segunda-feira, 12 de outubro de 2015

Perturbações

PERTURBAÇÕES
Apesar de tuas boas disposições, surgem momentos em que estranhos estados d'alma assomam, perturbando-te a lucidez e o entusiasmo.
Esses constituem desafios graves, que podem levar a imprevisíveis resultados negativos.
Surgem como depressão ou desinteresse, que deflui de uma observação infeliz, ou de uma palavra azeda, ou de uma discussão desgastante...
Há ocasiões em que se manifestam como nuvem obnubiladora do discernimento, insistente, que termina por gerar indisposição íntima, quando não leva a distonias e agressividade mais contundente.
Além dos fatores normais sociopsicológicos do relacionamento ou da emoção, originam-se na interferência psíquica de desencarnados que se comprazem em inquietar, inspirando desespero e conduzindo a estados afligentes...
Vivemos em quase permanente intercâmbio psíquico uns com os outros, no corpo físico e fora dele.
Mentes disparam dardos contra outras, atingindo o alvo com pontaria segura e estabelecendo telefonia de comunicação perturbadora.
*
Interrompe as telepatias deprimentes, sobrepondo a tua vontade e corrigindo a sintonia psíquica.
Sai um pouco e respira ar puro.
Recorda os planos ideais que acalentas.
Dialoga um pouco com alguém que te inspira simpatia.
Ora, por alguns instantes.
Estes expedientes expulsarão a onda de perturbação que te envolve, e tornarás ao estado de tranquilidade.
Divaldo P. Franco. Da obra: Episódios Diários. Ditado pelo Espírito Joanna de Ângelis. Capítulo 19. LEAL.

* * * Estude Kardec * * *

Na Barca do Coração

NA BARCA DO CORAÇÃO
Quando as nuvens negras dos pensamentos tormentosos cobrirem com escuro véu o horizonte de tuas esperanças e a barca de teu coração agitar-se, desgovernada, sobre as ondas...
Quando as obrigações diárias, as dificuldades e os problemas, as surpresas - nem sempre agradáveis -, levarem-te a dizer: - Que dia!
Lembra-te...
Caía a tarde e a multidão ainda estava reunida na praia.
Desde que o sol surgira, Jesus atendera as incontáveis súplicas daqueles que O buscavam. Mãos e lágrimas roçavam-Lhe o rosto e a túnica - antes tão limpa e alva - e agora, toda manchada de lamentos.
Finalmente, chegara às margens do lago, vencendo a dor e as tristezas dos sofredores. Aqueles que O viram deixando atrás de Si um rastro confortador de estrelas, perguntavam-se: - Quem será este Homem, a Quem as dores obedecem?
O céu acendia as cores da noite quando a barca de Pedro recolheu a preciosa carga.
Jamais Jesus mostrara na face sinais tão evidentes de cansaço.
Acomodado sobre uma almofada de couro, Sua majestosa cabeça pendeu sobre o peito, como um girassol real despedindo-se ao poente.
Seus lábios deixaram escapar um longo suspiro antes de adormecer.
Seus amigos pescadores não ousaram perturbar-Lhe o merecido sono, manejando remos com cuidado, auxiliados pelos sussurros de doce brisa.
O lago de Genesaré assemelhava-se a gigantesco espelho de prata ao luar, tranquilo e sereno como o Mestre adormecido.
Faltava pouco para completar a travessia, quando tudo transformou-se.
O tempo irou-se, sem aviso. Adensadas, as nuvens de gaze leve tornaram-se tenebrosa tempestade, e o lago esqueceu a calmaria, encrespando-se, açoitado pelo vento.
Para a barca, vencer a tormenta era como lutar contra vigoroso e invencível Titã. Pedro usou toda a sua força e sabedoria nos remos, gritando ordens que se perdiam entre as gargalhadas dos trovões e dos relâmpagos.
Os discípulos assustados correram a acordar Jesus que ainda dormia.
Mestre! - Exclamaram em coro desesperado. - Perecemos! Jesus, assim desperto, levantou-Se prontamente, equilibrando o corpo cansado muito ereto, apesar da barca que por pouco não naufragava.
Sua majestosa silhueta parecia estar envolta em misteriosa luz, quando ergueu os braços, ordenando à tempestade:
Calai-vos! E voltando-se para os amigos: - Acalmai-vos! Homens, onde está a vossa fé?
Os ventos emudeceram e o lago baixou suas ondas, aplacado por misterioso imperativo.
Os discípulos olhavam-se, num misto de surpresa e alívio.
Envergonhados, voltaram-se para os remos. No compasso ritmado avançava a barca, ao compasso do coração daqueles homens que se perguntavam: Quem será este Homem a Quem os ventos obedecem?
*   *   *
Quando as nuvens negras dos pensamentos tormentosos cobrirem com escuro véu o horizonte de tuas esperanças, e a barca de teu coração agitar-se, desgovernada, sobre as ondas...
Quando as obrigações diárias, as dificuldades e os problemas, as surpresas - nem sempre agradáveis - levarem-te a dizer: - Que dia!
Lembra-te... Acorda a mensagem do Cristo adormecida em ti e... Acalma-te!
Redação do Momento Espírita.
Disponível no CD Momento Espírita, v. 3, ed. Fep.

