovado

A noite de 7 de abril de 1955 integrou a semana com que a Cristandade rememorou a flagelação de Jesus.
Em nosso Grupo foi mais Intensa a movimentação socorrista em favor dos sofredores desencarnados, dentre os quais sobressairam diversos irmãos hansenianos que, mesmo além da morte, revelavam dolorosas fixações mentais de revolta e amargura.
Vários dos médiuns presentes foram veículos deles, convocando-nos ao argumento evangélico e à oração para o alívio que reclamavam. Concluindo as nossas tarefas, no horário dedicado aos Instrutores Espirituais, os recursos psicofônicos do médium Xavier foram ocupados pelo poeta Jésus Gonçalves, desencarnado em Pirapitinguí, que também passou pela provação da lepra, cuja palavra nos trouxe amoroso esclarecimento.
“Amigos.
Sou o vosso irmão Jésus Gonçalves, o leproso de Pirapitinguí, a quem o Espiritismo ofereceu nova visão da vida.
Agradeço-vos o concurso fraterno, em socorro dos irmãos hansenianos desencarnados.
Vieram conosco, entre a lamentação e a revolta, perturbados e oprimidos...
No mundo, receberam a chaga física por maldição, quando poderiam utilizá-la como porta salvadora, e, no mundo espiritual, experimentam os efeitos da rebeldia.
Trazem, ainda, na organização perispirítica, os remanescentes da enfermidade que os acabrunhava e, no íntimo, sofrem a indisciplina e a inconformação.
Graças a Jesus, porém, recolheram o benefício da calma, pelas sementes de renovação evangélica espalhadas em vossos estudos de hoje e esperamos possam imprimir, desde agora, novos rumos à própria transformação.
E, agora, peço permissão para orar convosco.
Nesta noite, em que toda a Cristandade se volta, reconhecida, para a memória do Mestre, sentimo-Lo igualmente em seu derradeiro sacrifício e, mentalizando-O no madeiro, de alma genuflexa, trazemos a Ele, nosso Eterno Amigo e Divino Benfeitor, a nossa prece de leproso diante da cruz.”
Em seguida a leve pausa, o Espírito Jésus Gonçalves modificou a inflexão de voz e, erguendo-se para o Alto, orou, em lágrimas, comovedoramente:
“Senhor, eu que vivia em vãos clamores,
Vinha de longe em ânsias aguerridas,
Sob a trama infernal de horrendas lidas,
Entre largos caminhos tentadores.

Tronos, glórias, tiaras, esplendores
E cidades famélicas vencidas...
Tudo isso alcancei, de mãos erguidas
Aos gênios tenebrosos e opressores.

Mas, fatigado, enfim, de ser verdugo,
Roguei, chorando, a graça de teu jugo
E enviaste-me a lepra e a solidão.
E, confinado às dores que me deste,
Abriu-se-me a visão à luz celeste,
E achei-te, excelso, no meu coração.

Hoje, Mestre, ante a cruz em que te apagas,
Na compaixão que ajuda e renuncia,
Não te peço o banquete da alegria,
Embora o doce olhar com que me afagas.

Venho rogar-te a túnica das chagas
Para que eu volte à estrada escura e fria,
Em que os filhos da noite e da agonia
Sofrem ulcerações, bramindo pragas...

Dá-me, de novo, a lepra que redime,
Conservando-me a fé por dom sublime,
Agora que, contente, me prosterno!...
E que eu possa exaltar, por muitas vidas,
Sobre o lenho de angústias e feridas,
O teu reino de amor divino e eterno.”
pelo Espírito Jésus Gonçalves, Do Livro: Instruções Psicofônicas, Médium: Francisco Cândido Xavier.

