sábado, 9 de maio de 2015

Oração do Lar

 Mãezinha querida.
Sei que hoje serás reverenciada, com todas as Mães, em palácios festivos. Tribunas luminosas serão erguidas para elogios públicos. Entretanto, ansiava reencontrar-te, no templo do lar, que sustentaste com sacrifícios mudos.
Ouvi cânticos de profunda beleza, em louvor de teu nome, e atravessei larga fila de cartazes que te recordam na rua, mas venho rogar-te a canção de simplicidade e doçura com que me embalaste o berço.
Árvore generosa, que me abrigaste o ninho de esperança, ensina-me como pudeste resistir às tempestades que te sacudiram os ramos! Estrela, que me clareaste os passos primeiros, entre as sombras do mundo, conta-me o que fizeste para brilhar sem fadiga, na longa noite do sofrimento!...
Escutei muitos mestres e folheei muitos livros, no entanto, nenhum deles me falou tão intensamente de Deus quanto a linguagem silenciosa dos teus beijos de ternura e as letras divinas a transparecerem, inexplicadas, dos calos de trabalho que te marcam as mãos.
Associando-me às homenagens com que te honram lá fora, procuro inutilmente exprimir o amor que me inspiras e busco, em vão, externar reconhecimento e alegria, porque as palavras me desfalecem na boca... Quero proclamar que és a rainha, de nossa casa e tento envolver-te a cabeça cansada com as flores de meu carinho, contudo, vejo-te a coroa de lágrimas em forma de fios brancos e nada mais consigo dizer senão que sinto remorso, pensando nas dores e nas aflições que te dei.
Sim, Mãezinha! Há banquetes de regozijo que te esperam a melodia da bênção, mas desculpa se te rogo para ficares comigo no enternecimento do coração. Traze o pão pobre e alvo que me davas na infância, guarda-me no teu colo e repete, de novo, para que eu possa aprender:
"Pai nosso, que estás no Céu...”
pelo Espírito Meimei - Do livro: Mãe, Médium: Francisco Cândido Xavier.

Homenageando as Mães com "CELINA"

CELINA
Maria João De Deus
Quando elevamos ao céu nosso olhar suplicante, há para todos nós, os que se afligem na provação, uma carinhosa e compassiva Mãe que nos ampara e consola...
Compadece-se de nossa dor, contempla-nos com misericórdia e manda-nos então o anjo da sua bondade, para balsamizar nossos padecimentos...
É Celina, a suave mensageira da Virgem, a Mãe de todas as mães, o gênio tutelar da humanidade sofredora...
Quando o pranto aflora nos olhos das que são filhas e irmãs, das que são esposas e mães na Terra, no coração das quais, muitas vezes, se concentra a amargura, vem Celina e toma-as nos seus braços de névoa resplandecente e, através dos ouvidos da consciência, lhes diz com brandura:
“Veio a dor bater à vossa porta? Coragem... Não desanimeis nas ásperas lutas que objetivam vosso aprimoramento moral. Pensai n’Aquela que teve sua alma recortada de martírios, lacerada de sofrimentos, atormentada de angústias.
Ela se desvela do céu por todas aquelas almas que escolheram sua pegadas de Mãe amorosa e compassiva.
Foi ela que, escutando a oração de vossa fé, me enviou para que eu vos desse as flores de seu amor sacrossanto, portadoras da paz, da humildade e, sobretudo, da paciência: porque o acaso não existe e tudo na vida obedece a uma lei inteligente de causalidade que foge aos vossos olhos, que se sentem impossibilitados de ver toda a verdade: Tomai minhas mãos! Cumpri austeramente, fechai vossos olhos àquilo que pode obstar vossos passos para a luz e caminhai comigo. Os anos são minúsculas frações de tempo e, um dia, sem vos deterdes com o cansaço, chegareis ao pé d’Aquela que é vossa Mãe desvelada de todos os instantes!...”
E todas aquelas que ouvem, sentem-se sustentadas por braços tutelares, na noite escura das dores, e vertendo lágrimas amargosas, preparam-se e se iluminam na pedregosa senda da virtude para respirar os ares felizes do encantado país onde desabrocham os lírios maravilhosos da esperança!

