terça-feira, 26 de janeiro de 2016

O primeiro desafio

O PRIMEIRO DESAFIO
Disposto a esquecer o mal, dedicando-te ao bem, enfrentas o primeiro desafio.
Incidente doméstico ocorre envolvendo-te emocionalmente.
Tens a impressão que todo o planejamento para o dia se desfaz.
Sentes os nervos abalados e estás a ponto de aceitar a pugna.
Silencia, porém, e age.
O hábito da discussão perniciosa se te instalou no comportamento, e crês que não possuis forças para superar o acontecimento danoso.
*
Recorda que estás num clima de efeitos que vêm dos dias anteriores, quando te engajavas nas provocações, reagindo no mesmo tom.
Os familiares não sabem das tuas disposições novas e, porque estão acostumados às querelas e agressões, preservam o ambiente prejudicial.
*
Em teu procedimento de homem novo necessitas do autocontrole, reconquistando os familiares, que se surpreenderão com a tua nova filosofia de vida.
Contorna o primeiro desafio, dilui por antecipação e com sabedoria o mal-estar que ele podia gerar.
Este é o passo inicial para o teu dia feliz.

Divaldo P. Franco. Da obra: Episódios Diários. Ditado pelo Espírito Joanna de Ângelis. Capítulo 3. LEAL.

domingo, 24 de janeiro de 2016

Fidelidade a Jesus

FIDELIDADE A JESUS
 Houve, em tempos passados, uma localidade denominada Sebastes.
 Situava-se entre a Judeia e a Síria. Foi ali que quarenta legionários da Décima Segunda legião romana deram sua vida por amor à verdade.
 Presos por professarem o Cristianismo, os quarenta jovens marcharam saindo da cidade, escoltados por outros tantos soldados.
 À frente se desenhava o lago de águas tristes e frias. O sol se afundava na direção do poente e o vento soprava gelado.
 Os tambores soavam, ditando o ritmo da marcha. E os prisioneiros foram entrando no lago. Um passo, dois, três, dez, vinte. Os pés foram agitando a água e eles entrando mais e mais. Só ficaram as cabeças descobertas fora d’água.
 Os superiores haviam lhes decretado uma terrível forma de morrer.
 Ali parados, impassíveis e silenciosos, iriam morrer enregelados.
As luzes do crepúsculo se envolveram num manto dourado e se retiraram, deixando que a noite se apresentasse com seu cortejo de estrelas.
 Ao redor do lago, nas margens, familiares e amigos oravam silenciosos. E silenciosos permaneciam os jovens dentro d’água.
 Então, em nome de César, falou um oficial. Eles eram jovens e, levando em conta a sua inexperiência, seriam perdoados se jurassem fidelidade aos deuses protetores do Império.
 Era tudo muito simples. Bastaria queimar algumas ervas, perante o improvisado altar a Júpiter Olímpico, na outra margem.
 Dentro do lago, nem um mínimo movimento. O ar foi se fazendo mais frio e uma névoa começou a se erguer das águas.
 Os guardas acendiam fogueiras nas margens, batiam as mãos, andavam para se aquecer. Mas os quarenta legionários permaneciam imóveis.
 Então, eles começaram a cantar e mais forte do que o vento, o hino se ergueu como um grito vitorioso.
 Era como uma cascata de esperanças feita de fé, ternura e renúncia.
 Um a um, no transcorrer das horas, aquelas chamas foram se apagando na Terra, para tremeluzirem na Espiritualidade.
 Quando nasceu o dia, somente um vivia. Um guarda se aproximou de uma mulher e lhe disse que seu filho vivia. Como ele vivera até então, teria sua vida poupada. Que ela o retirasse das águas e, em nome dele, oferecesse sacrifício aos deuses romanos.
 Nunca. Foi a resposta dela. Se ele consciente não o fez, como poderia me aproveitar da sua agonia para traí-lo?
 Firmemente, avançou para as águas e ali esteve com o filho até que o coração dele parasse de bater. Depois, apertando-o firmemente nos braços, tomou o seu corpo e o veio depositar aos pés do oficial da guarda.
*   *   *
 Há mais de dois mil anos, na Judeia, um homem amou e morreu por muito amar. A maravilhosa fé que soube despertar teve o poder de modificar vidas.
 A Sua voz convidava para viver a verdadeira vida, a vida que se desdobra para além da morte.
 Dentre os Seus ensinos, lembramos: Quem perseverar até o fim, este será salvo.
 Quem crer em mim, mesmo morto viverá.
 A Sua mensagem atravessou os séculos e permanece viva até hoje, estabelecendo diretrizes seguras aos Seus seguidores.
 A Sua é a mensagem do amor, da fé, da fidelidade até o fim.