domingo, 9 de novembro de 2014

Deixe o outro falar

Deixar o outro falar ajuda em situações familiares e profissionais.
Barbara Wilson relacionava-se muito mal com sua filha Laurie. O relacionamento se deteriorava pouco a pouco.
Laurie, que fora uma criança serena e complacente, tornou-se avessa à cooperação, às vezes provocadora.
A Sra. Wilson passava-lhe sermões, ameaçava-a, punia, sem sucesso.
Certo dia, contou a Sra. Wilson, simplesmente desisti.
Laurie tinha me desobedecido e fora para a casa de uma amiga antes de terminar seus afazeres domésticos.
Quando voltou, eu estava prestes a estourar com ela pela milésima vez, mas não tive forças para isso. Limitei-me a fitá-la e a dizer:
"Por quê, Laurie, por quê?"
Laurie percebeu o estado em que eu me encontrava e, com uma voz calma, perguntou:
"Quer mesmo saber?"
Fiz que sim com a cabeça e Laurie contou-me, primeiro hesitando, depois com uma fluência impressionante.
Eu nunca lhe prestara atenção. Nunca a ouvira. Sempre lhe dizia para fazer isso ou aquilo.
Quando sentia necessidade de conversar comigo sobre as coisas dela, sentimentos, ideias, interrompia-a com mais ordens.
Comecei a compreender que ela precisava de mim - não como uma mãe mandona, mas como uma confidente, uma saída para suas confusões de adolescente.
E tudo o que fazia era falar, falar, quando deveria ouvir. Nunca a ouvira.
A partir daquele momento, fui uma perfeita ouvinte. Hoje ela me conta o que lhe passa pela cabeça e nosso relacionamento melhorou de maneira imensurável. Ela se tornou, de novo, uma colaboradora.
* * *
Quantos pais neste mundo têm problemas similares com seus filhos.
Problemas que seriam amenizados se soubéssemos apenas ouvir um pouco mais.
Como pais, como educadores, por vezes temos a falsa impressão de que precisamos falar, ensinar, proferir lições, etc, e eles, os filhos, precisam apenas ouvir.
Quantos pais reclamam que seus filhos não os ouvem e tudo parece que entra por um ouvido e sai pelo outro.
Mas será que esses pais sabem ouvir seus filhos?
Será que esses pais sabem que o aprendizado não se dá apenas por sermões, por conselhos?
O processo de aprendizado, e mais, o processo de construção de uma boa relação familiar, tem que passar pelo diálogo.
E quando estamos no campo do diálogo, precisamos entender que este é uma via de mão dupla. No diálogo fala-se, mas também se ouve, e muito...
Ouvir exige autocontrole, disciplina, respeito ao outro e humildade. Por isso, talvez, ainda seja tão difícil para a Humanidade.
Ouvir nos pede reflexão, paciência e empatia.
Desta forma, procuremos sempre deixar o outro falar. Ouçamos as razões do outro, suas explicações, etc.
Elas podem não justificar certos atos, mas explicam as razões da outra alma e nos fazem compreendê-la melhor.
Pais, deixemos nossos filhos falarem! Filhos, deixemos nossos pais falarem!
O amor e a paz familiar sairão lucrando sempre.
Redação do Momento Espírita com base no cap. 6, pt. III, do livro Como fazer amigos e influenciar pessoas, de Dale Carnegie, ed. Companhia Editora Nacional.
http://www.lulu.com/spotlight/druida18
As verdades diferentes na aparência são como inúmeras folhas que parecem diferentes e estão na mesma árvore.                                                                   Mahatma Gandhi
Quem vier por bem que venha também

Victor Passos

No momento exato


Como é impossível ao corpo manter-se sem o sangue, também a alma não viverá em paz sem o combustível da fé.
A fé constitui o elemento basilar para a sustentação da vida digna e realizadora.
Da mesma forma que o corpo não pode subsistir sem o alimento, o Espírito não consegue manter-se em equilíbrio sem a força da oração.
O alimento é secundário ao organismo, que o prescinde, momentaneamente, a fim de reequilibrar-se e manter a saúde, enquanto que, sem a prece, o ser espiritual se aturde e entorpece.
O homem está predestinado a dominar os instintos, vencendo as paixões que o agrilhoam à infelicidade, colocando-se a serviço do bem que lhe corresponde. Para consegui-lo, faz-se-lhe indispensável a coragem da fé, porquanto a covardia que o impede de tomar as decisões enobrecedoras é mais perigosa e violenta do que outras imperfeições que o assinalam, de certo modo, conseqüências dela.
A oração constitui a força mais eficaz para vencer tal impedimento - o medo - e atirar-se com valor na conquista dos objetivos para os quais se encontra no mundo.
Os grandes homens atingiram as metas a que se propunham, impulsionados pela fé que resultava da sua identificação com o bem. E a comunhão pela prece sempre lhes foi o alimento para sustentá-los nos momentos mais graves e cruciais da existência.
Certamente, outros tantos se arremeteram nas batalhas do crime e da destruição, guindados pelo egoísmo e pelo medo às situações de agressividade e loucura em que se exauriram.
Atormentados, odiaram e foram odiados; perseguiram e terminaram vencidos.
Os homens de fé em Deus sofreram, é certo, porém não impuseram sofrimentos a ninguém; amaram e deixaram rastros luminosos, clareando o roteiro daqueles que também amam e lhes seguem os exemplos e os passos.
*
E inadiável se eleja, entre o bem e o mal, o que é de melhor para a vida: mais profícuo, salutar, aprazível e pacificador.
Através da oração, será fácil discernir, escolher e adotar qual o caminho mais seguro e feliz.
A prece autêntica, aquela que brota do coração buscando Deus, a Ele se entregando, torna-se um escudo de segurança, de defesa, uma proteção contra os elementos perniciosos que vigem interiormente no homem ou que vêm de fora, tentando agredi-lo.
*
Só aparentemente se pode vencer um homem de fé, um homem que ora. Nunca, porém, se conseguirá dominá-lo. Ele é sempre livre e está sempre em paz. Nada o perturba, porque não teme a nada, a nada ambiciona, somente anelando por alcançar a perfeição.
*
A prece é a salvação da vida. Sem ela o homem enlouquece.
*
Quando estejas cercado de dificuldades e agressões, não vendo possibilidade alguma de chegar-te o socorro a tempo, ora, entregando-te a Deus, e a salvação te alcançará de Cima, no momento exato.
FRANCO, Divaldo Pereira. Momentos de Coragem. Pelo Espírito Joanna de Ângelis. LEAL.