Em 13.07.2011

domingo, 11 de outubro de 2015

Você é:


Um Homem chamado Jesus

UM HOMEM CHAMADO JESUS
Certa vez, um Espírito Sublime deixou as estrelas, revestiu-Se de um corpo humano e veio habitar entre os homens.
Porque fosse um exímio artista plástico, habituado a modelar as formas celestes, compondo astros e globos planetários, tomou da madeira bruta e deu-lhe formas úteis.
Durante anos, de Suas mãos brotaram mesas e bancos, onde amigos e irmãos se assentavam para repartir o pão.
Para receber os seus corpos cansados, ao final do dia, Ele preparou camas confortáveis e, porque amasse a todos os seres viventes, não esqueceu de providenciar cochos e manjedouras onde os animais pudessem vencer a fome.
Porque fosse artista de outras artes, certo dia deixou as ferramentas com que moldava a madeira e partiu pelas estradas poeirentas.
Tomou do alaúde natural de um lago, em Genesaré, e ali teceu as mais belas canções.
Seu canto atraía crianças, velhos e moços. Vinham de todas as bandas.
A entonação de Sua voz calava o choro dos bebês e as dores arrefeciam nos corações das viúvas e dos desamparados.
As harmonias que compunha tinham o condão de secar lágrimas e sensibilizar corações endurecidos.
Como soubesse compor poemas de rara beleza, subiu a um monte e derramou versos de bem-aventuranças, que enalteciam a misericórdia, a justiça e o perdão.
Porque Sua sensibilidade Se compadecia das dores da multidão, multiplicou pães e peixes, saciando-lhe a fome física.
Delicado na postura, gentil no falar, por onde passava deixava impregnado o perfume de Sua presença.
Possuía tanto amor que o exalava de Si aos que O rodeassem. Uma pobre mulher enferma tocou-Lhe a barra do manto e recebeu os fluidos curadores que lhe restituíram a saúde.
Dócil como um cordeiro, abraçou crianças, colocou-as em Seus joelhos e lhes falou do Pai que está nos céus, que veste a erva do campo e providencia alimento às aves cantantes.
Enérgico nos posicionamentos morais, usou da Sua voz para o discurso da honra, defendendo o templo, a casa do Pai, dos que desejavam lesar o povo já por si sofrido e humilhado.
Enalteceu os pequenos e na Sua grandeza, atentava para detalhes mínimos.
Olhou para a figueira e convidou um cobrador de impostos a descer a fim de estar com Ele mais estreitamente.
Acreditavam que Ele tomaria um trono terrestre e governaria por anos, com justiça.
Ele preferiu penetrar os corações dos homens e viver na sua intimidade, para que eles usufruíssem de paz e a tivessem em abundância.
Seu nome é Jesus, o Amigo Divino que permanece de braços abertos, declamando os versos do Seu poema de amor: Vinde a mim, vós todos que estais aflitos e sobrecarregados e eu vos aliviarei...
Redação do Momento Espírita, com pensamentos finais do cap. 3 do livro Quem é o Cristo?, pelo Espírito Francisco de Paula Vítor, psicografia de Raul Teixeira, ed. Fráter.