Redação do Momento Espírita, com base no cap. XXVIII, do livro A esquina de pedra, de Wallace Leal Rodrigues, ed. O clarim.

Medicamento eficaz

MEDICAMENTO EFICAZ
 Quem visse aquele homem adquirindo tantos brinquedos, logo pensaria: Nossa! Ele deve ter muitos filhos e sobrinhos.
 Contudo, o cardiologista do Hospital Municipal Souza Aguiar, no centro do Rio de Janeiro, não tem filhos.
 Há mais de uma década, ele repete o mesmo ritual. Ao longo do ano, vai comprando centenas de brinquedos e os estoca num dos quartos do seu apartamento, em Copacabana. São bolas, petecas, carrinhos e bonecas.
 Na semana que antecede o Natal, ele retira todos os brinquedos do quarto, separa-os por sexo e faixa etária e os coloca em grandes sacos vermelhos.
 Então, com a ajuda de enfermeiras e residentes do hospital, ele distribui os presentes entre as crianças internadas.
 Não custa nada você tirar alguns dias do ano para distribuir alegria e calor humano entre os pacientes de um hospital, comenta ele.
 Naturalmente, dedicando-se a promover essas alegrias, há treze anos, ele tem histórias muito interessantes para contar.
 Histórias de vidas enriquecidas por seus gestos de desprendimento e dedicação, além do dever.
 Em uma de suas entregas, por exemplo, um menino, vítima de atropelamento, ao receber a visita do médico, muito bem disfarçado, disse que tinha um sonho.
 Desejava ganhar um carrinho de controle remoto. Por uma dessas coincidências que só Deus sabe e que nós costumamos dizer que sempre acontece em filmes natalinos, doutor Edy lembrou que tinha, entre tantos presentes, um carrinho de controle remoto.
 A alegria da criança foi tamanha que, conta o cardiologista, se ele não estivesse engessado, teria saído pulando pela enfermaria.
 Depois de tantos anos dedicados à medicina, doutor Edy se atreve a afirmar que os medicamentos respondem somente por vinte por cento do tratamento.
 Os outros oitenta por cento dependem do atendimento caloroso e humanizado que os médicos oferecem ao paciente.
*   *   *
 Um certo médico extraordinário, que andou pela Terra, há mais de dois mil anos, já recomendara o amor e a alegria como terapia de excelência para todos os seres humanos.
 Alegrai-vos, recomendava. Amai-vos, como Eu vos amei.
 Esse médico galileu, formado na universidade do amor, sabia que o ser humano necessita de amor e alegria.
 O amor lhe sustenta a vida e não há quem dele possa prescindir.
A alegria é nota harmônica, igualmente imprescindível para a sinfonia da vida.
 Por isso, espalhemos amor onde nos encontremos, sorrindo, abraçando, acolhendo os nossos amados, enquanto aprendemos a amar aos que nos cruzem o caminho.
 Também sejamos portadores de alegrias a quem lida com a tragédia e a dor, todos os dias: bombeiros, policiais, médicos, enfermeiros, atendentes.
 E, neste Natal, em nome de um Celeste Menino, espalhemos a alegria da nossa gratidão em suas vidas, em gratidão por nossas próprias vidas.

Redação do Momento Espírita, com base no artigo Espírito de caridade - médico das crianças, de Gary Sledge, de Seleções Reader’s Digest, de dezembro de 2010.

