quinta-feira, 19 de junho de 2014

Átomo Divino

Se você, leitor amigo, queimar lenha, observará vários fenômenos, que ocorrem na combustão:
• Chamas – o fogo a se expandir.
• Estalos – a água a ferver.
• Fumaça – o ar a se agitar.
• Cinzas – a terra a absorver.
Teríamos, portanto, quatro elementos primordiais:
Fogo, água, ar e terra.
Essa a teoria de Empédocles (490-430 a.C.), filósofo grego. Concebia que, a partir deles, ocorrem todos os fenômenos físicos e se formam os todos seres da Natureza, na fauna e na flora.
Deu o nome de raízes a esses elementos.
De suas combinações tudo nasceria e pereceria.
Empédocles pode ser considerado um precursor da teoria evolucionista de Charles Darwin (1809-1882), que situa o aparecimento do Homem como a culminância de longa jornada evolutiva.
Teve início com o esfriamento da crosta terrestre e o aparecimento de organismos elementares que se desenvolveram em complexidade ao longo de bilhões de anos, até atingir a complexidade necessária ao aparecimento do homo sapiens.
Para um arranjo melhor de sua teoria, faltou a Empédocles assimilar as idéias de Demócrito (460-370 a.C.), seu contemporâneo, que dizia ser a matéria constituída de microscópicas partículas – os átomos.
Ar, fogo, terra e água seriam arranjos atômicos e não elementos básicos da matéria.
***
Além de estudioso dos fenômenos naturais, Empédocles era uma alma sensível.
Guardava poética visão do Universo.
Imaginava que os quatro elementos combinam-se ou se separam, a partir de duas forças imutáveis – o amor e o ódio.
Representam a convergência e a divergência, o bem e o mal.
A Doutrina Espírita nos oferece uma visão mais realista.
Os fenômenos naturais, mesmo aqueles que implicam em desagregação, como a morte, não se subordinam aos embates de forças antagônicas, agregadoras ou desagregadoras.
Obedecem à regência de leis divinas, segundo os desígnios insondáveis do Criador.
Em O Livro dos Espíritos, Allan Kardec concebe, sob inspiração dos mentores que o assistiam, uma Lei de Destruição que é sinônimo de renovação.
A questão 728 esclarece:
Preciso é que tudo se destrua para renascer e se regenerar. Porque, o que chamais destruição não passa de uma transformação, que tem por fim a renovação e a melhoria dos seres vivos.
Nesse contexto, a única força desagregadora é o ser pensante da Criação, quando pretenda sobrepor-se aos desígnios divinos, enveredando por tortuosos caminhos de rebeldia.
Compromete-se, então, com sentimentos negativos como o ódio, a ambição, a inveja, o ciúme, passíveis de conturbar o ambiente em que se situa e aqueles com quem se relaciona.
Mas, ainda que detenha atilada inteligência e optando por guerrear a obra divina, assumindo a postura de um ser demoníaco, o Espirito jamais supera os limites de sua condição – a criatura diante do Criador, o relativo subordinado ao Absoluto.
***
Os átomos que compõem um pedaço de madeira podem arder em chamas, entrar em ebulição, difundir-se no ar, derramar-se em cinzas na terra, mas permanecerão íntegros em sua essência, aptos a compor outras formas.
Também o Espírito, ainda que se deixe arder em paixão, ferver em desatino, expandir-se em inconseqüência ou reduzir-se à indiferença, jamais perderá sua condição de átomo divino, destinado a brilhar na glória da Criação, sob as bênçãos de Deus.
Como tal, é regido por leis soberanas que disciplinam suas emoções e renovam suas idéias, reajustando seus caminhos e reconduzindo-o aos roteiros do Bem.
Assim, mesmo os seus desatinos acabarão por funcionar em seu próprio benefício, porquanto colherá sempre as conseqüências de suas iniciativas.
Aprenderá, à custa de sofrimentos e dores, a corrigir seus impulsos, ajustando-se à harmonia do Universo para atingir sua destinação suprema:
Co-participante na obra divina, filho perfeito de Deus!

