quinta-feira, 31 de julho de 2014

Evolução

Se devassássemos os labirintos
 Dos eternos princípios embrionários,
 A cadeia de impulsos e de instintos,
 Rudimentos dos seres planetários;

Tudo o que a poeira cósmica elabora
 Em sua atividade interminável,
 O anseio da vida, a onda sonora,
 Que percorrem o espaço imensurável;

Veríamos o evolver dos elementos,
 Das origens às súbitas asceses,
 Transformando-se em luz, em sentimentos,
 No assombroso prodígio das esteses;

No profundo silêncio dos inermes,
 Inferiores e rudimentares,
 Nos rochedos, nas plantas e nos vermes,
 A mesma luz dos corpos estelares!

É que, dos invisíveis microcosmos,
 Ao monólito enorme das idades,
 Tudo é clarão da evolução do cosmos,
 Imensidade nas imensidades!

Nós já fomos os germes doutras eras,
 Enjaulados no cárcere das lutas;
 Viemos do princípio das moneras,
 Buscando as perfeições absolutas.

Pelo Espírito Augusto dos Anjos

XAVIER, Francisco Cândido. Parnaso de Além-Túmulo. Espíritos Diversos. FEB.

terça-feira, 29 de julho de 2014

Pensar e querer

 O homem foi capaz de desenvolver sofisticados radares para detectar presença estranha a longa distância, mas ainda não conseguiu estabelecer um sistema de vigilância em torno da própria mente.
 Todo pensamento estabelece uma sintonia. Pensando a criatura interage sobre seus semelhantes, estabelecendo ligações, conforme o campo mental que a envolve. Se a situação é gerada por pensamentos infelizes, estabelecem-se as presenças indesejáveis, oriundas do plano extrafísico, consolidando, assim, o início de processos obsessivos que poderão aprisionar a pessoa em dolorosos processos de subjugação.
 Entretanto cabe ressaltar que, entre a abordagem do pensamento infeliz e a sua aceitação em nosso campo mental, há uma distância a ser percorrida.
 No mundo, pensamentos infelizes nos ocorrem a todos. Cabe-nos, porém, a devida vigilância, para rebatê-los com o escudo do bom senso, a fim de que nossa vida interior se desenvolva em base de equilíbrio desejável.
 Pensa com amor, e a luz do teu pensamento te iluminará por dentro.
Autor: Scheilla (espírito)
Psicografia de Francisco Cândido Xavier. Do livro: A Mensagem do Dia

Serenidade sempre

Todo homem sábio é sereno.
 A serenidade é conquista que se consegue com  esforço pessoal e passo a passo.
 Pequenos desafios que são superados; irritação  que se faz controlada; desafios emocionais  corrigidos; vontade bem direcionada; ambição  freada, são experiências para a aquisição da  serenidade.
 Um Espírito sereno já se encontrou consigo  próprio, sabendo exatamente o que deseja da  vida.
 A serenidade harmoniza, exteriorizando-se de  forma agradável para os circunstantes. Inspira  confiança, acalma e propõe afeição.
 O homem sereno já venceu grande parte da luta.
 Que nenhuma agressão exterior te perturbe,  levando-te à irritação, ao desequilíbrio.
 Mantém-te sereno em todas as realizações.
 A tua paz é moeda arduamente conquistada, que  não deves atirar fora por motivos irrelevantes.
 Os tesouros reais, de alto valor, são aqueles de  ordem íntima, que ninguém toma, jamais se  perdem e sempre seguem com a pessoa.
 Tua serenidade, tua gema preciosa.
 Diante de quem te enganou, traindo a tua  confiança, o teu ideal, ou envolvendo-te em  malquerença, mantém-te sereno.
 O enganador é quem deve estar inquieto, e não a  sua vítima.
 Nunca te permitas demonstrar que foste atingido  pelo petardo da maldade alheia. No teu círculo  familiar ou social sempre defrontarás com  pessoas perturbadoras, confusas e agressivas.
 Não te desgastes com elas, competindo nas faixas de desequilíbrio em que se  fixam. Constituem teste à tua paciência e  serenidade. Assim exercita-te com essas situações para, mais seguro, enfrentares os grandes testemunhos e provações do processo  evolutivo, sempre, porém, com serenidade.
Joanna de Ângelis (espírito), psicografia de Divaldo Franco.
Livro: Dimensões da Verdade
O Espiritismo