A Luz da Paz

A LUZ DA PAZ
E andei pelo mundo, procurando a luz da paz.
Fui à Grécia, admirando o Partenon e lugares outros em que pontificaram sábios da antiguidade; dirigi-me a Roma, onde me acomodei nas escadas do Coliseu, refletindo nos cristãos perseguidos;
Viajei a Índia, onde partilhei as orações dos crentes que se banhavam nas águas do Ganges, em Benarés;
Segui para o Egito, maravilhando-me à frente das Pirâmides que imortalizam a pompa dos faraós;
Transitei pelas ruas de Meca e orei com os muçulmanos, entre as recordações do iluminado profeta do Islã;
Busquei Paris e conheci a Torre Eiffel, orgulho da França;
Visitei o Palácio de Versalhes, moradia de reis e fidalgos ilustres; encaminhei-me para Londres, encantando-me ali com a severa nobreza do Castelo da Torre;
Na Espanha, conheci o Escurial, nos arredores de Madri, cheguei a Granada e entrei no castelo do rei Broabdil que encerrou, naquele País, o domínio dos Árabes e voltei-me a Barcelona, onde admirei a fortaleza de Monjnich;
Apreciei a riqueza artística dos Jerôninos e usufrui as amenidades de Sintra, em Portugal;
Fui à Nova York onde expressei o meu respeito pela inteligência humana, diante dos arranha-céus que lhe assinalam a grandeza;
Caminhei através de todas as grandes cidades das Três Américas, mas não encontrei a luz da paz.
Saudoso do lar regressei a nossa casa em Vila Nova Conceição, em São Paulo.
Era noite e minha mãe lia o Evangelho. Abracei-a emocionado e li o texto exposto. Era a parábola do Bom Samaritano.
As palavras falavam em letras que me ficaram na memória:
- Então, um doutor da lei, perguntou abeirando-se do Divino Mestre?
- Senhor, que deverei fazer para possuir a vida eterna?
O Cristo sorriu e considerou:
- O que está escrito na Lei, o que lês nela?
O homem acentuou:
- Amarás o Senhor teu Deus, de todo o teu coração, com as tuas forças de espírito e ao teu próximo como a ti mesmo.
Entretanto o Doutor da lei ainda inquiriu pra o tentar:
- Senhor, e quem é o meu próximo?
Jesus, explicou, usando brandura e paciência:
- Um homem que se dirigia de Jerusalém para Jericó saiu em poder dos salteadores que o despojaram, cobriam-no de ferimentos, deixaram-no semimorto.
Um sacerdote, que passou perto da vitima, estugou o passo e seguiu para frente, negando-lhe atenção.
Logo após, um levita passou pelo mesmo lugar, mas não se interessou pelo ferido, seguindo adiante.
Mas um samaritano, que viajava, comoveu-se ao ver o homem caído, desceu do animal e, aproximando-se do desconhecido, dirigiu-lhe palavras de conforto, balsamizou-lhe as feridas e colocando-o sobre o animal, levou-o à hospedaria onde lhe ofereceu abrigo e segurança.
Jesus fez a pequena pausa e interrogou:
- A seu ver, qual dos três era o próximo do infeliz?
O doutor respondeu:
- Aquele que usou de misericórdia para com ele.
Num gesto simples, o Cristo lhe observou:
- Então, vai e faze tu o mesmo.?
Chegados ao término da leitura, um telefone tilintou.
Minha mãe foi atender e compreendi para logo o que se passava.
Uma senhora jazia em estado grave e a amiga que suscitara a chamada pelo fio comunicou que o doente pedia o socorro de uma prece.
Minha mãe não teve duvidas.
Chamando o Papai Raul e dando-lhe ciência do problema, ambos, logo após, tomaram o carro na direção indicada.
Segui junto deles e pude ver a doente que se aproximava da agonia
Minha mãe e outras senhoras pediram a Misericórdia de Deus para a enferma e, embora se afastassem, entendi que o meu dever era permanecer ali na tarefa do auxilio.
Junto de Benfeitores que ali se mantinham, trabalhei todo à noite no aposento simples.
O dia amanheceu com melhoras positivas para a doente e, conquanto me sentisse cansado, reconheci que uma alegria diferente me nascia no coração.
Chorando de felicidade, reconhecia, por fim, que eu, que me decidira a transitar pela terra, procurando o dom sublime, encontrara-o ali, no gesto de minha mãe ao lado de meu pai Raul, compreendendo que o amor ao próximo que Jesus nos legou, sentido e praticado devidamente, é a única força que realmente nos concede a luz da paz por dentro do coração.

Xavier, Francisco Cândido. Da obra: Presença de Luz. Ditado pelo Espírito Augusto Cezar.