Richard Simonetti - Livro Luzes no Caminho

quarta-feira, 18 de junho de 2014

Cidade Maravilhosa

A segunda capital do Brasil, Rio de Janeiro, é cantada e conhecida como a cidade maravilhosa. Aquela cheia de encantos mil.
E, verdadeiramente o é. Chegar àquela cidade e contemplar, à distância, o Cristo Redentor no alto do morro, é comovente.
E depois, se sucedem as praias, a natureza em total exuberância, a entrada da Baía de Guanabara, o mar beijando a orla...
Um verdadeiro encanto para quem tem olhos de ver e não se detém somente nas dificuldades que aquela metrópole, à semelhança de outras tantas, padece.
Talvez, por isso, aquele jovem de uma localidade do interior do Estado tenha se surpreendido, ao receber uma nota em que sua amiga se referia à cidade em que ele reside como maravilhosa.
Maravilhosa em quê?, redarguiu.
A cidade onde moro não é nenhuma metrópole, não tem nenhuma atração especial e o máximo que temos em beleza é a praça central, com alguns canteiros e bancos para desfrutar do sol.
A resposta que recebeu o deixou emocionado.
Amigo, para mim, o local onde moram os meus amigos, será sempre maravilhoso. Isso porque eu sei que, chegando ali, encontrarei as flores da amizade em ricos ramalhetes para me receber.
Sei que, passeando pelas ruas, poderei sentir o perfume dessa virtude que alimenta as nossas vidas exalando de cada coração.
Sei que, mesmo em dias de chuva e frio, encontrarei o calor dos seus abraços e o sol dos seus sorrisos.
Por isso, acredite, a sua cidade é maravilhosa. Ali residem você e outros tantos amigos, cujas fotos trago muito bem guardadas, no álbum do coração.
Quando viajo pelo mundo, quando chego às cidades onde ninguém me conhece e a ninguém conheço, tenho o cuidado de fechar os olhos e folhear esse precioso álbum.
As faces de cada um dos que residem nessa cidade passam pela minha memória e acalentam a minha soledade.
Sei então que não estou só. Os amigos distantes vibram por mim, me indagam de notícias, me enviam seu carinho em torpedos diários, em e.mails que chegam a horas perdidas da madrugada.
Existem sim, no mundo, localidades de espetacular beleza, que enchem os olhos com suas alamedas bem desenhadas, flores em abundância, jardins e praças esculturais.
Cidades que ofertam belezas naturais, com rios de águas cantantes, pontes de invejável arquitetura.
Cidades antigas que conservam o romantismo das ruelas estreitas, entre o casario de uma ou outra época. Cidades culturais, cidades modernas, de linhas arrojadas, edifícios que desafiam as alturas, monumentos extraordinários que honram a criatividade humana, sempre insuperável em suas manifestações.
Sim, já visitei muitas cidades e fotografei um número imenso de logradouros, museus, bibliotecas, pontes, riachos e concertos de cores da natureza.
Já fotografei obras de incalculável valor, que atestam como o homem é verdadeiramente esse ser que deixa seus traços de imortalidade nas expressões da arquitetura, da engenharia, da pintura, da escultura. Tantas e diversificadas concretizações da sua grandiosidade de filho de Deus.
Mas, de todas, a mais maravilhosa cidade das que já visitei, conheci, admirei é, sim, essa cidade onde estão os meus amigos.
Essa cidade onde estão os ramalhetes perfumados que me envolvem a alma em afagos, carinho e atenção.
Redação do Momento Espírita.