domingo, 27 de julho de 2014

A Última Pergunta

          Os livros da Codificação Espírita constituem fonte permanente para estudos e reflexões. Sempre encontramos em suas páginas fecundas oportunidades de análise para qualquer tema do cotidiano da vida humana. Isto sem falar nas questões transcedentais…
        Assuntos admiráveis ou polêmicos encontram no pensamento do Codificador ou na revelação dos Espíritos, roteiros e argumentações, orientações e material para manter concentrado qualquer pesquisador que venha procurar na Doutrina Espírita respostas às suas indagações. Trata-se de vasto campo cultural alicerçado na mais alta moral que o planeta pode conhecer: a moral de Jesus. Incrível como qualquer assunto possa ser analisado sob a ótica espírita.
         Trazemos essas considerações pensando em convidar o leitor a pensar conosco sobre a última questão de O LIVRO DOS ESPÍRITOS, a de número 1.018. É que o tema dessa questão está diretamente relacionada com uma preocupação coletiva.
         Vive-se no planeta um período de grandes dificuldades, agravadas por inúmeros problemas sociais, todos conhecidos graças ao poder da mídia. Problemas que têm gerado grandes aflições coletivas. Aí estão presentes no dia-a-dia do cidadão do planeta a violência, a miséria, o desemprego e pior, a indiferença, o desamor.
         Ao lado de um tanto de criaturas que lutam pelo bem, que se esforçam pelo aprimoramento individual e coletivo, boa parcela da população se perde ainda nos excessos, na incompreensão, na intolerância, fechando-se no egoísmo que tantos males tem gerado.
         E vem a última pergunta do livro referido:
  "1.018 - Jamais o reino do bem poderá ter lugar sobre a Terra ?
  - O bem reinará sobre a Terra quando, entre os Espíritos que vêm habitá-la, os bons vencerem sobre os maus. Então, farão nela reinar o amor e a justiça que são a fonte do bem e da felicidade. É pelo progresso moral e pela prática das leis de Deus que o homem atrairá sobre a Terra os bons Espíritos e dela afastará os maus. Mas os maus não a deixarão senão quando dela forem banidos o orgulho e o egoísmo. A transformação da Humanidade foi predita e atingis esse momento, que apressam todos os homens que ajudam o progresso. Ela se cumprirá pela encarnação de Espíritos melhores, que constituirão sobre a Terra uma nova geração (...)".
         Notem que a transformação virá pela atração de Espíritos melhores, através da transformação moral dos próprios homens e da prática das leis de Deus.
         O amadurecimento humano, pelo progresso inevitável, fará isso, cedo ou tarde. Porém, nada nos impede de antecipar o notável acontecimento, através de esforços individuais e coletivos que melhorem o padrão moral do planeta.
         Felizmente, há muita gente boa trabalhando para isso, em todo o mundo. Iniciativas brilhantes nas áreas de pesquisas científicas (para as conquistas tecnológicas que beneficiem o homem em todos os sentidos), ou esforços de solidariedade que despertem o coração humano para a importância da afabilidade, estão levando o homem para o caminho da tão sonhada paz e felicidade.
         Vou citar um exemplo muito simples, pequenino mesmo, mas muito ilustrativo. Em nossa pequena cidade, há um cidadão espírita, atualmente cego, que solicita para seu funcionário escrever diariamente uma frase motivadora ou de teor cristão, em pequena lousa localizada em seu estabelecimento comercial. Trata-se um hábito muito antigo, já conhecido da cidade. Pois, com a prática já transformada em hábito, hoje em dia é comum pessoas pararem para ler a frase e outras copiarem a dita frase para reflexão posterior. Até uma professora solicita a uma de suas alunas passar por lá diariamente para copiar a frase...
         O comerciante teve uma ideia simples, mas gerou simpatia e ajuda às criaturas que por ali passam e já buscam até com certa ansiedade a frase do dia, inclusive para anotações. A iniciativa criou um clima melhor naquele ambiente, atraindo forças positivas e irradiando amor para muitos.
         O exemplo simples pode ser usado para dimensões mais abrangentes que gerem modificações positivas em ambientes perturbados ou perturbadores.
         Desejamos atingir o fato, destacando para o leitor, de que a implantação do reino do bem e por extensão natural da paz e da felicidade tão procurada, está principalmente nas iniciativas que tenhamos para criar oportunidades do bem aparecer, fazendo-o presente em nossas vidas. Se a ação generalizar-se, em breve tempo, teremos o bem implantado sobre o planeta. E isto propiciará a encarnação de Espíritos melhores…
Orson Peter Carrara