* * * Estude Kardec * * *

quarta-feira, 5 de novembro de 2014

"Pecados" o que são e como funcionam

(O mecanismo que cria e expurga as energias “pecaminosas” do perispírito)
“Sob a análise das tabelas específicas da patogenia sideral, os “pecados” são os estados de espíritos que mobilizam fluidos densos e inferiores, muitíssimo ofensivos à delicada contextura do perispírito.
O espírito do homem opera num campo de forças sutilíssimas, ora mobilizando energias mais densas, ora mais sublimes, de acordo com a natureza dos seus pensamentos e ações.
Desse modo, quando, nos estados psíquicos de paixões violentas, ele baixa o seu campo vibratório em direção à matéria, precisa convocar forças ou fluidos inferiores, compactos ou animalizados. Todas as atitudes, emoções e atividades que são mais próprias da vida física ou animal, sustentam-se numa permuta de fluidos também primários, agressivos e até ofensivos à tessitura sensível do perispírito.
OS “PECADOS”, PORTANTO, SÃO ESTADOS DE ESPÍRITO OBSCUROS E DE BAIXA VOLTAGEM, QUE REQUEREM NO SEU CONSUMO FLUIDOS DENSOS E ESPESSOS, convocados de “baixo” para “cima”, ou seja, do mundo animal para o mundo humano.
Tratando-se de fluidos de magnetismo muito denso, depois de usados ou consumidos pelo homem, compõem um RESIDUAL INDESEJÁVEL, tal como a queima do querosene deixa a fuligem, que adere e oprime vigorosamente as fibras delicadas da vestimenta perispiritual.
O COMBUSTÍVEL SECRETO
Em analogia rudimentar, consideremos que os caminhões movidos a óleo cru gastam um combustível que deixa um residual fumarento e gorduroso, após o seu consumo, não só poluindo a atmosfera como aderindo às vestes dos transeuntes. No entanto, os aviões que se utilizam de um combustível ultrarrefinado e límpido, como é a gasolina de altíssima octanagem, expelem um residual constituído de gás carbônico e água, comuns ao próprio ar atmosférico.
O óleo cru lembra algo do combustível fluídico grosseiro e pegajoso de que o espírito do homem se serve para manutenção dos seus “momentos pecaminosos” (energia astral e mental), e depois sofre a presença do indesejável residual aderido ao perispírito. No entanto, tal qual a gasolina azul dos aviões, é o fluído mais sutil usado pelo espírito nas ações e pensamentos virtuosos, que se volatiliza rapidamente, proporcionando mais energia ao perispírito sem deixar qualquer mancha, nódoa ou aderência.
Lembramos ainda que o combustível inferior da lenha sempre deixa o seu residual de cinzas, enquanto o fogão elétrico consome energia livre de qualquer ônus desagradável.
ESSES RESÍDUOS FICAM ADERIDOS PARA SEMPRE AO PERISPÍRITO?
Essa espécie de cinza tóxica fluídica, pegajosa e primária, só pode ser expurgada do perispírito após a desencarnação do homem sob o tratamento dos charcos absorventes astralinos do além-túmulo. Trata-se de uma providência específica, terapêutica e não punitiva. Mas, apesar do processo de cura ou purificação nos charcos astralinos, é muito difícil a absorvência completa da toxicidade do perispírito, porquanto o lodo astralino absorvente apenas soluciona a camada mais periférica do paciente. O saldo deletério das toxinas que ainda resulta da carga fluídica mórbida aderida na vida física então requer a drenagem para a própria terra, ou seja, a fonte original de onde foi mobilizada.
COMO LIMPAR A VESTE PERISPIRITUAL
A fim do espírito drenar a sua carga fluídica nociva de vidas anteriores, ele precisa retomar nova existência física, cujo corpo carnal então passa a funcionar como um “mata-borrão” vivo, capaz de transferir o residual tóxico do perispírito para o solo terreno, depois da morte.
No decorrer de cada encarnação, o organismo carnal do homem absorve as toxinas ainda aderidas ao seu perispírito, as quais se desprendem sob a própria lei de gravidade do magnetismo específico da Terra. As toxinas que se desagregam do perispírito causam então AS ENFERMIDADES do corpo carnal.
TIPOS DE TOXINAS PSÍQUICAS E AS ENFERMIDADES RESULTANTES
A crueldade, por exemplo, produz fluidos tóxicos tão corrosivos, e aderentes à alma perversa, que ao descerem ou drenarem do perispírito para o corpo físico, na próxima existência, perturbam o metabolismo neuropsíquico e causam distúrbios mentais, tais como as paranoias, esquizofrenias, personalidades psicopáticas perversas.
As impotências e esterilidades, mais afins às áreas do sistema endócrino, podem ser efeitos do excesso de luxúria em vidas pregressas; as paixões violentas e destrutivas conduzem futuramente à epilepsia, aos ataques convulsivos.
Toda inteligência aplicada censuravelmente em proveito pessoal político, pecaminoso ou pilhagem alheia, produz futuramente as oligofrenias.
A gula estigmatiza e deforma o sistema digestivo perispiritual, ocasionando futuros distúrbios digestivos.
Os viciados em entorpecentes, no passado, como heroína, morfina, ópio, haxixe ou cocaína, e atualmente em maconha, mescalina, LSD, tanto quanto os que abusam da inteligência em desfavor alheio, sempre retornam à vida humana compondo a fauna triste e infeliz dos retardados mentais.
Finalmente, durante algumas existências acumula-se um fluido pecaminoso gerado sob os estados de maledicência, calúnia, julgamento mau, injusto, pragas, feitiços mental, verbal e através de objetos ou ritos diabólicos. Trata-se de um fluido tão pernicioso e aderente ao perispírito que a entidade necessita de duas, três ou até mais encarnações a fim de drená-lo de modo suportável. Quando esse fluido enfermiço desagrega-se do perispírito então afeta o campo celular do homem, reduz a taxa de prana, diminui a oxigenação e a aumenta o carbono, lesando o núcleo das células. Tratando-se de um procedimento cármico contra o princípio criativo da própria vida, então se produz a conhecida anomalia cancerígena.
“O pecado não é uma ofensa a Deus, mas ao próprio pecador, em face da ação dos resíduos patológicos de natureza psíquica, que depois infelicitam pela sua natureza opressiva”.
RAMATÍS
“O Evangelho à luz do Cosmo”