“MÃE” – FRANCISCO CÂNDIDO XAVIER / ESPÍRITOS DIVERSOS

O CAMINHO

"Eu sou o caminho..." - Jesus - (JOÃO, 14:6.)
Há muita gente acreditando, ainda, na Terra, que o Cristianismo seja uma panacéia como tantas para a salvação das almas.
Para essa casta de crentes, a vida humana é um processo de gozar o possível no corpo de carne, reservando-se a luz da fé para as ocasiões de sofrimento irremediável.
Há decadência na carne? Procura-se o aconchego dos templos.
Veio a morte de pessoas amadas? Ouve-se uma ou outra pregação que auxilie a descida de lágrimas momentâneas.
Há desastres? Dobram-se os joelhos, por alguns minutos, e aguarda-se a intervenção celeste.
Usa-se a oração, em momentos excepcionais, à maneira de pomada miraculosa, somente aconselhável à pele, em ocasiões de ferimento grave.
A maioria dos estudantes do Evangelho parecem esquecer que o Senhor se nos revelou como sendo o caminho...
Não se compreende estrada sem proveito.
Abraçar o Cristianismo é avançar para a vida melhor.
Aceitar a tutela de Jesus e marchar, em companhia d’Ele, é aprender sempre e servir diariamente, com renovação incessante para o bem infinito, porque o trabalho construtivo, em todos os momentos da vida, é a jornada sublime da alma, no rumo do conhecimento e da virtude, da experiência e da elevação.
Zonas sem estradas que lhes intensifiquem o serviço e o transporte são regiões de economia paralítica.
Cristãos que não aproveitam o caminho do Senhor para alcançarem a legítima prosperidade espiritual são criaturas voluntariamente condenadas à estagnação.
XAVIER, Francisco Cândido. Vinha de Luz. Pelo Espírito Emmanuel. 14.ed. Rio de Janeiro, RJ: FEB, 1996. Capítulo 176.

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sexta-feira, 8 de maio de 2015

CARTA AS MÃES

                                                                  Casimiro Cunha
Minha irmã, se Deus te deu.
A luz da maternidade,
Deu-te a tarefa divina
Da renúncia e da bondade.

Busca imitar no caminho
A Rosa de Nazaré,
Irradiando o perfume
De amor, de humildade e fé.

Lembra sempre em tua estrada,
Que a paz de tua missão
É feita dessa ternura
Que nasce do coração.

Contempla em cada filhinho
Um luminoso sorriso
Da alegria dolorosa
Que te leva ao paraíso.

Porque, ser mãe, minha irmã,
É ser prazer sobre as dores,
É ser luz, embora a estrada.
Tenha sombras e amargores.

Ser mãe é ser a energia
Que domina os escarcéus,
É ser nas mágoas da Terra
Um sacrifício dos céus.

Pensa nisso e não duvides
Da grande misericórdia,
Que te deu na senda escura
A lâmpada da concórdia.

Ouve ainda. Tem cuidado
Com o teu próprio coração.
Não deixes que se transforme
O teu amor em paixão.

Muita vez, a mãe terrestre.
Em vez de salvar, condena,
Porque do amor que redime
Faz a paixão que envenena.

Há muitas mães nos Espaços
Chorando na desventura,
Os perigosos desvios
De sua imensa ternura.

Ama o filho de outra mãe
Qual se fora teu também,
E estarás santificado
Teu lar nas luzes do Bem.

Castiga amando o teu filho
Em teu carinho profundo.
Prefere o teu próprio ensino
Às tristes lições do mundo.

Recorda que está contigo
A missão de renovar,
De corrigir perdoando,
De esclarecer e ensinar.

Nos teus exemplos repousa
A esperança do Senhor,
Que há de salvar este mundo

Por meio de teu amor.