Em 01.03.2011

terça-feira, 17 de junho de 2014

O Patriotismo na Copa

Costumo referir-me que o Brasil se veste de verde e amarelo de 1460 em 1460 dias. Nesta época de toques personalizados muitas pessoas estão se "padronizando" estilo copa do mundo. Vejo muitos veículos com as bandeiras tremulando, as casas enfeitadas, as ruas coloridas, enfim vejo um patriotismo que só ocorre de quatro em quatro anos. Que pena!
Num país de tantas riquezas naturais, com uma diversidade cultural e étnica, com diversidade religiosa quase que nunca vista, num país continental onde "tudo que se planta dá", o Brasil é celeiro do mundo, reserva de água potável maior do planeta, no entanto não valorizamos tudo isso. Não faço aqui uma campanha contra a copa, seus méritos ou deméritos, porém o que penso que deveria ser constante é este orgulho brasileiro que se instala na época da copa do mundo. Gostaria de ver pessoas tendo orgulho de serem brasileiros sem que para isso a bola tivesse de rolar e a seleção brasileira entrasse em campo.
Costumeiramente ouvimos durante a vida toda muitos brasileiros maldizendo a Pátria do Cruzeiro, questionando seu papel como "coração do mundo e pátria do evangelho". Esta brasilidade que contagia neste momento estes milhões de técnicos e estrategistas de jogadas, bem que poderia se instalar em nosso psiquismo para valorizarmos e discutirmos o papel de nosso país frente aos desafios da nova era que o planeta começa a atravessar. Penso que em cada dia, a cada minuto temos o dever de expressar nossa gratidão por estarmos renascidos no Brasil, por reconstruirmos nossos caminhos nesta "pátria mãe gentil" que nos fornece a oportunidade de crescermos para avançar na escala evolutiva e por consequência ajudarmos esse país a crescer também.
Realmente desejo ver o dia em que nossa pátria veja seus filhos vestirem a alma de verde e amarelo para saudarem cada brasileiro que foi mártir da desigualdade social, cada mãe que viu seu filho partir pelas vias do tráfico, cada criança abandonada à própria sorte enfim, sonho num Brasil que seja para os brasileiros e com brasileiros que amem e abençoem seu Brasil e tudo que nele existe, independente da copa.
Jefferson Leite
http://www.forumespirita.net/fe/accao-do-dia/o-patriotismo-na-copa/#ixzz34w4R4xwH

quarta-feira, 11 de junho de 2014

Consequências do sofrimento

Existem pessoas muito amargas no Mundo. Pessoas que parecem ter se tornado indiferentes à dor alheia, às dificuldades que tantos enfrentam.
Fechadas em si mesmas, essas pessoas somente exteriorizam a mágoa que as atormenta.
Por mais familiares ou amigos as envolvam em manifestações de afeto, de consideração, elas persistem na sua posição.
Afirmam que foram muito feridas, receberam traições, sofreram em demasia e, por isso, ficaram assim.
Contudo, há de se considerar que, em verdade, a causa da sua amargura não são as dores eventualmente experimentadas, desde que muitas pessoas sofreram muito mais do que elas e não têm essa mesma reação.
Recordamos do exemplo da paquistanesa Mukhtar Mai.
A jovem paquistanesa, para atender uma desavença tribal, mereceu a penalidade da violência sexual, por vários homens do clã que se considerou ofendido.
Sua história ganhou as manchetes. Tudo porque essa jovem corajosa, em vez de se entregar ao desespero, resolveu lutar por seus direitos.
Direitos humanos. Direitos de mulher.
Sabedora de que centenas de mulheres, em seu país, se suicidam, todos os anos, depois de passarem por situações semelhantes à sua, ou outras violências, resolveu agir.
Analfabeta e pobre, a partir de valores que lhe foram dados pelo governo paquistanês, em um acordo histórico, ela abriu uma escola para meninas.
Seu objetivo é que as futuras gerações de mulheres, em seu país, não cresçam analfabetas como ela e venham a ser vítimas indefesas de toda forma de barbárie.
Diretora de escola, foi eleita mulher do ano nos Estados Unidos, em 2005.
Em março de 2007, o Conselho Europeu outorgou a ela o North-South Prize de 2006, pela contribuição notável aos direitos humanos.
É ela mesma, Mukhtar Mai quem diz: Se eu ficasse em casa chorando e me lamentando pelo meu destino, não poderia mais me olhar no espelho.
Às vezes, fico sufocada de indignação. Mas nunca perco a esperança.
Minha vida tem um sentido. Minha infelicidade tornou-se útil para a comunidade.
Todos os dias eu ouço as meninas recitarem suas lições, correrem, conversarem no pátio e rirem.
Todas essas vozes me reconfortam, alimentam minha esperança.
Essa escola tinha de ser criada, e eu continuarei a lutar por ela.
Daqui a alguns anos, essas menininhas já terão suficientes ensinamentos escolares para enfrentar a vida de uma outra maneira, espero.
Luto por mim mesma e por todas as mulheres vítimas de violência em meu país.
Ao defender meus direitos de ser humano, lutando contra o princípio da justiça tribal que se opõe à lei oficial, tenho a convicção de estar apoiando as intenções da política de meu país.
Se pelos estranhos caminhos do destino posso ajudar, desse modo, o meu país e o seu governo, é uma grande honra.
Que Deus proteja minha missão.
* * *
Pensemos no exemplo e nas palavras da paquistanesa, que continua aguardando por justiça, sem deixar de lutar pelo bem geral.
Pensemos e, ante as dores que nos cheguem, decidamos pela melhor ação: aproveitar integralmente a lição, a oportunidade, o momento.
Utilizemos a dor a nosso favor e, se possível, de todos os demais que conosco privam das bênçãos deste lar chamado Terra.