quinta-feira, 24 de julho de 2014

Guerras: Como o Espiritismo explica?

Uma vez mais a humanidade se vê sob a tensão de um novo conflito mundial. Ameaças proliferam a toda hora. O fio da racionalidade se estica a cada dia e pode se  romper  a  qualquer  momento. A tensão aumenta, fazendo com que muitos,  à essa altura, cheguem a duvidar de uma solução obtida por meios diplomáticos. Um novo conflito de proporções e conseqüências imprevisíveis se desenha no cenário sombrio do Planeta, atemorizando a todos. E o Espiritismo, o que pode nos dizer a respeito? Como Doutrina filosófica, de bases científicas e conseqüências morais, o Espiritismo se relaciona com tudo o que diz respeito ao nosso processo existencial, pois objetiva contribuir para o progresso da humanidade, tornando-a melhor.
Allan Kardec tratou do tema na parte terceira do Livro dos Espíritos, que reservou para o ensinamento dos Espíritos a respeito das Leis Morais. No capítulo referente à Lei de Destruição, a guerra foi arrolada pelos Espíritos como um de seus agentes. Indagados sobre a sua causa, os orientadores espirituais afirmaram que é conseqüência da predominância da natureza animal do homem sobre a espiritual e do transbordamento de suas paixões. Esclarecem, ainda, que Deus permite que assim aconteça para propiciar ao homem a oportunidade de uma evolução mais rápida, no sentido de atingir a liberdade e o progresso.
Temos aí, portanto, pelo ensinamento da Espiritualidade, um diagnóstico das causas desse mal. Ensinam, também, os benfeitores espirituais que, no estado de barbaria, os povos somente conhecem o direito dos mais fortes, daí vivenciarem um estado de guerra permanente, que vai se modificando à medida que o homem progride. Fica-nos, então, um questionamento: da época da revelação dos Espíritos até os dias de hoje, decorridos quase cento e cinquenta anos, não  terá a humanidade progredido o suficiente para evitá-la?
A explicação vamos encontrar mais adiante, no capítulo que estuda a Lei do Progresso. Lá encontramos que o progresso possui duas vertentes: a moral e a intelectual. Vemos mais: que o progresso moral decorre do intelectual, que faz o homem compreender a diferença entre o bem e o mal. Enquanto não desenvolve o senso moral, o progresso intelectual é utilizado para a prática do mal, servindo-lhe de instrumento.
Não há como deixar de reconhecer o quanto a humanidade progrediu em termos científicos e tecnológicos, trazendo condições de vida mais seguras e confortáveis a muitos. Todavia, o progresso moral, como disseram os Espíritos, é sempre mais demorado e não consegue acompanhar o avanço da inteligência. Se compararmos com a situação vivenciada há alguns milênios, é claro que a humanidade progrediu também moralmente. Naquelas priscas eras, uma verdadeira selva reinava na face do planeta. O estado de barbaria então vigente é testemunhado em várias obras psicografadas pelos que o viveram, dentre quais podemos destacar as que compõem a chamada “série histórica” de Emmanuel. Naquela época, o direito à vida não era minimamente respeitado e matava-se por tudo e por qualquer coisa.