domingo, 2 de novembro de 2014

O que é Evangelização Espírita?

"Para coisas novas são necessárias palavras novas"
Allan Kardec, LE:I
Allan Kardec no item I da Introdução de O Livro dos Espíritos tem o cuidado de definir o que é Espiritismo. Conforme reproduzimos na epígrafe, o Codificador afirma que para coisas novas são necessárias palavras novas. Guiado por esse pensamento, cria a expressão Doutrina Espírita ou Espiritismo para definir a doutrina que tem por objeto as relações do mundo material com os Espíritos, ou seres mundo invisível, apresentada de forma inaugural nessa obra.
Essa atitude de Kardec é, do ponto de vista pedagógico, extremamente recomendável, pois equivale ao estabelecimento e um marco para que novas bases sejam assentadas. Isto ocorre sempre, nos mais diversos campos do saber. Cada vez que um novo conceito, objeto ou instrumento é criado ou algum novo procedimento é descoberto e/ou inventado trata-se logo de nomeá-lo a fim de distingui-lo dos congêneres e estabelecer os seus limites. Aplicando o pensamento do Codificador à tarefa da qual nos ocupamos, convém, antes de qualquer coisa, defini-la e conceituá-la.
Evangelização é, na verdade, um termo genérico que indica a ação que se faz em torno da difusão do evangelho. É, portanto, uma ação inerente a quem quer que tome os quatro principais livros de o Novo Testamento como preceitos de orientação. Entretanto, o que singulariza essa ação é o corpo doutrinário que a ela subjaz. Assim, evangelizar à luz da Doutrina Espírita significa, no sentido estrito do termo, tomar os ensinos de Jesus, apresentados nesses mesmos livros e interpretá-los segundo a codificação espírita.
Desse modo, a expressão "evangelização espírita" encerra a relação entre a Doutrina Espírita e o Evangelho, já esclarecida pelo Codificador na introdução de O Evangelho Segundo o Espiritismo, conforme se lê a seguir: "O ensino moral do Cristo nos evangelhos é o terreno onde todos os cultos podem reunir-se... Muitos pontos dos Evangelhos, da Bíblia e dos autores sacros em geral são ininteligíveis, parecendo alguns até disparatados, por falta da chave que faculte se lhes apreenda o verdadeiro sentido. Essa chave está completa no Espiritismo, como já puderam reconhecer os que o têm estudado seriamente... O essencial é por o evangelho ao alcance de todos, mediante a explicação das passagens obscuras e o desdobramento de todas as conseqüências, tendo em vista a aplicação em todas as condições de vida."
Como exemplo dessa chave interpretativa, podemos apontar a assertiva de Jesus sobre a necessidade de nascer de novo da água e do espírito (Jo. 3: 1 - 12), cuja coerência só é restabelecida quando lida à luz da idéia reencarnacionista. Outro exemplo, tido como contraditório, é o fato de, em determinada circunstância, Jesus (Mat. 12: 46 - 50) ter sido advertido de que a sua mãe e seus irmãos o aguardavam, ao que o Mestre respondeu que a sua mãe e os seus irmãos eram aqueles que faziam a vontade do Pai. Longe de significar uma negação aos laços de família, constitui-se, à luz da Doutrina, uma ampliação desses laços, a adoção da família universal como referência afetiva. Apenas para finalizar esses exemplos, vale destacar a frase de Jesus (Jo: 10 - 30) na qual se auto define, afirmando: "eu e o pai somos um". Lida por outras doutrinas cristãs, essa passagem dá margem a muitas interpretações dúbias sobre a personalidade e a origem de Jesus. A esse respeito, esclarece-nos o Espiritismo sobre a profunda compreensão que o Mestre tem de Deus, a ponto de identificar-se plenamente com as Suas Leis.