quinta-feira, 7 de maio de 2015

Momentos de Consciência

Como se pode distinguir o bem do mal?
O bem é tudo o que é conforme a lei de Deus; o mal, tudo o que lhe é contrário. Assim, fazer o bem é proceder de acordo com a lei de Deus. Fazer o mal é infringi-la.
(O livro dos Espíritos, de Allan Kardec).
O jovem imaturo deslumbrava-se com as constelações cintilantes no firmamento e planejava conquistá-las.
Quando os primeiros momentos de compreensão mais ampla lhe afloraram à mente, percebeu a impossibilidade de conseguir as galáxias, e achou possível conquistar a terra que lhe servia de mãe gentil. As lutas amadurecerem-no e as dificuldades aumentaram-lhe a visão da realidade, facultando-lhe a impossibilidade de lograr o anelado e, amando a pátria onde nascera, acreditou que a poderia conquistar. Empenhou-se no embate arriscado, ganhou posição social e poder, porém, a soma de decepções e amarguras fê-lo desistir do intento e ele pensou em conquistar a comunidade na qual se movimentava.
Injunções políticas favoreceram-no com os cargos elevados, e, quando o destaque parecia havê-lo premiado, as artimanhas da hostilidade dos grupos beligerantes derrubaram-no.
Mais amadurecido ainda e pensativo, voltou-se para a família, e, enquanto a velhice se acercava, ele se empenhou em conquistar o clã.
Os interesses díspares no lar e na prole expulsaram-no, porque ele já pesava na economia doméstica, superado, no conceito dos jovens sonhadores e ambiciosos quanto ele próprio o fora um dia...
Nesse momento ele teve consciência da sua realidade e, só então, entendeu a importância da conquistar-se a si mesmo.
Momentos de consciência!
Volúpia do prazer domina as massas, e as criaturas ansiosas tumultuam-se e agridem-se, precipitando-se inermes nos gozos exaustivos sem que saciem os desejos.
A onda de vulgaridade se avoluma e ameaça levar de roldão as construções enobrecedoras da sociedade.
Uma violenta quebra de valores favorece o receio da experiência honrada, abrindo espaço para o campeonato da insensatez e do crime.
A mudança de comportamento moral altera a escala do discernimento, ombreado com a sordidez e a promiscuidade.
Nesse sentido, há um receio pela eleição da existência saudável, da conduta moral. Exótico e agressivo substituem o belo e o pacífico, dificultando o discernimento em torno do real e do imaginário, do justo e do ignóbil.
Há carência de grandeza, de amor, de abnegação, nestes momentos da terra.
As grandes nações encontram-se conturbadas e os seus membros aturdidos.
Os povos de médio desenvolvimento apresentam-se ansiosos, inseguros.
Os países em crescimento, vitimados pela miséria econômica, experimentam a fome, as doenças calamitosas, o desemprego, a loucura, que se generalizam.
Em todos eles, no entanto, sobressaem a violência, a luxúria e a dissolução dos costumes.
A criatura agoniada, todavia, busca outros rumos de afirmação.
Está, porém, em a natureza humana, a necessidade da paz e o anelo pelo bem-estar.
Essa busca surge nos momentos de consciência, quando descobre as necessidades legítimas e sabe distingui-las no meio dos despautérios, do supérfluo e da desilusão.
Pensando nesses acontecimentos, que predominam nos vários segmentos da sociedade contemporânea, resolvemos escrever a presente obra.
Inspiramo-nos em “O Livro dos Espíritos” de Allan Kardec, que é um manancial de inexaurível sabedoria, repositório de lições libertadoras, de que necessitamos para o auto encontro, a auto iluminação.
O amadurecimento intelecto-moral faculta a consciência e esta propele para a verdade e a vida.
Selecionamos vinte temas e os examinamos sob a óptica da consciência que se apoia nos estudos do mestre lionês, propondo rotas de segurança a quem se disponha reflexionar neles.
Não tivemos a preocupação de seguir as questões em ordem crescente, antes selecionamos os temas e demos-lhes uma classificação especial, de modo a facultar mais amplas observações em torno da vida, da conduta e das experiências humanas.
Certamente não guardamos a presunção de crer que estamos acrescentando algo de novo aos estudiosos da criatura humana e do seu comportamento moral.
Alegra-nos a satisfação de oferecer um pouco do que temos em favor do homem novo, esforçado, consciente de que, empenhado na construção de um mundo mais feliz, a sua ambição deve ser a de conquistar-se a si mesmo e não aos outros.