Hoje, a sociedade se humanizou um pouco mais, embora em diferentes graus, que variam conforme a evolução já alcançada pelos diversos povos que a compõem. Mas ainda nos encontramos moralmente atrasados em comparação com a evolução intelectual alcançada. Assim, a predominância do mal, que caracteriza um mundo de provas e de expiações, impele os mais desenvolvidos intelectualmente e, em conseqüência mais fortes, a buscarem, cada vez mais, ampliar seus poderes em detrimento dos mais fracos.
As conseqüências de uma guerra somente são avaliadas em termos materiais. Estima-se o seu custo econômico e quantas vidas físicas serão ceifadas. Mas as  conseqüências espirituais sequer são mencionadas, permanecendo ignoradas pela imensa maioria. O Espiritismo esclarece o quanto os danos materiais, que são passageiros, são ínfimos, se comparados ao custo espiritual que o indesejado acontecimento acarreta. Os seus responsáveis terão de suportar, no mundo espiritual e em encarnações futuras, os efeitos da lei de ação e reação que rege o Universo. Na questão 745 do Livro dos Espíritos, respondendo a Kardec sobre a responsabilidade daquele que suscita a guerra para proveito seu, os Espíritos ensinam que “grande culpado é esse e muitas existências lhe serão necessárias para expiar todos os assassínios de que haja sido causa, porquanto responderá por todos os homens cuja morte tenha causado para satisfazer à sua ambição“.
No livro “Nosso Lar“, André Luiz relata a repercussão, na Colônia do mesmo nome, dos momentos que antecederam a eclosão da segunda guerra mundial. Toda a Colônia se mobilizou em preparativos para receber os espíritos que deixariam a carne em conseqüência do conflito, que, certamente, seriam em grande número, como de fato aconteceu.
África e dor do plano espiritual nos vem também a notícia de que muitos dos protagonistas daquele episódio, responsáveis por tantos sofrimentos, expiam suas faltas em regiões da África de absoluta miséria, onde têm de suportar uma existência penosa, sem nenhum tipo de facilidade, como forma de se reequilibrarem perante a Lei.
Portanto, segundo o Espiritismo, a guerra, longe de ser uma situação irreversível, é resultado de um estado passageiro da humanidade. À medida que o homem progride moralmente, ainda que de maneira lenta, pois a Natureza não dá saltos, as guerras tendem a se tornar menos freqüentes, porque ele passa a evitar as suas causas. Dia virá, certamente, em que ela estará totalmente banida do nosso meio, pois a humanidade se elevará e aprenderá a conviver com seus semelhantes, respeitando a Lei de Igualdade.
O ensinamento do Cristo, revivido e esclarecido pelo Espiritismo, é a bússula que nos levará a esse porto seguro. Quando todos conhecerem a imortalidade do espírito, a realidade da vida futura, o processo da reencarnação e a justiça da lei de causa e efeito, o homem não mais provocará a guerra. Se os governantes já estivessem de posse do conhecimento dessas verdades, por certo agiriam de maneira diferente, pois temeriam as conseqüências de seus atos. Enquanto isso não acontece, continuemos fazendo a nossa parte, orando e trabalhando pela paz, rogando todos os dias à Espiritualidade Superior para que ilumine e apascente os homens, fazendo-os moderar suas ambições.
Escrito por Por Sérgio dos Santos Rodrigues/Equipe CVDEE
http://cecal.centronocaminhodaluz.com.br/index.php?option=com_content&view=article&id=252:guerras-como-o-espiritismo-explica&catid=60:artigos&Itemid=81 