Vida


VIDA
Aprende a pensar em termos de eternidade para que o internato no corpo físico não te empane a visão da vida.
*
Uma existência na Terra constitui precioso, mas, breve aprendizado, em que sob a ficha de certo reduto familiar, conquistas o privilégio de avançar para diante nas sendas evolutivas ou a permissão de recapitular as próprias experiências.
*
Não te esqueças, porém de que a morte se incumbirá de interromper-te o usufruto das regalias humanas, na aferição dos valores ou dos prejuízos que hajas angariado em favor ou desfavor de ti próprio, a fim de que não percas a necessária renovação para o grande amanhã.
*
Assevera a ciência terrena que herdaste, em função da genética, os caracteres dos próprios antepassados, próximos ou longínquos, entretanto, no fundo, não recolhes dos outros a riqueza das qualidades nobres ou o fardo dos sofrimentos, mas sim de ti mesmo, das próprias obras semeadas, vividas e revividas, de vez que somos, quase sempre, na ribalta do mundo, os mesmo intérpretes do drama redentor, guardando conosco as bênçãos ou as dores que amealhamos dentro da luta, embora ostentando máscaras diferentes.
*
Hoje, pagamos dívidas de ontem, mas é possível venhamos a solver amanhã compromissos pesados que deixamos em distante pretérito, exigindo-nos atenção.
*
Recebe a aflição e a dificuldade, aliviando as aflições e as dificuldades alheias; pede auxílio, auxiliando; roga o socorro do Céu, socorrendo aos que te rodeiam na Terra, porque entre os panos do berço e os panos do túmulo, desfrutas simplesmente um dia curto no tempo ilimitado, dentro da vida imperecível, baseada na justiça perfeita e no amor sem fim.
Xavier, Francisco Cândido. Da obra: Caridade. Ditado pelo Espírito Emmanuel. Capítulo 32. IDE.
* * * Estude Kardec * * *

sexta-feira, 22 de janeiro de 2016

A Alegria dos Outros

A ALEGRIA DOS OUTROS
Um jovem, muito inteligente, certa feita se aproximou de Chico Xavier e indagou-lhe:
Chico, eu quero que você formule uma pergunta ao seu guia espiritual, Emmanuel, pois eu necessito muito de orientação.
Eu sinto um vazio enorme dentro do meu coração. O que me falta, meu amigo?
Eu tenho uma profissão que me garante altos rendimentos, uma casa muito confortável, uma família ajustada, o trabalho na Doutrina Espírita como médium, mas sinto que ainda falta alguma coisa.
O que me falta, Chico?
O médium, olhando-o profundamente, ouviu a voz de Emmanuel que lhe respondeu:
Fale a ele, Chico, que o que lhe falta é a “alegria dos outros”! Ele vive sufocado com muitas coisas materiais. É necessário repartir, distribuir para o próximo...
A alegria de repartir com os outros tem um poder superior, que proporciona a alegria de volta àquele que a distribui.
É isto que está lhe fazendo falta, meu filho: a “alegria dos outros”.
*   *   *
Será que já paramos para refletir que todas as grandes almas, que transitam pela Terra, estiveram intimamente ligadas com algum tipo de doação?
Será que já percebemos que a caridade esteve presente na vida de todos esses expoentes, missionários que habitaram o planeta?
Sim, todos os Espíritos elevados trazem como objetivo a alegria dos outros.
Não se refere o termo, obviamente, à alegria passageira do mundo, que se confunde com euforia, com a satisfação de prazeres imediatos.
Não, essa alegria dos outros, mencionada por Emmanuel, é gerada por aqueles que se doam ao próximo, é criada quando o outro percebe que nos importamos com ele.
É quando o coração sorri, de gratidão, sentindo-se amparado por uma força maior, que conta com as mãos carinhosas de todos os homens e mulheres de bem.
Possivelmente, em algum momento, já percebemos como nos faz bem essa alegria dos outros, quando, de alguma forma conseguimos lhes ser úteis, nas pequenas e grandes questões da vida.
Esse júbilo alheio nos preenche o coração de uma forma indescritível.
Não conseguimos narrar, não conseguimos colocar em palavras o que se passa em nossa alma, quando nos invade uma certa paz de consciência por termos feito o bem, de alguma maneira.
É a Lei maior de amor, a Lei soberana do Universo, que da varanda de nossa consciência exala seu perfume inigualável de felicidade.
Toda vez que levamos alegria aos outros a consciência nos abraça, feliz e exuberante, segredando, ao pé de ouvido:  É este o caminho... Continue...
*   *   *
Sejamos nós os que carreguemos sempre o amor nas mãos, distribuindo-o pelo caminho como quem semeia as árvores que nos farão sombra nos dias difíceis e escaldantes.
Sejamos os que carreguemos o amor nos olhos, desejando o bem a todos que passam por nós, purificando a atmosfera tão pesada dos dias de violência atuais.
E lembremos: a alegria dos outros construirá a nossa felicidade.