Divaldo P. Franco - Momentos de Consciência - Pelo Espírito Joanna de Ângelis

Caridade e Esperança

Lembra-te da esperança para que a tua caridade não se faça incompleta.
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Darás ao faminto, não somente a côdea de pão que lhe mitigue a fome, mas também o carinho da palavra fraterna, com que se lhe restaurem as energias.
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Não apenas entregarás ao companheiro, abandonado à intempérie, a peça que te sobra ao vestiário opulento, mas agasalhá-lo-ás em teu sorriso espontâneo a fim de que se reerga e prossiga adiante, revigorado e tranquilo.
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Não olvides a paciência divina com que somos tolerados a cada hora.
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Qual acontece ao campo da natureza, em que o Sol mil vezes injuriado pela treva, mil vezes responde com a bênção da luz, dentro de nossa vida, assinalamos a caridade infinita de Deus, refazendo-nos a oportunidade de servir e aprender, resgatar e sublimar todos os dias.
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Não te faças palmatória dos próprios irmãos, aos quais deves a compreensão e a bondade de que recebes as mais elevadas quotas do Céu, na forma de auxílio e misericórdia, em todos os instantes da experiência.
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Não profiras maldição nem espalhes o tóxico da crítica, no obscuro caminho em que jornadeiam amigos menos ditosos, ainda incapazes de libertarem a si mesmos das algemas da ignorância.
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Recorda que Jesus nos chamou à senda terrestre para auxiliar e salvar, onde muitos já desertaram da confiança no eterno bem.
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Seja onde for e com quem for, atende à esperança para que o mundo conquiste a vitória a que se destina.
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Aliviar com azedume é alargar a ferida de quem padece e dar com reprimendas é envolver o socorro em repulsivo vinagre de desânimo ou desespero.
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À maneira de raio solar que desce à furna cada manhã, restaurando o império da luz, sem reclamação e sem mágoa, sê igualmente para os que te rodeiam a permanente mensagem do amor que tudo compreende e tudo perdoa, amparando e auxiliando sem descansar, porque somente pela força do amor alcançaremos a luz imperecível da vida.
Pelo Espírito Emmanuel
XAVIER, Francisco Cândido. Caridade. Espíritos Diversos. IDE.

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domingo, 3 de maio de 2015

Insatisfação e Utopias

 
A insatisfação responde pela presença de muitos males e sofrimentos no organismo social, gerando desequilíbrios que poderiam perfeitamente ser evitados.
Utilizando-se de mecanismos de evasão, a criatura evita assumir a própria realidade, elaborando modelos de fictícia felicidade, para os quais transfere as aspirações, produzindo os estados de inconformismo e de desgosto a que se aferra, perdendo as excelentes ocasiões de conhecer-se e plenificar-se.
Tais padrões passam então a ser-lhe metas, sempre improváveis de concretizarem-se, e mesmo quando consegue alcançar os patamares próximos, porque os seus são objetivos fantasiosos, mantém-se no mesmo estado de morbidez, de desajuste.
Pequenas características tornam-se-lhe fundamentais e detalhes que o diferenciam do que considera belo, saudável, estético e feliz adquirem alta importância, assim mantendo o condicionamento de desditoso.
De caráter rebelde e conduta perturbadora, despreza os recursos preciosos de que dispõe, anelando somente pelo que gostaria de ser, de ter, de parecer.
Aguarda, nesse clima de inconformação, um milagre que jamais lhe ocorrerá de fora para dentro, sem realizar o notável esforço de transformação de conceito, bem como a mudança de atitude de dentro para fora.
Aprofunda-te no autoconhecimento, redescobrindo-te.
És conforme te elaboraste na sucessão do tempo.
As tuas matrizes encontram-se no passado espiritual que não mais alcançarás. Entretanto, através de novos comportamentos alterarás o ritmo e as ocorrências da vida.
Examina-te e tem a coragem de enfrentar como te encontras, elaborando paradigmas e propostas reais que conseguirás alcançar.
A fuga de ti mesmo não leva a lugar algum, porquanto jamais te dissociarás da tua realidade.
Inicia um programa de autovalorização, analisando os fatos, conforme mereçam, ou não, consideração.
A nada, a ninguém culpes pelo que consideras insucessos.
A pessoa irresponsável, quando não se esforça para alterar o que pode ser modificado, transfere a responsabilidade para as circunstâncias que acredita más, as pessoas, ou culpa-se a si mesma, preferindo a queixa e a comiseração ao esforço profícuo. O tempo, o lugar, a sociedade, o governo, a inveja alheia, a competição malsã, a má sorte ou a sua fraqueza são os ingredientes para justificar a acomodação, o falso sofrimento de que se diz objeto.
Ruma na direção das estrelas.
Impõe novos conceitos à vida e trabalha por vivenciá-los de forma edificante.
Quem tem piedade de si mesmo, nega-se a receber ajuda do seu próximo.
O insatisfeito, além de ingrato, é rebelde e preguiçoso, que prefere as sombras da reclamação e do atraso, às claridades do progresso libertador.
Não te permitas utopias existenciais, partindo para a conquista de realizações legítimas.
FRANCO, Divaldo Pereira. Momentos de Saúde. Pelo Espírito Joanna de Ângelis. LEAL. Capítulo 8.