Postos estes exemplos, não significa dizer que a evangelização espírita tem como objeto apenas tópicos sobre a vida de Jesus. Esses são parte do conteúdo. A evangelização trata dos princípios da Doutrina, da conduta espírita, do movimento espírita e também do Cristianismo, mas à luz do paradigma Espírita.
Para que se realize com eficácia, a evangelização se desdobra e toma as feições do grupo a que se destina. Quando voltada para a criança e o jovem, por exemplo, há uma necessária adequação dos meios e da linguagem. É isso o que ocorre no trabalho que hoje se desenvolve em todo o Brasil, com o título de "evangelização infanto-juvenil" - simplesmente conhecido como evangelização. O fio condutor dessa tarefa é a formação do homem de bem, através do conteúdo espírita sobre a imortalidade da alma, das suas relações com o mundo corpóreo, da sua volta à vida na terra, das leis físicas e morais que regulam a sua estada aqui e no mundo espiritual.
Assim, a "evangelização na casa espírita" deve ser um trabalho organizado em aulas sistemáticas, pedagogicamente direcionadas, para que esse público tenha desde cedo contato com os ensinamentos doutrinários, repassados através de recursos compatíveis com o seu desenvolvimento intelectual, estimuladores do seu progresso espiritual e consentâneos com o seu perfil sócio-psicológico.
Como atividade vitalizadora do processo pessoal de melhoramento progressivo, a evangelização se apresenta como excelente recurso à disposição dos pais para lhes auxiliar na tarefa de educar aqueles que, atualmente, estão sob a sua tutela na feição de filhos. Por isso, não suporta a descontinuidade uma vez que passa a não despertar na criança e principalmente no jovem o interesse pela seqüência das aulas.
Daí advém a importância de os pais estimularem os filhos a participarem sempre das aulas, evitando a ausência por motivos, às vezes, absolutamente insignificantes. Nesse mesmo sentido, há que se destacar a importância de os evangelizadores se esforçarem para elaborar aulas cada vez mais motivadoras a fim de prender a atenção dos evangelizandos, despertando-lhes a curiosidade pela seqüência e continuidade do assunto. Assim sendo, o improviso é o recurso do qual não se deve lançar mão.
Quando freqüentada assiduamente, a evangelização demonstra a pujança do ensino moral do Cristo bem como dos ensinamentos espíritas e é, em sentido lato, um curso de Espiritismo. Logo, requer a dedicação dos companheiros que lhe reconhecem a importância - pais e evangelizadores -, que devem tomar para si a mesma fraternal advertência que os Espíritos fizeram a Kardec nos prolegômenos de O Livro os Espíritos:
"Com perseverança é que chegarás a colher os frutos de teus trabalhos.
O prazer que experimentarás, vendo a doutrina propagar-se e
bem compreendida, será uma recompensa, cujo valor integral
conhecerás, talvez mais no futuro do que no presente".