Redação do Momento Espírita, com base no livro Desonrada, de Mukhtar Mai, ed. BestSeller.

terça-feira, 10 de junho de 2014

Fenômenos Inexoráveis

Vês definhar o ser querido, que a enfermidade implacável consome.
Preocupas-te e disfarças a tua agonia, ante o inexorável acontecimento.
Anotas o nome de pessoa querida que a desencarnação violenta arrebatou, e tens o coração dorido.
Oras, em silêncio, sem que ninguém saiba o que experimentas em forma de melancolia.
Recebes informação sobre acontecimentos rudes, afetando corações afetuosos que são convidados a dores extenuantes.
Padeces choque emocional, constatando a tua carência de recursos diante de tão graves provações.
Chega-te o apelo angustiado de amigos queridos, que despertam na soledade ante as infaustas partidas daqueles a quem amam.
Constatas a precariedade da existência física e sofres calado, embora sorrindo.
Defrontas os companheiros da juventude, agora deformados, combalidos, sem rumo.
Nublam-se-te os olhos com lágrimas que não deixas cair, a fim de que ninguém perceba a tua compunção.
Multiplicam-se, em toda parte, as enfermidades mutiladoras, debilitantes, perturbadoras, que acometem os seres vivos e dilaceram as criaturas humanas, deixando vazios terríveis nos corações.
Não te desalentes, porém.
A desencarnação é etapa final do fenômeno biológico, e ninguém se eximirá de experimentá-la.
Não te entristeças ante os infortúnios e padecimentos daqueles a quem amas.
Canta, aos ouvidos desses que padecem, a canção da imortalidade, acenando-lhes com a esperança de libertação próxima que virá.
Dize-lhes que a existência corporal é veste que dura um dia, e a dor é fenômeno de desgaste que descerra a luz guardada no íntimo.
Felizes os que sabem sofrer.
Bem-aventurados aqueles que expungem na Terra.
Se a estância é breve na matéria, o estágio libertador é longo e abençoado.
Anima os que se dilaceram nas enfermidades consumidoras, irradiando-lhes as alegrias com que se inundarão de coragem para sublimar-se.
Reflexiona com eles sobre a realidade da existência humana e o que a todos aguarda após a morte.
Nenhuma dor que permaneça sem termo.
A morte é, portanto, dádiva de Deus, para interromper os ciclos afligentes.
Raciocina, examinando a vida sob o ponto de vista espiritual, e tudo se modificará.
Sentir-te-ás feliz, então, vendo os amigos em processo de libertação, antegozando as alegrias que os esperam, por tua vez, a ti também aguardando.
Jesus, sadio e puro, ensinando o e confirmando a imortalidade, aceitou espontaneamente, a traição de um amigo, a negação de outro, o abandono de quase todos, e, sofrendo, sem desanimar, permaneceu tranquilo, tal a Sua certeza, que nos legou, do triunfo da vida além da morte e da noite humana.
Assim, reflexiona e deixa-te dominar pela fé na imortalidade, verificando que, nesta condição, tudo se altera e passa a ter nova e ditosa configuração.
FRANCO, Divaldo Pereira. Momentos de Felicidade. Pelo Espírito Joanna de Ângelis. LEAL. Capítulo 2.