Redação do Momento Espírita, com base em relato sobre episódio da vida de Francisco Cândido Xavier, de autor desconhecido, e que circula pela Internet.
Disponível no cd Momento Espírita, v. 20, ed. Fep.

Em 20.10.2011.

terça-feira, 19 de janeiro de 2016

Necessário e dispensável

NECESSÁRIO E DISPENSÁVEL
O consumismo atual responde por muitos problemas.
As indústrias do supérfluo apresentam no mercado da vacuidade um sem-número de produtos desnecessários, que aturdem os indivíduos.
Estimulados pela propaganda bem elaborada, desejam comprar, mesmo sem poder, o que veem, o que lhes é apresentado, numa volúpia crescente.
Objetos e máquinas que são o último modelo, em pouco tempo passam para o penúltimo lugar, até ficarem esquecidos em armários ou depósitos de coisas sem valor.
No entanto, se não fossem adquiridos, naquela ocasião, a vida perderia o sentido para quem os não comprasse.
Consumismo é fantasia, transferência do necessário para o secundário.
O consumidor que não reflete antes de adquirir, termina consumido pelas dívidas que o atormentam.
*
Muita gente faz compras, por mecanismos de evasão.
Insatisfeitas consigo mesmas, fogem adquirindo coisas mortas, e mais se perturbando.
Enquanto grande número de indivíduos se afogam no oceano do supérfluo, multidões inteiras não possuem o indispensável para uma vida digna.
Abarrotados, uns, com coisas nenhumas, e outros vitimados por terrível escassez.
São os paradoxos do século e do comportamento materialista-utilitarista da atualidade.
*
Confere a necessidade legítima, antes de te permitires o consumismo.
Coisas de fora não equacionam estados íntimos. Distraem a tensão por um momento, sem que operem real modificação interior.
Quando o excesso te visite, reparte-o com a escassez ao teu lado.
Controla e dirige a tua vontade, a fim de não seres uma vítima a mais do tormento consumista.

Divaldo P. Franco. Da obra: Episódios Diários. Ditado pelo Espírito Joanna de Ângelis. Capítulo 25. LEAL.

O dia começa ao amanhecer

O DIA COMEÇA AO AMANHECER

Compadece-te da criança que segue a teu lado.
*
O dia começa ao amanhecer.
Pai, mãe, irmão ou amigo, ampara-lhe a vida, com o teu próprio coração, se pretendes alcançar a Terra Melhor.
*
Lembra-te das vozes amigas que te induziram ao bem, das mãos que te guiaram para o trabalho e para o conhecimento.
*
Por que não amparar, ainda hoje, aqueles que serão, amanhã, os orientadores do mundo?
*
Em pleno santuário da natureza, quantas árvores generosas são asfixiadas no berço? Quanta colheita prematuramente morta pelos vermes da crueldade?
A vida é também um campo divino, onde a infância é a germinação da Humanidade.
*
Já meditaste nas esperanças aniquiladas ao alvorecer? Já refletiste nas flores estranguladas pelas pedras do sofrimento, ante o sublime esplendor da aurora?
Provavelmente dirás: "Como impedirei o sofrimento de milhares?"
Ninguém te pede, porém, para que te convertes num salvador apressado, carregado de ouro e poder.
Basta que abras o coração com a chave da bondade, m favo dos meninos de agora, para que os homens do futuro te bendigam.
*
Quando a escola estiver brilhando em todas as regiões e quando cada lar de uma cidade puder acolher uma criança perdida ? ninho abençoado a descerrar-se, aconchegante, para a ave estrangeira ? teremos realmente alcançado, com Jesus, o trabalho fundamental da construção do Reino de Deus.