Por tudo isto, a evangelização é tarefa de longo curso que se revela de primordial importância na educação da criança e do jovem, tanto no lar como na casa Espírita.
Denise Lino

Autoridade

 O desejo de ocupar posições de destaque e relevância é bastante comum.
A vida dos poderosos do mundo costuma ser idealizada pelas multidões.
Eles aparecem ricamente trajados, em festas ou em situações de regalo e desfrute.
Quem leva uma vida modesta e obscura, não raro, almeja trocar de lugar com essas importantes figuras.
Muitos se inquietam e desgastam com sonhos de grandeza.
Quando comparam as suas vidas com as de alguns outros, ficam amargurados e tristes.
Chegam a se achar injustiçados pela Divindade, haja vista a escassez de suas posses.
Mas opulência e modicidade de recursos refletem apenas diferentes formas de aprendizado.
A vida modesta tem grande valor, se levada a efeito com dignidade e sem murmurações.
Ela viabiliza a correção de graves vícios espirituais, como vaidade e apego a bens materiais.
Não se trata de fazer apologia da miséria como estado ideal.
A miséria é uma chaga social que deve ser extirpada, mediante educação e oferta de oportunidades aos que a sofrem.
Mas entre a miséria e a opulência há uma miríade de situações intermediárias.
Nem todos podem ser ricos e poderosos ao mesmo tempo.
Por isso, as posições sociais e econômicas se alternam ao longo das encarnações.
Com respeito aos talentos e às inclinações de cada um, todos são chamados a viver as mais variadas situações.
O relevante é ser digno, operoso e solidário, qualquer que seja a própria realidade.
A vida dos poderosos, muitas vezes, nada tem de invejável.
Sob a aparência de brilho e abastança, jazem pesadas responsabilidades.
Elas são tão mais pesadas porque guardam o condão de influenciar a vida de incontáveis pessoas.
O detentor de autoridade, da espécie que seja, sempre terá de dar contas do uso que dela fez.
Ela nunca é conferida por Deus para satisfazer ao fútil prazer de mandar.
Não é direito e nem propriedade, mas uma importante e perigosa missão.
O poderoso tem almas a seu cargo e responderá pela boa ou má diretriz que der aos seus subordinados.
Após o término da tarefa, ele será confrontado com a própria consciência.
Analisará os recursos de que dispunha e o uso que deles fez.
Então, verificará se evitou todos os males que podia.
Pensará se fez todo o bem que lhe era possível.
Vislumbrará o resultado de sua influência junto a inúmeros que dele dependiam ou nele se espelharam.
Bem se vê que a autoridade não deve ser levianamente buscada.
Se a vida o projetou a posições de relevo, seja digno e faça o seu melhor, para não se arrepender amargamente.
Mas se a sua vida é modesta, não se amargure.
Tudo vem a seu tempo e é melhor ser digno no pouco do que indigno e desgraçado no muito.
Pense nisso.
(Redação do Momento Espírita, com base no item 9 do cap. XVII de O Evangelho segundo o Espiritismo, de Allan Kardec, ed. Feb. - www.momento.com.br)
Equipe CVDEE
CVDEE - Centro Virtual de Divulgação e Estudo do Espiritismo