Disponível no CD Momento Espírita Especial de Natal, v. 15, ed. Fep.

A Justiça e os dramas Humanos

A JUSTIÇA E OS DRAMAS HUMANOS
O artigo de um juiz, publicado em jornal de grande circulação, é de causar emoção nas almas mais insensíveis.
Seu artigo diz o seguinte:
"Indaga-me jovem amigo se as sentenças podem ter alma e paixão.
O esquema legal da sentença não proíbe que tenha alma, que nela pulsem vida e emoção, conforme o caso.
Na minha própria vida de juiz senti muitas vezes que era preciso dar sangue e alma às sentenças.
Como devolver, por exemplo, a liberdade a uma mulher grávida, presa porque trazia consigo algumas gramas de maconha, sem penetrar na sua sensibilidade, na sua condição de pessoa humana?
Foi o que tentei fazer ao libertar Edna, uma pobre mulher que estava presa há 8 meses, prestes a dar à luz, com o despacho que a seguir transcrevo:
A acusada é multiplicadamente marginalizada:
Por ser mulher, numa sociedade machista...
Por ser pobre, cujo latifúndio são os sete palmos de terra dos versos imortais do poeta.
Por ser prostituta, desconsiderada pelos homens, mas amada por um Nazareno que certa vez passou por este Mundo.
Por não ter saúde. Por estar grávida, santificada pelo feto que tem dentro de si.
Mulher diante da qual este juiz deveria se ajoelhar numa homenagem à maternidade, porém que, na nossa estrutura social, em vez de estar recebendo cuidados pré-natais, espera pelo filho na cadeia.
É uma dupla liberdade a que concedo neste despacho: liberdade para Edna e liberdade para o filho de Edna que, se do ventre da mãe puder ouvir o som da palavra humana, sinta o calor e o amor da palavra que lhe dirijo, para que venha a este Mundo, com forças para lutar, sofrer e sobreviver.
Quando tanta gente foge da maternidade...
Quando pílulas anticoncepcionais, pagas por instituições estrangeiras, são distribuídas de graça e sem qualquer critério ao povo brasileiro...
Quando milhares de brasileiras, mesmo jovens e sem discernimento, são esterilizadas...
Quando se deve afirmar ao Mundo que os seres têm direito à vida, que é preciso distribuir melhor os bens da Terra e não reduzir os comensais...
Quando, por motivo de conforto ou até mesmo por motivos fúteis, mulheres se privam de gerar, Edna engrandece hoje este Fórum, com o feto que traz dentro de si.
Este juiz renegaria todo o seu credo, rasgaria todos os seus princípios, trairia a memória de sua mãe, se permitisse sair Edna deste Fórum sob prisão.
Saia livre, saia abençoada por Deus...
Saia com seu filho, traga seu filho à luz...
Porque cada choro de uma criança que nasce é a esperança de um Mundo novo, mais fraterno, mais puro, e algum dia cristão...
Expeça-se incontinenti o alvará de soltura."
O artigo vem assinado pelo Meritíssimo Juiz João Batista Herkenhoff, Livre-docente da Universidade Federal do Espírito Santo.
* * *
Ao ler o despacho desse magistrado, a esperança de um Mundo novo e justo se desdobra à nossa frente.
Esperança de um dia as leis humanas se tornarem educativas e não punitivas.
Esperança de ver as sanções proporcionais às faltas cometidas.
Esperança de, num julgamento, ser levado em conta o passado de cada ser, sua infância, as possibilidades que teve de educação, de saúde, de carinho, de afeto.
Enfim, esperança de que a Humanidade atente para as Leis de Deus e nelas baseiem as suas.