http://ceacs.wordpress.com  ( Centro Espírita Amor e Caridade Santarritense) – 03/06/2014 

domingo, 8 de junho de 2014

Conta-se que Sócrates, filósofo grego , gostava de descansar a cabeça percorrendo  o centro comercial de Atenas. Quando vendedores o assediavam, ele respondia: "Estou apenas observando quanta coisa existe de que não preciso para ser feliz!"
O que se passa atualmente na sociedade é uma assustadora e incontida febre de consumo que atinge praticamente todas as camadas sociais , mesmo as menos providas de recursos excedentes , as quais muitas das vezes se endividam e complicam sobremaneira a existência pela posse de mercadorias que  não são exatamente o que necessitam. E não só se endividam , mas inclusive às vezes até se prestam a procedimentos ilegais para a obtenção de todo tipo de supérfluos.
A mídia irresponsável bombardeia incessantemente a mente das pessoas, em sua maioria despreparadas para exercer escolhas criteriosas ; os empresários e comerciantes gananciosos  servem-se de artimanhas e artifícios os mais ardilosos e mesmo impiedosos, criando imagens de vida supostamente feliz e de sucesso somente quando assentada sobre o excesso de coisas, de bens materiais , de padrões de beleza artificial, de prazeres mundanos e físicos os mais extravagantes.
E, em meio a isso tudo, as criaturas correm de um lado para o outro, na busca frenética para ganhar um pouco ( ou muito) mais , cada vez mais angustiadas pelo ter , pela posse daquilo que na véspera , ou até no mesmo dia, a televisão, a internet etc . preconizam como último modelo disso ou daquilo absolutamente indispensável.
E assim, essas mesmas criaturas não vivem, não percebem o raio de sol que cintila na folha úmida de uma árvore ao passarem apressadas ; outras, encerradas em seus prédios ou carros de vidros negros nem sequer se dão conta de que há sol do outro lado daqueles vidros  que lhes escondem o mundo que pulsa e  vibra lá fora . E, pior ainda, em muitos casos, muitas dessas , quais sejam, levantam os olhos de seus celulares , iPhones ,iPads  iEtc. para olhar diretamente nos olhos de outra criatura, sorri-lhes, tocá-las num aperto de mão, num abraço, muitas vezes nem mesmo daquelas que declaravam ser seus entes queridos.
Encontramos em nossa Doutrina Espírita farto material para nos imunizarmos contra essa pandemia - no Livro dos Espíritos, questão 714, quando Kardec pergunta "Que pensar do homem que procura nos excessos de toda espécie um refinamento de seu gozos", os Espíritos superiores esclarecem: "Pobre  criatura , que devemos lastimar e não invejar porque está bem próximo da morte !" À questão seguinte, 714a, se ele está próximo da morte física ou moral, a resposta é: "De  uma e de outra". E o comentário de Kardec que se segue é extremamente claro e mesmo contundente: "O homem que procura nos excessos de toda espécie um refinamento dos gozos coloca-se abaixo  dos animais ,´porque estes sabem limitar-se à satisfação de suas necessidades .Ele abdica da razão que Deus lhe deu como guia , e quanto maiores forem os seus excessos, maior é o império que ele concede à sua natureza animal sobre a espiritual. As doenças, a decadência, a morte mesmo , que são consequência do abuso , são também a punição  da transgressão da lei de Deus".
Ainda no Livro dos Espíritos, a obra basilar da Doutrina Espírita, na quarta parte, ao tratar  do tema Felicidade e Infelicidade Relativas, os amigos espirituais  nos ensinam que, na Terra, ainda não é possível a felicidade completa, mas que podemos abrandar os males e ser relativamente felizes ; que, na maioria das vezes, é o homem o artífice de sua própria infelicidade; que a medida comum de felicidade possível a  todos é : para vida material ,a posse do necessário; para a vida moral, a consciência pura e a fé no futuro. Kardec então, conhecedor de nossos argumentos e desculpismos , pergunta: "mas ,segundo a posição, o que seria supérfluo para um, não se tornaria necessário para outro?' E a resposta é taxativa : "Sim, de acordo com as vossas ideias materiais , os vossos preconceitos, vossa ambição , e todos os vossos caprichos ridículos , para os quais o futuro fará justiça, quando tiverdes a compreensão de verdade".
Que dizer, como pretextar seja o que for , quando a seguir a Espiritualidade Maior ainda assevera: "os males deste mundo estão na razão das necessidades artificiais que criais para vós mesmos (...)O mais rico é aquele que tem menos necessidades".
E essa assertiva nos remete de volta a Sócrates, considerado em nosso Evangelho Segundo o Espiritismo como o precursor do Cristianismo e do Espiritismo, tal a sua envergadura espiritual e moral, ao considerarmos com a devida atenção sua declaração acima transcrita : "quanta coisa existe de que não preciso para ser feliz!" Declaração essa de que podemos perfeitamente nos servir e, melhor ainda , colocar em prática. Certamente seremos todos bem mais felizes, já neste mundo, aqui e agora!
Texto de Doris Gandres . Publicado no jornal Correio Espírita de abril de 2014.