Xavier, Francisco Cândido. Da obra: Caridade. Ditado pelo Espírito Meimei. Capítulo 12. IDE.

sexta-feira, 1 de janeiro de 2016

A Estrela da Esperança

A ESTRELA DA ESPERANÇA
Contam as lendas que, quando foi concluída a Criação, as estrelas vieram visitar a Terra.
A estrela amarela, simbolizando as riquezas, visitou todos os recantos e voltou ao veludo escuro da noite, tomando seu lugar no firmamento.
A estrela azul, simbolizando os rios e os mares, igualmente deu um giro em todas as profundezas e retornou.
As demais estrelas, simbolizando o restante da natureza, fizeram o mesmo, e todas se engastaram nos lugares definitivos onde deveriam permanecer para sempre.
Todas voltaram, menos uma, por discreta determinação do Rei do firmamento.
E, quando perceberam a sua ausência, os demais astros buscaram-na aflitos, de longe. Então perceberam, entre os sofredores e necessitados do mundo, a sua luz faiscando em tom verde.
Por isso, é que a esperança nunca abandona a vida.
Através de uma lenda, os poetas encontraram uma maneira de falar da esperança.
Quando a noite escura do desalento invadir a nossa vida, lembremos da suave luz da esperança que não nos deixa a sós e recobremos o passo, no compasso da harmonia.
Quando sentirmos os ferimentos da cruz de espinhos a vergastar nossos ombros, permitamos que o brilho inapagável da esperança nos console.
Se o véu escuro da morte se estender sobre os olhos físicos dos seres amados, lembremos que a Imortalidade, mensageira da esperança, vem lhes descortinar horizontes novos, no além-túmulo.
Ainda que os dias de sofrimento pareçam não ter fim...
Ainda que a enfermidade anuncie que veio para ficar...
Ainda que os amigos abandonem os nossos passos, deixando-nos caminhar a sós...
Ainda que tenhamos a impressão de que o Pai Divino nos esqueceu, lembremos da sublime lâmpada da esperança e permitamos que ela ilumine a nossa alma, plenificando-a com suave claridade, anunciando um novo alvorecer.
Lembremos que, por mais escura e longa seja a noite, o sol sempre volta a brilhar e, com ele, novas oportunidades de construirmos a nossa felicidade.
Para tanto, devemos permitir que a esperança siga conosco, como portadora da chave que abre a aurora e vence o crepúsculo.
* * *
A esperança se apresenta em nossas vidas de várias maneiras.
Pode estar presente num sorriso...
Num olhar de ternura...
Num aperto de mão...
Num afago...
Podemos encontrá-la ainda, na suave brisa da manhã de sol...
Na serenidade das gotas de chuva, caindo devagar...
Ou no cinza escuro da paisagem crestada pela neve, a anunciar que, em breves dias, tudo estará reverdecido novamente, sob os diversos matizes de cores e perfumes, mostrando que a esperança está presente, e jamais nos abandona.