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Cobiça e Inveja

Na vida prática essas duas imperfeições da personalidade são muito confundidas, parecem a mesma coisa. A verdade é que devemos esforçar-nos para que não cultivemos nem uma nem outra.
Para ajudar o leitor a distingui-las, propomos o seguinte critério: cobiça é querer o que é do outro - bens, posses, coisas, situações. Inveja é não querer que o outro tenha - situação, prestígio, boa reputação, amor, boa imagem, vantagens, independentemente do fato de que ele não tendo, isso nos beneficie, ou não.
Se o leitor observar bem, verá que na maioria das circunstâncias, tando da cobiça quanto da inveja, nada resulta em nosso benefício, apenas frustração e prejuízo para o próximo, o que é uma flagrante violação da lei de amor que nos manda querer para os outros aquilo que quereríamos para nós.
Usamos, semanticamente, palavras com valores atenuados, que frequentemente transformam grandes imperfeições, tais como a ambição, a inveja e a cobiça, em "valores" sociais.
Ante uma informação de que alguém conseguiu algo de bom, lá vem um "se inveja matasse eu estaria morto", que é tomado como um cumprimento, um estímulo, mas que no fundo expressa muito frequentemente o que significa: eu gostaria de ter isso no seu lugar, você ganhou isso por sorte; por que não eu?
A ideia não é que você se torne santo de um dia para o outro, mas que seja a cada dia um pouco melhor, identificando condutas, problemas e dominando impulsos negativos.
Quando se vir ante um impulso de inveja ou cobiça, identifique claramente seu sentimento e procure corrigi-lo na hora, por palavras, sentimentoso ou atos corretivos.
José Yosan dos Santos Fonseca
Revista Reformador 2003

