quarta-feira, 24 de agosto de 2016

O orgulho



O ORGULHO
DISSERTAÇÃO MORAL DITADA POR SÃO LUIZ À SENHORIA ERMANCE DUFAUX
I
Um homem soberbo possuía alguns hectares de boa terra; sentia-se envaidecido pelas grandes espigas que cobriam o seu campo e olhava com desdém o campo estéril do humilde. Este se levantava ao cantar do galo e permanecia o dia todo curvado sobre o solo ingrato; recolhia pacientemente os eixos e os lançava à beira do caminho; revolvia profundamente a terra e arrancava com dificuldade os espinheiros que a cobriam. Ora, seu suor fecundou o campo e ele colheu o melhor trigo.
Entretanto, o joio crescia no campo do homem soberbo e sufocava o trigo, enquanto o dono se vangloriava de sua fecundidade, olhando com ar de piedade os esforços silenciosos do humilde.
Em verdade vos digo que o orgulhoso é semelhante ao joio que abafa o bom grão. Aquele dentre vós que acredita valer mais que seu irmão e que disso se vangloria, é insensato; sábio, porém, é o que trabalha por si mesmo, como o humilde em seu campo, sem se envaidecer de sua obra.
II
Havia um homem rico e poderoso que desfrutava o poder do príncipe; morava em palácios, e numerosos serviçais esmeravam-se por lhe adivinhar os desejos.
Um dia suas matilhas acossavam os cervos nas profundezas da floresta quando percebeu um pobre lenhador que caminhava com muita dificuldade, sob o peso de um feixe de lenha. Chamou-o e disse-lhe:
- Vil escravo! Por que passas teu caminho sem te inclinares diante de mim? Sou igual aos senhores da terra: nos conselhos minha voz decide a paz ou a guerra, e os maiorais do reino curvam-se em minha presença. Fica sabendo que sou sábio entre os sábios, poderoso entre os poderosos, grande entre os grandes, e minha posição elevada é obra de minhas mãos,
- Senhor! - Respondeu o pobre homem- temi que minha humilde saudação fosse uma ofensa para vós. Sou pobre e não possuo outro bem senão meus braços; mesmo assim, não desejo vossas grandezas enganosas. Durmo a sono solto e não receio, como vós, que o prazer do mestre me faça cair em minha obscuridade.
Ora, o príncipe se aborreceu com o orgulho do soberbo; os grandes humilhados apoderaram-se dele e o precipitaram das culminâncias de seu poder, como a folha seca que o vento varre do alto de uma montanha; mas o humilde continuou tranquilamente seu rude trabalho, sem se preocupar com o dia seguinte.
III
Soberbo, humilha-te, porquanto a mão do Senhor dobrará teu orgulho até que se reduza a pó!
Escuta! Nasceste onde te lançou a sorte; saíste do seio de tua mãe, fraco e despido como o último dos homens. Por que elevas mais alto a fronte do que os teus semelhantes, tu que, como eles, nasceste para a dor e para a morte?
Ouve! Tuas riquezas e tuas grandezas, vaidade das vaidades, escaparão de tuas mãos quando vier o Grande Dia, como as águas errantes da torrente que o sol faz evaporar. De tuas riquezas só levarás contigo as tábuas do caixa; e os títulos gravados na lápide sepulcral serão palavras vazias de sentido.
Escuta! O cão do coveiro brincará com teus ossos, e eles serão misturados aos dos indigentes, confundindo-se tuas cinzas com as deles, porque um dia ambos sereis reduzidos a pó. Amaldiçoarás, então, os dons que recebeste, quando vires o mendigo revestido na sua gloria, e chorarás o teu orgulho.
Humilha-te, soberbo, porquanto a mão do Senhor curvará o teu orgulho até o pó.
***
- Por que São Luís nos fala em parábolas?
Resp. – O Espírito humano ama o mistério; a lição se grava melhor no coração quando a procuramos.
- Não parece que atualmente a instrução nos deva ser dada de maneira mais direta, sem que precisemos recorrer à alegoria?
Resp. – Encontrá-la-eis no desenvolvimento. Desejo ser lido, e a moral necessita ser disfarçada sob a atração do prazer.
Revista Espírita – maio de 1868 – pág. 208 a 210 – Allan Kardec

domingo, 21 de agosto de 2016

Vida Feliz XXVII



Vida Feliz XXVII
Não desconsideres o valor e o poder da oração.
O corpo necessita de alimento adequado para manter-se.
Assim também o Espírito, que é a fonte de vitalização da matéria.
A prece constitui um combustível de alta qualidade para a sua harmonia.
Adquire o hábito de orar, incorpora-o aos outros mecanismos naturais da tua existência, e constatarás os benefícios disso decorrentes.
Não te negues o pão da vida, que é a prece sincera e afervorada.
FRANCO, Divaldo Pereira. Vida Feliz. Pelo Espírito Joanna de Ângelis. 18.ed. LEAL, 2015. Capítulo 27.
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O auxílio virá




O Auxílio Virá
O problema que te preocupa talvez te pareça excessivamente amargo ao coração. E tão amargo que talvez não possas comenta-lo, de pronto.
Às vezes, a sombra interior é tamanha que tens a idéia de haver perdido o próprio rumo.
Entretanto, não esmoreças.
Abraça o dever que a vida te assinala.
Serve e ora.
A prece te renovará energias.
O trabalho te auxiliará.
Faze silêncio e não te queixes.
Alegre-te e espera, porque o Céu te socorrerá. Por meios que desconheces.
Deus permanece agindo.
XAVIER, Francisco Cândido. Recados do Além. Pelo Espírito Emmanuel. IDEAL. Capítulo 49.
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