Redação do Momento Espírita

Carta pela Paz do Mundo

CARTA PELA PAZ DO MUNDO
Esta carta é ao mesmo tempo um apelo à razão e à emoção, procurando falar às mentes e aos corações de todos os homens e mulheres da humanidade, da criança ao idoso, no sentido de sensibilizar para a paz, para as atitudes de não violência, para o respeito aos direitos do outro, e para uma educação que valorize o ser humano e lhe dê um ideal superior de vida, levando-o a sentir sua espiritualidade, único antídoto contra o egoísmo, o orgulho, a hipocrisia, a vaidade, a indiferença e a violência que ainda predominam no mundo.
A solidariedade, a cooperação, a fraternidade e a liberdade devem caracterizar a sociedade humana do terceiro milênio, sob pena de continuarmos a assistir, durante muito tempo, a injustiça social, a miséria, a poluição ambiental, a exploração de todos os matizes, os preconceitos de toda ordem, e as guerras que semeiam a desordem e a destruição, fomentando ódios e vinganças. Para que os novos paradigmas substituam as velhas estruturas sociais, para que renovem a humanidade, é preciso que os interesses políticos, sociais e culturais saiam do patamar imediatista, onde o interesse individual ou de grupo prevalece, para abranger a visão do todo, onde o bem deve prevalecer, sem que ninguém seja prejudicado.
É preciso um esforço sincero de cada um em combater em si mesmo a corrupção de ordem moral, a começar por sair da zona de conforto do individualismo egoísta, para que possamos perceber e sentir aqueles que estão conosco formando a sociedade, gerando então o bem estar comum, não egoístico, transformando assim o quadro materialista do viver, quando tudo fazemos pensando apenas em nós e naqueles que nos são caros ao coração, para, pelo contrário, pensarmos em todos os seres humanos, em todas as sociedades, em todas as nações, em toda a humanidade.
Irmãos em humanidade!
Sim, chamo a todos de irmãos, pois todos somos seres humanos, todos temos inteligência, todos temos sentimento, e isso independe da cor de nossa pele, do grau de instrução que tenhamos, da religião que professamos, da nação a qual pertencemos. Somos todos seres humanos, somos pessoas, e é isso o que deve nos levar à união. Sem essa visão que transcende a individualidade e o grupo de interesses comuns, continuaremos a criar barreiras para a solidariedade, a cooperação e a paz.
De quantas tragédias ainda necessitamos para aprender a superar as diferenças? Não bastaram as duas guerras mundiais de triste memória? E o que dizer sobre as lutas fratricidas por questões de raça e de religião? Quanto mais de sofrimento precisamos ter para que os chefes das nações, para que os governos se sensibilizem para a urgência da não violência e da cooperação, superando as barreiras ideológicas e econômicas?
Os vícios de toda ordem com seu cortejo de violências contra o ser humano, não serão controlados e superados apenas com o uso da segurança pública e do militarismo, que acabam gerando revolta, ódio, amargura, desejo de vingança e mais diferenças e sofrimentos. Está na hora da opção pela paz, pelo entendimento, pelo diálogo honesto, sem máscaras, sem hipocrisia, mas com boa vontade, procurando o bem coletivo, pois o verdadeiro bem é aquele que a ninguém prejudica.
Irmãos em humanidade!
Elevemos nosso pensamento a Deus, independente de crença e de filosofia, permitindo que um sentimento maior preencha o vazio de nossas almas, reconhecendo no outro nosso irmão, um ser em desenvolvimento tanto quanto nós, e que aqui se encontra não por acaso, mas sim para cumprir um destino que é alcançar a felicidade, o que não pode conseguir sozinho, mas na interação com os outros, pois somos interdependentes. Mantemos nossas individualidades, somos diferentes no progresso realizado, mas isso não significa que tenhamos de ser inimigos.
A luta pelo poder político, pela hegemonia econômica, pela predominância racial, pela superioridade religiosa, pelo status social, têm marcado os homens e mulheres como verdadeiras feras famintas num circo, irracionalmente lutando uns contra os outros, marcando a história humana com ferro e fogo, sem que a violência tenha, em todos os tempos, resolvido uma só questão do viver humano. É urgente estabelecermos a mediação de conflitos com inteligência e sentimento, dos pequenos aos grandes conflitos, fazendo prevalecer no relacionamento interpessoal a inteligência emocional, que nos leva a saber colocarmo-nos no lugar do outro.
O caminho para a paz no mundo é o da educação moral, essa educação que promove a ética nas relações, a honestidade nas ações, a paz nas vivências, a solidariedade em todas as circunstâncias, o respeito às diferenças e aos direitos, a espiritualidade de cada um. Essa educação é a de que necessitamos, única que possui como pilares a solidariedade, a fraternidade, a cooperação e a liberdade, equilibrando o desenvolvimento cognitivo com o desenvolvimento afetivo dos homens e mulheres, desde as novas gerações até os adultos.
Irmãos em humanidade!