Nossos Sonhos

O que fazemos quando dormimos? Pergunta muito comum, e para a qual muitos de nós não temos resposta.
Há tantas teorias a respeito do sono e dos sonhos que até confundem as criaturas.
Perguntado aos Benfeitores Espirituais, em O Livro dos Espíritos, sobre o assunto, estes responderam que o "Sonho é a lembrança do que o Espírito viu durante o sono."
O sono liberta, parcialmente, a alma do corpo permitindo-lhe entrar em relação com o Mundo dos Espíritos.
Através dos sonhos, poderemos visitar entes queridos já desencarnados, ir a países distantes, entrar em contato com pessoas vivas.
A alma, independente durante o sono, procura sempre seus interesses. Busca as orgias junto aos espíritos inferiores ou vai em busca de luz e esclarecimento em companhia de espíritos elevados.
Mesmo quando dorme, a alma mantém seu livre-arbítrio, sua livre vontade.
Mas, por que nem sempre nos lembramos dos sonhos? Será porque não sonhamos?
Sendo o corpo físico constituído de matéria pesada e grosseira, dificilmente conserva as impressões que o Espírito recebeu, porque a este não chegaram por intermédio dos órgãos corporais.
Em outras palavras, as vibrações do Espírito parcialmente liberto pelo sono são distintas das vibrações do Espírito revestido do corpo físico.
Isso explica porque, muitas vezes, o sonho é lúcido, repleto de cores, sons, imagens, e quando acordamos perdemos totalmente a lembrança. Ficamos apenas com as sensações no fundo da alma.
O cérebro, que é o instrumento pelo qual a mente se expressa em nível físico, é ainda muito grosseiro para registrar as impressões sutis que a mente liberta é capaz de registrar. É como se o cérebro não conseguisse decodificar as informações que lhe chegam durante o desprendimento pelo sono.
Por esse motivo é que alguns sonhos nos parecem truncados, sem nexo, ou com grandes lacunas.
É por isso também, que misturamos coisas e fatos do dia-a-dia com outras que não dizem respeito ao nosso mundo físico.
Pessoas há, que sonham com determinada situação e essa situação se concretiza no decorrer dos dias. São os chamados sonhos premonitórios. O Espírito antevê, durante o sonho, o que irá ocorrer no dia seguinte, nos próximos dias, ou em futuro distante.
Como disse um Santo, nós morremos todas as noites através do sono.
Quando, pelo processo de desencarnação, se romperem em definitivo os laços que unem o corpo à alma, esta estará liberta.
* * *
É no sonho que muitos gênios vão buscar inspiração para suas invenções. Isso explica porque é que uma idéia, não raro, surge em diversos pontos do Planeta.
Também durante o sono, homens perversos entram em contato com Espíritos que ainda se comprazem no mal, e buscam idéias para seus crimes.
Dessa forma, antes de nos entregarmos ao sono, é conveniente que façamos uma prece, rogando a Deus Sua proteção para que possamos ter sonhos instrutivos e saudáveis.

Texto da Redação do Momento Espírita com base na perg. 400 e seguintes do cap. VIII, da 2ª. parte de O livro dos espíritos, de Allan Kardec, ed. Feb.

quarta-feira, 23 de julho de 2014

A imensa alegria de servir

Toda natureza é um desejo de serviço.
Serve a nuvem, serve o vento, serve o sulco.
Onde houver uma árvore para plantar, planta-a tu.
Onde houver um erro para corrigir, corrige-o tu.
Onde houver uma tarefa que todos recusem, aceita-a tu.

Sê quem tira:
a pedra do caminho,
o ódio dos corações
e as dificuldades dos problemas.

Há a alegria de ser sincero e de ser justo.
Há, porém, mais do que isso,
a imensa alegria de servir.

Como seria triste o mundo
se tudo já estivesse feito,
se não houvesse uma roseira para plantar,
uma iniciativa para lutar!
Não te seduzam as obras fáceis.
É belo fazer tudo que os outros se recusam a executar.
Não cometas, porém, o erro
de pensar que só tem merecimento executar as grandes obras.
Há pequenos préstimos que são bons serviços:
enfeitar uma mesa.
Arrumar uns livros.
Pentear uma criança.

Aquele é quem critica,
este é quem destrói;
sê tu quem serve.

Servir não é próprio dos seres inferiores:
Deus, que nos dá fruto e luz, serve.
Poderia chamar-se: O Servidor.
E tem os Seus olhos fixos nas nossas mãos
e pergunta-nos todos os dias:
Serviste hoje?
*   *   *
Gabriela Mistral, poetisa chilena, em seu belíssimo poema nos emociona com uma proposta de vida maravilhosa.
O Poeta dos poetas, certa vez também afirmou que quem desejasse ser o primeiro, fosse o servo de todos.
Servir é a receita infalível da felicidade presente e futura.
Presente, pois quem serve, quem se doa, quem ajuda, já recebe no coração a paz que tal ato propicia. Uma paz sem igual: a paz da consciência tranquila.
Futura, pois quem serve semeia concórdia, fraternidade – merecendo colher o mesmo nos passos seguintes da existência imortal do Espírito.
Todo dia nos apresenta diversas oportunidades de servir. Que possamos estar atentos a elas, e não desperdiçar nenhuma chance, nenhuma dessas experiências enriquecedoras.
Parafraseando a poetisa, perguntamos: Você já serviu hoje?