A Depressão à Luz do Espiritismo

No Evangelho de Mateus, cap. V, vv. 5, 6 e 10, e em Lucas, cap. VI, vv. 20 e 21, Jesus nos ensina que bem-aventurados serão os aflitos. Entendemos que Jesus felicita os sofredores por saber que o sofrimento, como aprendemos nas palavras sábias de Emmanuel, é a pedagogia divina a nos ensinar a busca dos procedimentos indicados para curarmos as doenças da alma.
Em o Evangelho segundo o Espiritismo, no cap. V, Kardec faz esmerado estudo sobre o porquê dos sofrimentos da humanidade na Terra e, no item 25 do mesmo capítulo, o Espírito François de Genève (Bordeus), com o título “A Melancolia”, analisa o tema escrevendo: “Sabeis por que uma tristeza indefinida às vezes se apossa de vossos corações e vos faz achar a vida tão amarga? É o vosso Espírito que aspira à felicidade e à liberdade e que, ligado ao corpo que lhe serve de prisão, consome-se em grandes esforços para libertar-se dele. Porém vendo que são inúteis, cai em desânimo, e, como o corpo sofre essa influência, a falta de energia, o abatimento e uma espécie de apatia se apoderam de vós, fazendo com que vos acheis infelizes”.
Essas informações de François precedem aos atuais estudos das ciências psíquicas que, atualmente com o diagnóstico de depressão, procuram dar explicações sobre as causas dos transtornos de humor que acometem a muitos nos dias atuais, sendo resultantes de distúrbios de ordem física. Esse mal que está sendo considerado como a doença do século, e que assola o sofrimento humano, merece ser estudado sob o enfoque espiritual em virtude da sua vinculação íntima a sintomas de ordem anímica, como veremos.
O Espiritismo, ensinando e provando a imortalidade da alma, nos traz luz sobre o tema, pois os amigos espirituais, propiciando ajuda aos sofredores, nos têm informado que antes da reencarnação, isto é, antes da nossa volta a uma nova vida na Terra, nesse intervalo, quando merecedores, somos assistidos por eles no preparo do regresso. Esse preparo consiste num como tratamento espiritual, visando ajudar-nos na nossa programação reencarnatória, quando somos orientados sobre aquilo de que necessitamos para o melhor aproveitamento dessa vida futura.
Estando ainda no mundo espiritual, tomamos conhecimento da felicidade relativa desfrutada por aqueles que já adquiriram méritos para assim se sentirem e constatamos que ainda sofremos em virtude das mazelas, das imperfeições, das faltas cometidas, que configuram o mal que carregamos e daí os sentimentos de falência espiritual e, então, de livre vontade, concordamos em aceitar viver as provas e expiações necessárias ao nosso progresso espiritual e quitação dos débitos do passado.
Com essa nova visão concebida pelo Espiritismo, com essa nova ótica, deduzimos, como ensina François, que a depressão nada mais é do que um estado de desilusão que acomete o Espírito encarnado, quando a voz da consciência e as tendências instintivas nos trazem à memória o compromisso assumido antes do retorno e buscamos a nossa recuperação perante nós próprios, e, não nos encontrando com forças para seguir o novo caminho programado, transformando mazelas em virtudes, e nos julgando incapazes e incompetentes, por nos dividirmos entre o homem velho que insiste em ser o que sempre foi e o homem novo que percebe ser necessário realizar as mudanças prometidas, nesse estado de espírito caímos em tristeza profunda, num abatimento constrangedor, desapontados com nós mesmos, contrariados e incapazes, sem coragem de conviver com as frustrações de não podermos ser como queremos e ter que aceitar a vida como ela está sendo e não como gostaríamos que fosse. Incompetentes para a cura desejada, caímos em desequilíbrio espiritual e daí a depressão que, tratada apenas com as drogas medicinais, não surte o efeito desejado e continua-se a sofrer, pelas causas já apontadas.
Focando o mesmo tema, Ermance Dufaux, no livro de sua autoria “Reforma Íntima sem Martírio”, psicografia de Wanderley S. de Oliveira, nos ensina: “Considerando o egoísmo como o hábito de ter nossos caprichos pessoais atendidos, a contrariedade é o preço que pagamos pelo esbanjamento do interesse individualista em milênios afora, mas igualmente, é o sentimento que nos fará refletir na necessidade de mudança em busca de uma postura ajustada com as Leis naturais da Vida”.
O Espiritismo é, portanto, a doutrina que vem ao encontro da Humanidade para mostrar que a depressão não é um castigo de Deus, mas, sim, um alerta a ensinar-nos a compreender porque ainda vivemos, neste momento, aqui na Terra.
Alertados, tomamos conhecimento das nossas necessidades e, nos munindo do discernimento para separar o bem do mal e de muita boa vontade para as mudanças necessárias em nossos sentimentos íntimos, é que conseguiremos superar as causas apontadas pela ciência médica com o diagnóstico de depressão.  
         Édo Mariani

O "Ponto de Deus" no Cérebro

No livro Missionários da Luz, psicografado por Francisco Cândido Xavier em 1945, portanto há 70 anos, André Luiz nos trouxe dados importantes a respeito de um corpúsculo pertencente ao cérebro, de forma oval, situado no sulco existente entre os corpos quadrigêmeos superiores, ao qual se atribuem funções endócrinas.
Referimo-nos à epífise, também conhecida como glândula pineal.
Da obra mencionada extraímos, a propósito dessa glândula, as informações seguintes:

1.) No exercício mediúnico de qualquer modalidade, a epífise desempenha o papel mais importante. Através de suas forças equilibradas, a mente humana intensifica o poder de emissão e recepção de raios peculiares à esfera espiritual. É na epífise que reside o sentido novo dos homens; todavia, na grande maioria deles, a potência divina dorme embrionária. (Missionários da Luz, cap. 1, pág. 16.)