O combate à miséria, ao preconceito, à injustiça social, ao materialismo e egoísmo do viver somente pode ser eficaz com a aplicação da educação moral, não somente nas escolas, mas igualmente nas famílias, num processo dinâmico que ofereça a todos, sem distinção, as mesmas oportunidades; que ofereça a todos o olhar para o futuro; que ofereça a cada um o desenvolvimento da sensibilidade, do sentir, para que a indiferença e a insensibilidade sejam páginas viradas de nossa história. A prioridade dos governos deve ser a educação moral, disso não temos dúvida, e quando isso acontecer, finalmente a humanidade terá feito a opção pela paz, pelo amor que deve nos unir mundialmente.
Desejar a paz é uma condição humana natural, mas os caminhos procurados pelo homem para realizar a paz nem sempre são os melhores, pois muitas vezes defendem posições particulares ou de grupo que desrespeitam e violentam a paz dos outros. Não basta desejar a paz se não temos a verdadeira paz, que é a paz do conhecimento de nós mesmos. Conhecer-se é a grande chave para abrir a construção da paz no mundo.
Quem se conhece, nos seus limites e potencialidades, sabe que a sua paz faz limite com a paz dos outros, e que para evitar atritos deve saber conviver respeitando liberdades e direitos ao mesmo tempo em que pratica responsabilidades e deveres.
Falamos muito sobre a paz, mas estamos vivendo a paz, nos atos e pensamentos? Será que viver em paz é ter uma boa situação financeira, um bom status social, um bom poder sobre as pessoas, mesmo que isso não seja bom para a maioria? Se assim pensamos, estamos invertendo valores e colocando em risco a sociedade.
Lembremos que quando nos transformamos em autoridade pública, somos representantes do povo, de um desejo coletivo, e não simplesmente representantes de nós mesmos ou de algum grupo com interesses particulares. O egoísmo tem produzido a corrupção, a injustiça social, a miséria, a guerra e tantos outros flagelos que vitimam vidas humanas.
E para aqueles que acreditam estar acima de todas essas coisas, nosso olhar de compaixão, pois a dor moral e a doença física não tem hora marcada, nem aviso prévio. Enquanto estivermos vestindo a capa do egoísmo e do orgulho, quantas pessoas não estarão sofrendo por nossa culpa?
Reflitamos sobre tudo isso, olhemos para o lado e enxerguemos os outros como realmente eles são: seres humanos, pessoas dotadas de sentimento, todos querendo viver em paz, tanto quanto nós.
Pensemos nos outros, e façamos pelos outros o que eles esperam de nós: a construção da paz através de leis justas e respeito aos códigos de direitos humanos.
Paz! Ela depende de cada um, onde estivermos, com quem estivermos.
Que o ódio seja suplantado pelo amor.
Que a indiferença seja substituída pela solidariedade.
Que o preconceito seja trocado pela bondade.
Que as armas sejam substituídas pela cooperação.
Que o egoísmo seja substituído pela humildade.
Que a segurança pública ceda espaço para a educação moral.
Que o sonho de um mundo melhor seja realidade através da não violência, da solidariedade, da fraternidade e da liberdade.
Que o sonho de um mundo melhor seja realidade através da opção pela paz.
Assim, propomos 10 (dez) passos para a construção da paz no mundo, convidando-o a colocá-las em prática:
1 – Procure amar os outros, como eles são, respeitando seus direitos, sem fazer exigências.
2 – Respeite o ponto de vista dos outros, pois cada um tem seu entendimento, sua visão das coisas e suas perspectivas da vida.
3 – Seja compreensivo e tolerante para com os outros, do mesmo modo que deseja que os outros o sejam consigo.
4 – Busque sempre o perdão em todas as circunstâncias.
5 – Seja a mudança que você deseja ver no mundo.
6 – Na administração pública pense sempre no bem estar coletivo.
7 – Substitua a agressividade pelo amor.
8 – Faça aos outros somente o que gostaria que os outros lhe fizessem.
9 – Combata os vícios morais, desenvolvendo as virtudes, aplicando a si mesmo a educação moral.
10 – Eleja a não violência e a paz como roteiros existenciais.
Irmãos em Humanidade!
De todos os cantos planetários as pessoas clamam por paz, bondade, honestidade, justiça, solidariedade. Criemos uma grande corrente pela não violência, agindo a benefício de um mundo melhor, mostrando aos governos das nações e às organizações internacionais que não queremos mais as guerras, não queremos mais os jogos de interesses, não queremos mais a miséria.
Se cada um fizer a sua parte pela paz no mundo, com certeza a Humanidade entrará numa nova era, de entendimento e de ética, quando finalmente conheceremos em plenitude as consequências positivas da mensagem que ecoa desde tempos longínquos: amemo-nos como irmãos!

Marcus de Mario 
*Marcus De Mario é escritor e educador, atuando como diretor do Instituto Brasileiro de Educação Moral – IBEM, organização educacional sem fins lucrativos. Conheça o Programa Vivendo Sempre em Paz ofertado pelo IBEM para as escolas e organizações sociais. Se você concorda com esta Carta pela Paz no Mundo, publicada por seus autor em 1º de janeiro de 2016– Dia Mundial da Paz e Dia da Fraternidade Universal –, faça sua divulgação por todos os meios disponíveis e nas mais diferentes línguas, para que ela fomente, em todos os cantos do mundo, ações pela paz.