Reflexões conscienciais

(Depoimento de um Espírito Simples e Feliz)
Os meus maiores progressos foram nas pequenas coisas da vida...
Tratando os outros com respeito e simpatia, dei passos de gigante.
Portanto, não é preciso ser santo ou guru para ser feliz.
E também não é preciso muito para ir em frente consciencialmente.
Basta ser gente! E respeitar a liberdade de pensamento alheia.
Não fui gênio nem boçal. Fui eu mesmo, sem máscaras e nem conversa fiada.
E, assim, fiz minha vida e alcancei a alforria de mim mesmo.
Libertei-me da roda reencarnatória não por ser mestre ou ser especial.
Mas porque assumi integralmente o compromisso de ficar bem comigo mesmo.
Para isso, aprendi a respeitar os outros e a ser flexível, sem ser hipócrita.
Parei de julgar a vida alheia e prestei mais atenção em minha própria vida.
Sempre fui firme em minhas opiniões, mas sem ser chato ou ameaçador.
Quando errei, fui bem claro e humilde para mudar e tratei de pedir desculpas.
Nunca tive problemas em dar segundas chances, pois todos erram.
Sempre achei que os meus amigos fiéis eram presentes de Deus.
Eu não sabia nada de coisas espirituais, só fiquei sabendo depois que “subi além...”
Contudo, fui espiritual do meu jeito, com o meu caráter, e não sabia quase nada.
Pois é, caráter não é doutrina ou imposição consciencial, é atitude e equilíbrio.
E já vi muita gente que se achava altamente espiritualizada se estrepar por aqui.
Era gente que se tinha em alta consideração, cheia de salamaleques e vontades.
Mudaram de plano cheios de badulaques e balangandãs e queriam “furar o céu”.
Tomaram um “ferrabrás de primeira” quando saíram do corpo! Se lascaram...
Nada demais, só a queda de suas ilusões. Só a verdade jogando Luz na cara!
Pareciam grandes no mundo, mas, que nada, eram só gente comum e igual a todos.
Porque, quando a máscara de carne cai, só fica o que se é, e a verdade aparece.
Vale mais a pena ser feliz sendo simples, vivendo e deixando viver...
O respeito ao próximo é fundamental! Considerando a todos como iguais na vida.
A arrogância escurece a Luz do espírito e o desvia da senda consciencial real.
Quem se acha muito inteligente, só de pensar isso já mostra sua burrice!
Eu não tenho teorias a passar e nem sei orientar a ninguém, só sei ser eu mesmo.
E isso me bastou para voar livre das peias do corpo e singrar os espaços...
Por isso, insisto em dizer que o mais importante é a integridade de caráter.
Cheguei aqui e fui muito bem recebido por todos, como um igual, como gente.
E nem reclamei porque não tinha banda de anjos me esperando com música chata.
Fui recebido com sorrisos e rapidamente me enturmei. Continuo sendo gente...
Penso e sinto, como antes, e continuo sendo simples e feliz comigo mesmo.
Outro dia alguém me viu, de relance. Provavelmente a pessoa era médium*.
E depois ela disse que tinha visto um Espírito de Luz. Não resisti e comecei a rir.
Sou só gente além da Terra... Eu mesmo, não um fantasma ou bolinha extrafísica.
E sendo simples, irradio algo bom, pois considero a todos como iguais.
Me interessa a gente simples do mundo, e não caras metidos a besta!
Cada um só encontrará no mundo astral aquilo que já tiver dentro de si mesmo.
Ninguém fura o céu! E nem vira um Buda** só porque sai do corpo de vez.
Finalizando essa prosa, de gente para gente, deixo um mantra especial...
É a palavra “Caráter!” – É só praticar, para ser simplesmente feliz.
P.S.:
E agora, cumprida minha tarefa, vou voar por aí...
Emancipado do jugo da carne, adoro singrar as estrelas.
E sempre digo a elas: “sou gente feliz, viu?”
- Anônimo -

- Nota de Wagner Borges: Esse espírito é possuidor de uma poderosa onda mental e nem deu para vê-lo direito. Só percebia a silhueta um homem dentro de um campo luminoso, nada mais. Ele usa uma comunicação com linguagem bem popular, pois essa é a sua área de atuação, mas a sua irradiação energética não deixa dúvidas quanto à sua condição extrafísica elevada. Inclusive, ele não quer nenhuma ostensividade a respeito de sua personalidade. Ou seja, trata-se de uma consciência extrafísica benfeitora, que opera nos bastidores espirituais a favor do Bem de todos.
Agradeço a ele por ter me dado a honra de captar os seus apontamentos e repassá-los de forma aberta, com o objetivo claro de esclarecimento consciencial e reflexão sadia.
Paz e Luz.
- Notas do Texto:
* Médium - do latim, intermediário – é o indivíduo que tem a capacidade supranormal de perceber os seres extrafísicos e de servir de canal interplanos para eles se comunicarem com os níveis mais densos.
** Buda - do sânscrito - O Iluminado; Aquele que despertou! Palavra derivada de “Buddhi”, que significa “Iluminação Pura” ou “Inteligência Pura”. Ou seja, quem alcança o estado de Buddhi, torna-se um Buda, um Ser iluminado e desperto.