Redação do Momento Espírita com base em artigo publicado no Jornal Gazeta do Povo (Curitiba), em 23.01.1998. Em 08.01.2008 

sábado, 10 de outubro de 2015

Nosso Irmão

NOSSO IRMÃO
Se alguém te fala na rua,
Deitando lamentação,
Não passes despercebido,
Escuta, que é nosso irmão.
Ouviste o parente em casa,
Gritando em voz de trovão,
Não te aborreças por isso,
Tolera, que é nosso irmão.
Transformou-se o companheiro...
Agora, rixa, brigão.
Não te afastes, nem censures,
Suporta, que é nosso irmão.
O amigo a quem mais estimas
Ofendeu-te sem razão...
Não te dês ao derrotismo:
Perdoa, que é nosso irmão.
Padece e chora o vizinho
Problemas em profusão,
Não te demores no auxilio;
Coopera, que é nosso irmão.
Enxergaste o pequenino,
Sem roupa, sem lar, sem pão.
Não permaneças de longe,
Acolhe, que é nosso irmão.
Viste o doente sozinho
No braseiro da aflição;
Não percas tempo em conversa,
Socorre, que é nosso irmão.
Tiveste do adversário
Pedradas de ingratidão...
Calando, segue servindo;
Desculpa, que é nosso irmão.
A quem te peça um favor,
Embora dizendo "não",
Sem grita e sem aspereza,
Atende, que é nosso irmão.
Diante de todo aquele
Que sofre na provação,
O Cristo pede em silêncio:
- "Ampara, que é nosso irmão".
Pelo Espírito Casimiro Cunha
XAVIER, Francisco Cândido. Caridade. Espíritos Diversos. IDE. Capítulo 7.