2.) A função da epífise vai muito além do que relatam os livros médicos, que circunscrevem suas atribuições ao controle sexual no período infantil. Em realidade, a epífise não é um órgão morto, mas a glândula da vida mental, que acorda no organismo do homem, na puberdade, as forças criadoras e, em seguida, continua a funcionar, como o mais avançado laboratório de elementos psíquicos da criatura terrestre. (Obra citada, cap. 2, págs. 19 e 20.)

3.) A epífise preside aos fenômenos nervosos da emotividade, como órgão de elevada expressão no corpo etéreo. Ela é também conhecida dos Espíritos como glândula da vida espiritual do homem, possuindo ascendência sobre todo o sistema endocrínico e, ligada à mente através de princípios eletromagnéticos do campo vital, comanda as forças subconscientes sob a determinação direta da vontade. (Obra citada, cap. 2, págs. 20 e 21.)

4.) Segregando "unidades-força", a epífise é comparável a poderosa usina, que deve ser aproveitada e controlada no serviço de iluminação, refinamento e benefício da personalidade, e não relaxada em gasto excessivo do suprimento psíquico, nas emoções de baixa classe. É, pois, indispensável cuidar atentamente da economia de forças, no serviço honesto de desenvolvimento das faculdades superiores. É preciso preservar as energias psíquicas para engrandecimento do Espírito eterno. Jesus ensinou a virtude como esporte da alma. Daí a importância da renúncia e a grandeza da lei de elevação pelo sacrifício. O homem que pratica verdadeiramente o bem vive no seio de vibrações construtivas e santificantes da gratidão, da felicidade e da alegria. (Obra citada, cap. 2, págs. 23 a 25.)

Os anos passaram e eis que, várias décadas depois, apareceu nos meios acadêmicos uma proposta curiosa, a chamada Inteligência Espiritual, tema focalizado no livro QS: Inteligência Espiritual, de Danah Zohar e Ian Marshall, que defendem a ideia de que, além do QI (quociente intelectual) e do QE (quociente emocional), a inteligência humana também pode ser medida por meio da inteligência espiritual, o QS, o quociente fundamental de todos. O QS está ligado à necessidade humana de ter propósito e objetivo na vida. Ele seria o responsável pelo significado de nossa existência, pelo desenvolvimento dos valores éticos e crenças que vão nortear nossas ações no dia a dia. Conhecer o potencial do nosso QS e desenvolvê-lo nos permitirá alcançar metas com mais eficiência.

Segundo Danah Zohar, essa tese fundamenta-se em pesquisas levadas a efeito por cientistas de várias partes do mundo que descobriram o que está sendo chamado "Ponto de Deus" no cérebro, uma área que seria responsável pelas experiências espirituais das pessoas.
Será uma mera coincidência tal ideia com o que André Luiz escreveu 70 anos atrás a respeito da epífise – a glândula da vida espiritual?
É evidente que não. Trata-se, isso sim, da confirmação de que o cérebro é simples meio, precioso e delicado instrumento, do qual, quando se encontra reencarnada e, portanto, vinculada a um corpo material, a alma se vale para manifestar-se. Compondo-o, a epífise exerce nesse processo um papel relevante, como André Luiz informou na obra psicografada por Francisco Cândido Xavier, a que nos referimos.
Respondendo à pergunta “O que é inteligência espiritual?”, Danah Zoar, coautora do livro sobre a Inteligência Espiritual, respondeu: 

”É uma terceira inteligência, que coloca nossos atos e experiências num contexto mais amplo de sentido e valor, tornando-os mais efetivos. Ter alto quociente espiritual (QS) implica ser capaz de usar o espiritual para ter uma vida mais rica e mais cheia de sentido, adequado senso de finalidade e direção pessoal. O QS aumenta nossos horizontes e nos torna mais criativos. É uma inteligência que nos impulsiona. É com ela que abordamos e solucionamos problemas de sentido e valor. O QS está ligado à necessidade humana de ter propósito na vida. É ele que usamos para desenvolver valores éticos e crenças que vão nortear nossas ações.” 
De acordo com André Luiz, como dito linhas acima, é preciso preservar as energias psíquicas para engrandecimento do Espírito eterno, ideia que, na expressão utilizada pela filósofa americana, significaria usar o espiritual para ter uma vida mais rica e mais cheia de sentido, desenvolvendo, em consequência, valores éticos que nortearão a conduta da pessoa ao longo da existência.