Redação do Momento Espírita com base no poema A imensa alegria de servir, de Gabriela Mistral.

Ação - Bondade

A cobrança da gratidão diminui o valor da dádiva.
O bem não tem preço, pois que, à semelhança do amor, igualmente não tem limite.
Quando se faz algo meritório em favor do próximo aguardando recompensa, eis que se apaga a qualidade da ação, em favor do interesse pessoal grandemente pernicioso.
O Sol aquece e mantém o planeta sem qualquer exigência.
A chuva abençoa o solo e o preserva rico, em nome do Criador, sustentando os seres e se repete em períodos ritmados, não pedindo nada.
O ar, que é a razão da vida, existe em tão harmonioso equilíbrio e discrição, que raramente as criaturas se dão conta da sua imprescindibilidade.
*
Faze o bem com alegria e, no ato de realizá-lo, fruirás a sua recompensa.
Ajuda a todos com naturalidade, como dever que te impões, a favor de ti mesmo, e te aureolarás de paz.
Se estabeleces qualquer condição para ajudar, desmereces a tua ação, empalidecendo-lhe o valor.
Une-te ao exército anônimo dos heróis e apóstolos da bondade. Ninguém te saberá o nome, no entanto, o pensamento dos beneficiados sintonizará com a tua generosidade estabelecendo elos de ligação e segurança para a harmonia no mundo.
Os que se destacam na ação comunitária e são aplaudidos, homenageados, sabem que, sem as mãos desconhecidas que os ajudam, coisa alguma poderiam produzir.
Assim, os benfeitores verdadeiros são os da retaguarda e não os que brilham nos veículos da Comunicação.
Aproveita o teu dia e vai semeando auxílios, esparzindo bondade de que esteja rica a tua vida, e provarás o licor da alegria na taça da felicidade de servir.
Divaldo P. Franco. Da obra: Episódios Diários. Ditado pelo Espírito Joanna de Ângelis. Capítulo 9. LEAL.

* * * Estude Kardec * * *

Aprender e Recomeçar

Dizes que não tens condições para as obras da fé porque erraste.  
Erraste e sofreste.
Sofreste e temes a crítica.  
É possível que ainda lutes contigo mesmo.
Entretanto, não recuses o convite do bem que te chama a servir.
Esquece-te e caminha.
O trabalho em auxílio aos outros te fará profunda e bela renovação.
A benção do Senhor te sustentará.
Se não crês no Amparo do Alto, observa a lição do sol.
O astro do dia, vestido em luz pura e imensa está sempre reiniciando o próprio trabalho, em cada hemisfério da Terra.
Pensa nisso e aprende a recomeçar.
Espírito Emmanuel, Do Livro: Tempo e Nós, Médium: Francisco Cândido Xavier.