* * * Estude Kardec * * *

Encontro para sempre

ENCONTRO PARA SEMPRE
Chegaste, por fim, amor desejado e santificador!
Agora, quando o Teu riso vibrante ilumina a minha choupana triste e invade as regiões silenciosas do meu coração solitário, tomado de espanto, eu me interrogo, emocionado: Como me foi possível viver sem Ti, por tantos incontáveis dias?
Via-os passar, lentos e modorrentos, sem qualquer motivação para prosseguir vivendo, e não sei como pude respirar sem o Teu oxigênio, sem o som das Tuas palavras no ouvido dos meus sentimentos.
Aqueles que me conheciam, invejavam-me a felicidade, as alegrias que lhes apresentava, sem que se dessem conta de que a música saída dos meus lábios possuía acordes de saudade e de tristeza ignota. Eles tanto desejavam alguém que lhes lenisse as dores, que nunca se preocuparam com as minhas aflições. Estavam cheios de si e vazios de solidariedade. Por isso, nunca notaram que, também eu, era caminhante sem destino...
As minhas noites de expectativa faziam-se então infinitas, e os meus dias de silêncio prolongavam-se além das horas habituais. Eu vivia, mas não sabia o que era a vida. Eu amava, porém, não bebia o licor capitoso do prazer. Eu sonhava, e era apenas Tu a quem eu buscava.
Como foi possível esperar-Te tanto, amor fagueiro, sem haver enlouquecido de dor?
Se eu não Te houvesse conhecido antes, certamente não experimentaria a Tua falta. Mas como sorvi na Tua taça o vinho da eterna juventude, essa Tua ausência era-me tormentosa e sem fim.
Agora, quando desceste do Teu carro de luz e me chamaste pelo nome com essa Tua voz enternecedora, que me penetra as regiões desconhecidas da emoção, convidando-me a seguir Contigo, eu exulto e choro, e canto, e me ilumino, amor incomparável, perguntando-me se não estarei delirando, tal a sede que tenho de Ti e tal a fome que me devora pela falta do Teu aconchego.
Não me deixes despertar deste sonho, acalentado por tantos anos e por tantas vidas, segurando-me a mão, a fim de que o calor do Teu afeto dilua o frio do meu prolongado abandono!
Receio dormir, e, desse modo, prolongo estes momentos, em face da angústia que tenho de, ao despertar, já não Te encontrar próximo de mim.
Eu sabia que o Teu sorriso de pérolas irradiava luz, que o Teu hálito perfumado inebriava, que o Teu calor fazia arder, que a Tua voz cantava mantras divinos e que o Teu toque conduzia ao paraíso, mas tudo era menos do que a realidade...
Agora, quanto Te sinto, navego nos rios invisíveis da felicidade e fico impregnado da Tua energia que me vitaliza, tão fraco me encontro.
Dou-me conta do quanto eu era frágil e conseguia disfarçar-me na couraça da força; do quanto eu era carente e ocultava-me na fartura aparente; do quanto era dócil e escondia-me nas roupas da aspereza, do quanto sofria, mascarando-me com sorrisos...
Ninguém me conhecia, e, por essa razão, nunca alguém se atreveu a penetrar no país desconhecido do meu ser, procurando entender-me.
Mas Tu, desde que me viste, desnudaste-me, reconheceste-me, anelas-te por Ter-me, sem que percebesses que eu vivia somente aguardando pela Tua chegada.
Suplico-Te, amor incomparável: Não me abandones mais, pelo menos por enquanto, deixando-me à porta da minha cabana vazia com o coração cheio de anseios, oferecendo-me algumas migalhas da fortuna que possuis em ternura e em carinho...
Mas, se puderes e não Te constituir desagrado, leva-me ao Teu carro de ventura a passear Contigo pelo país de estrelas e de inesgotável luz onde vives!
Jamais Te arrependerás por amar-me. Eu sei silenciar, e saberei viajar de retorno ao lugar em que estou, bastando, apenas, perceber que estás triste, porque estou Contigo.


Pelo Espírito Rabindranath Tagore - Psicografia de Divaldo Pereira Franco, no dia 25.7.1997, em Paramirim, Bahia. Do site:
http://www.divaldofranco.com.br/mensagens.php?not=318

terça-feira, 6 de outubro de 2015

O Lema da Vida

O LEMA DA VIDA

Um dia, perguntei ao Sol: que fazes
Para fulgir no eterno alvorecer?
O astro divino respondeu, brilhando:
– Ajudar e esquecer!

Interroguei à árvore: que fazes
Para florir, amar e frutescer?
Ela, embora ferida, falou calma:
– Ajudar e esquecer!

Interpelei, depois, o pão: que fazes
Para ser vida e bênção no dever?
O pão amigo acrescentou, sereno:
– Ajudar e esquecer!

E disse à fonte límpida: que fazes
Para dar-te à renúncia por prazer?
Atada ao solo, resumiu cantando:
– Ajudar e esquecer!

A própria terra consultei : que fazes
Para tudo alentar e refazer?
Maternalmente, replicou, bondosa:
– Ajudar e esquecer!

Alma, se aspiras à ascensão sublime
Na luz do amor, sem nunca esmorecer,
Guarda o lema da vida em toda parte:
– Ajudar e esquecer!


pelo Espírito Osório Pais - Do livro: Antologia dos Imortais, Médium: Francisco Cândido Xavier - Espíritos Diversos.