sábado, 1 de novembro de 2014

Ilumines o Santuário

"Pois nós somos um santuário do Deus vivo." - Paulo.
(II Coríntios, 6:16.)
O esforço individual estabelece a necessária diferenciação entre as criaturas, mas a distribuição das oportunidades divinas é sempre a mesma para todos.
Indiscriminadamente, todas as pessoas recebem possibilidades idênticas de crescimento mental e elevação ao campo superior da vida.
Todos somos, pois, consoante a sentença de Paulo, santuários do Deus vivo. Apesar disso, inúmeras pessoas se declaram afastadas da luz eterna, deserdadas da fé. Enquanto dispõem da saúde e do tesouro das possibilidades humanas, fazem anedotário leve e irônico. Ao apagar das luzes terrestres, porém, inabilitados à movimentação no campo da fantasia, revoltam-se contra a Divindade e precipitam-se em abismo de desespero. São companheiros invigilantes que ocuparam o santuário do espírito com material inadequado. Absorvidos pelas preocupações imediatistas da esfera inferior, transformaram esperanças em ambições criminosas, expressões de confiança em fanatismo cego, aspirações do Alto em interesses da zona mais baixa.
Debalde se faz ouvir a palavra delicada e pura do Senhor, no santuário interno, quando a criatura, obcecada pelas ilusões do plano físico, perde a faculdade de escutar. Entre os seus ouvidos e a sublime advertência, erguem-se fronteiras espessas de egoísmo cristalizado e de viciosa aflição. E, pouco a pouco, o filho de Deus encarnado na Terra, de rico de ideais humanos e realizações transitórias, passa à condição de mendigo de luz e paz, na velhice e na morte...
O Senhor continua ensinando e amando, orientando e dirigindo, mas, porque a surdez prossegue sempre, chegam a seu tempo as bombas renovadoras do sofrimento, convidando a mente desviada e obscura à descoberta dos valores que lhe são próprios, reintegrando-a no santuário de si mesma para o reencontro sublime com a Divindade.
pelo Espírito Emmanuel & Chico Xavier
livro: Vinha de Luz

Algumas definições

Benfeitor - é o que ajuda e passa.
Amigo - é o que ampara em silêncio.
Companheiro - é o que colabora sem constranger.
Renovador - é o que se renova para o bem.
Forte - é o que sabe esperar no trabalho pacífico.
Esclarecido - é o que se conhece.
Corajoso - é o que nada teme de si mesmo.
Defensor - é o que coopera sem perturbar.
Eficiente - é o que age em benefício de todos.
Vencedor - é o que vence a si mesmo.
* * *
Xavier, Francisco Cândido. Da obra: Agenda Cristã.
Ditado pelo Espírito André Luiz.
Edição de Bolso. Rio de Janeiro, RJ: FEB, 1999.
Autor: Francisco Cândido Xavier

A Alma também

Casas de saúde espalham-se em todas as direções com o objetivo de sanar as moléstias do corpo e não faltam enfermos que lhes ocupem as dependências.
Entretanto, as doenças da alma, não menos complexas, escapam aos exames habituais de laboratório e, por isso, ficam em nós, requisitando a medicação, aplicável apenas por nós mesmos.
Estimamos a imunização na patologia do corpo.
Será ela menos importante nos achaques do espírito?
Surpreendemos determinada verruga e recorremos, de imediato, à cirurgia plástica, frustrando calamidades orgânicas de extensão imprevisível.
Reconhecendo uma tendência menos feliz em nós próprios é preciso ponderar igualmente que o capricho de hoje não extirpado será hábito vicioso amanhã e talvez criminalidade em futuro breve.
Esmeramo-nos por livrar-nos da neurastenia capaz de esgotar-nos as forças.
Tratemos também de nossa afeição temperamental para que a impulsividade não nos induza à ira fulminatória.
Tonificamos o coração, corrigindo a pressão arterial ou ampliando os recursos das coronárias a fim de melhorar o padrão de longevidade. Apuremos, de igual modo, o sentimento para que emoções desregradas não nos precipitem nos desvãos passionais em que se aniquilam tantas vidas preciosas.
Requintamo-nos, como é justo, em assistência dentária na proteção indispensável.
Empenhemo-nos de semelhante maneira, na triagem do verbo para que a nossa palavra não se faça azorrague de sombra.
Defendemos o aparelho ocular contra a catarata e o glaucoma. Purifiquemos igualmente o modo de ver. Preservamos o engenho auditivo contra a surdez.
No mesmo passo, eduquemos o ouvido para que aprendamos a escutar ajudando.
A Doutrina Espírita é instituto de redenção do ser para a vida triunfante. A morte não existe.
Somos criaturas eternas. Se o corpo, em verdade, não prescinde de remédio, a alma também.
* * *
André Luiz