domingo, 20 de julho de 2014

Sabedoria do Amor

Considerando-se as glórias incomparáveis da Ciência e da Tecnologia contemporâneas que devassaram o Cosmo e penetraram nas micropartículas, revelando a grandeza universal e o milagre da energia, seria de se esperar que os desafios existenciais se encontrariam solucionados.
Certamente incontáveis problemas foram equacionados, enigmas terríveis se tornaram decifrados, o conforto e as comodidades multiplicaram-se favorecendo benefícios que, na evolução, tornaram a Terra quase um paraíso...
Nada obstante, se alteraram a face do sofrimento humano, proporcionando modificações profundas no mapeamento das aflições, não conseguiram eliminá-los como seria de desejar-se.
Pandemias terríveis foram eliminadas do planeta, enquanto outras, não menos dilaceradoras, vieram tomar-lhes o lugar.
A abundância de víveres em grãos e os processos tecnológicos de produção em massa de animais e aves tornou-se surpreendente, mas não foi possível diminuir a fome no mundo, que continua irreversível, ceifando centenas de milhões de vidas.
Substituíram os mecanismos das guerras perversas de corpo-a-corpo pela crueldade das criaturas bomba, portadoras de insanidade de ódio inigualável.
As angústias emocionais, defluentes dos fatores diversos, especialmente dos eventos de vida, são mais temíveis do que o pavor da ignorância medieval.
O crime continua assolando em formas variadas e o medo domina a sociedade, que já não sabe como proceder.
Horrores dificilmente catalogados dominam as multidões.
Excessos de poder, de fortuna, de êxtases mundanos são olhados pela miséria extrema dos excluídos.
As mansões de luxo iluminadas confraternizam com as cracolândias e os depósitos de lixo ameaçadores.
Para onde ruma a humanidade?
Pergunta-se por qual razão há tantos paradoxos, assim como por que existem tantos humanos contrastes?
Jesus ofereceu as respostas conforme inseridas no Sermão da Montanha, no cântico mais profundo e espetacular que a humanidade teve ocasião de escutar. O Seu brado sobre o amor radical ainda não foi ouvido e, perdendo-se nos desvãos do prazer, a criatura humana é responsável pela grandeza das conquistas anotadas, assim como pelos prejuízos éticos e morais.
Tem semeado trigo e cardos simultaneamente, no entanto, o escalracho predomina, com a natural colheita de dores.
Quase ninguém que não esteja experimentando o convite da aflição e sem rumo, assim fugindo de maneira vergonhosa do enfrentamento com a consciência. Renova-se a mensagem do Mestre na Doutrina que os Espíritos trouxeram, a fim de repetir-lhe os enunciados, apresentando as soluções para os aziagos dias do presente.
Reflexiona: a fortuna de hoje nas tuas mãos, se não souberes bem administrá-la, será carência e compromisso negativos no futuro.
A comodidade de agora pode ser véspera da escassez de logo mais.
Semeia luz no caminho bem traçado e confortável ou naquele coberto de abrolhos por onde sigas.
Não te canses de servir, de ser útil, de fazer a parte que te cabe na economia coletiva e espiritual da existência.
Dá-te conta que os desastres de todo tipo, que ora tomam conta das manchetes da mídia escandalosa, são efeitos da conduta de cada indivíduo no seu passado atual.
Sem dúvida, muitos males que ora são enfrentados defluem das ações infelizes desta existência, da negligência, dos desacertos, das animosidades, da insensatez.
Outros, porém, transcendem a presente jornada e ressurgem como heranças nefárias de existências anteriores.
Não desanimes, porém, insistindo na ação edificante, fruto de pensamentos retos e dignificadores.
A sociedade será melhor e mais feliz na razão direta em que cada um dos seus membros assuma a responsabilidade de alterar o comportamento, elegendo diferente proceder.
Não será necessária uma severa mudança para uma conduta mística, alienada, mas para atitudes consentâneas com as lições sublimes das bem-aventuranças.
É sublime que te permitas instalar nos sentimentos as diretrizes da afetividade do bem fazer.
Não estás isento de experienciares sofrimentos inesperados e bem-estares agora, da mesma forma que a segurança econômica e social podem, sem aviso prévio, alterar-se para pior.
De igual maneira, a carência, a solidão, a dor selvagem, podem modificar-se, como ocorre amiúde.
Precata-te interiormente, agradecendo a Deus tudo que te ocorre e acende a sublime luz da alegria de amar no país do teu coração.
Frui as bênçãos do conhecimento, espalhando-as com os esfaimados de misericórdia, de oportunidade e de paz.
A jornada terrestre é caracterizada pelos acontecimentos inesperados.
Quem poderia imaginar que a multidão que recepcionou Jesus na entrada de Jerusalém seria a mesma que, em poucos dias, o apuparia e o levaria à cruz?
Resguarda-te na confiança em Deus e avança, crucificado ou liberto, vivenciando a sabedoria do amor para seres sempre livre.
Espírito Joanna de Ângelis. Psicografia de Divaldo Pereira Franco, na noite de 12 de dezembro de 2013, no Centro Espírita Caminho da Redenção, em Salvador, Bahia.  http://www.divaldofranco.com.br/mensagens.php?not=357