Reforma de Metade

REFORMA DE METADE
Desde a primeira hora da Doutrina Espírita recomendam os emissários da Esfera Superior uma reforma urgente, inadiável, intransferível: a reforma de cada um de nós, nas bases traçadas pelo Evangelho de Jesus.
Isso porque toda reforma nas linhas da boa intenção será respeitável, mas somente a renovação interior é fundamental.
Tudo o que vise melhorar a vida deve ser feito, no entanto, se não nos melhoramos, todas as aquisições efetuadas são vantagens superficiais.
Qualquer benefício externo para ser benefício externo para ser benefício real depende de nós.
A luz que nos auxilia a escrever uma página de fraternidade pode ser aproveitada pelo companheiro menos feliz para traçar uma carta que favorece o crime.
O dinheiro que nos custeou a movimentação para o estudo das leis morais que nos governam o destino é o mesmo que está sendo despendido pelos que compram a decadência do corpo e da alma nos redutos do álcool.
O automóvel que nos conduz ao cenáculo de oração onde louvamos a Bondade Divina, transporta de igual modo a locais determinados os que se reúnem para a negação da fé.
A morfina que alivia o sofrimento na dose adequada não é diversa da que garante os abusos do entorpecente.
Justo que não se impeça a formação de medidas destinadas ao bem comum.
A higiene é um atestado eloqüente de que ninguém deve e nem pode viver sem a Constante renovação exterior.
O Espiritismo, porém, nos adverte de que todas as modificações por fora, ainda as mais dignas, são reformas de metade, que permanecerão incompletas sem as reformas do homem que lhes manejará os valores.
Reflitamos nisso, observando o caminho e a meta. Sem estrada não alcançarmos o alvo, entretanto, a estrada é o meio e o alvo é o fim.
Para sermos mais precisos, resumamos o assunto com a lógica espírita, num raciocínio ligeiro e claro: todos nós, os ignorante e os sábios, os justos e os injustos, podemos fazer o bem e devemos fazer o bem, acima de tudo, é preciso ser bom...
Pelo Espírito André Luiz - Do livro: Opinião Espírita, Médiuns: Francisco Cândido Xavier e Waldo Vieira.

Anseio de Amor

ANSEIO DE AMOR
Quando me vi, depois da morte,
Em, sublime transporte,
E reclamei contra a fogueira
Que me havia calcinado a vida inteira
Pela sede de amor ...

Quando aleguei que fora, em toda estrada,
Folha ao vento,
Andorinha esmagada
Sob o trator ao sofrimento....
Quando exaltei a minha dor,
Mágoa de quem amara sempre em vão,
Farta de incompreensão....

Alguém chegou, junto de mim,
E disse assim:
— Maria Dolores,
Você que vem do mundo,
E se diz
Tão cansada e infeliz,
Que notícias me dá do vale fundo
De provação,
Onde a criatura de tanto padecer
Não consegue saber
Se sofre ou não?

Você que diz trazer o seio morto,
Que me pode falar
Dos meninos sem pão e sem conforto,
Das mulheres sem lar,
Dos enfermos sozinhos,
Que a febre e a fome esmagam nos caminhos,
Sem sequer um lençol ou a bênção de uma prece,
Dando graças a Deus, quando a morte aparece?!...

Você, Maria Dolores,
Que afirma haver amado tanto
E que deve ter visto
O sacrifício e o pranto
De quem clama por Cristo,
Suplicando o carinho que não tem,
Que me pode contar daquelas outras dores,

Daquelas outras aflições
Dos que choram trancados em manicômios e prisões,
Buscando amor, pedindo amor,
Exaustos de tristeza e de amargura,
Como feras na grade,
Morrendo de secura,
De solidão, de angústia e de saudade?!...

Bem-querer!... Bem-querer!...
Ai de mim, que nada pude responder!
Que tortura, meu Deus, a verdade, no Além!...
Calei-me, envergonhada...
Eu que apenas quisera ser amada,
Não amara a ninguém...
pelo Espírito Maria Dolores - Do livro: Antologia de Espiritualidade, Médium: Francisco Cândido Xavier.