Sem desânimo

Se você deixou de trabalhar, entrando em desânimo, examine o tráfego numa rua simples.
Ônibus, automóveis, caminhões, ambulâncias e viaturas diversas passam em graus de velocidade diferente, cumprindo as tarefas que lhes foram assinaladas.
Nenhum veículo segue sem objetivo e sem direção.
Observe, porém, o carro parado, fora da pista.
Além de constituir uma tentação para malfeitores e um perigo no trânsito, é também um peso morto na economia geral, porquanto foge do bem que lhe cabe fazer.
Entretanto, se o dono resolve recuperá-lo, aparecem, de pronto, motoristas abnegados, que se empenham a socorrê-lo.
Considera a lição e não gaste o seu tempo, acalentando enguiços na própria alma, que farão de você um trambolho para os corações queridos que lhe partilham a marcha.
Qual acontece ao veículo mais singelo, você pode perfeitamente auxiliar nos caminhos da vida, arrancar um companheiro dessa ou daquela dificuldade, carregar um doente, transportar uma carta confortadora, entregar um remédio ou distribuir alimento.
Se você quiser, realmente, largar o cantinho da inércia, rogue amparo aos Espíritos Benevolentes e Sábios que funcionam, caridosamente, na condição de mecânicos da Providência Divina, e eles colaborarão com você, mas para que isso aconteça, é preciso, antes de tudo, que você pense em servir, dispondo-se a começar.
Pelo Espírito André Luiz
XAVIER, Francisco Cândido. Paz e Renovação. Espíritos Diversos. CEC.

* * * Estude Kardec * * *

sábado, 7 de junho de 2014

Solidão

Espectro cruel que se origina nas paisagens do medo, a solidão é , na atualidade, um dos mais graves problemas que desafiam a cultura e o homem.
A necessidade de relacionamento humano, como mecanismo de afirmação pessoal, tem gerado vários distúrbios de comportamento, nas pessoas tímidas, nos indivíduos sensíveis e em todos quantos enfrentam problemas para um intercâmbio de idéias, uma abertura emocional, uma convivência saudável.
Enxameiam, por isso mesmo, na sociedade, os solitários por livre opção e aqueloutros que se consideram marginalizados ou são deixados à distancia pelas conveniências dos grupos.
A sociedade competitiva dispõe de pouco tempo para a cordialidade desinteressada, para deter-se em labores a benefício de outrem.
O atropelamento pela oportunidade do triunfo impede que o indivíduo, como unidade essencial do grupo, receba consideração e respeito ou conceda ao próximo este apoio, que gostaria de fruir.
A mídia exalta os triunfadores de agora, fazendo o panegírico dos grupos vitoriosos e esquecendo com facilidade os heróis de ontem, ao mesmo tempo que sepultam os valores do idealismo, sob a retumbante cobertura da insensatez e do oportunismo.
O homem, no entanto, sem ideal, mumifica-se. O ideal é-lhe de vital importância, como o ar que respira.
O sucesso social não exige, necessariamente, os valores intelecto-morais, nem o vitalismo das idéias superiores, antes cobra os louros das circunstâncias favoráveis e se apóia na bem urdida promoção de mercado, para vender imagens e ilusões breves, continuamente substituídas, graças á rapidez com que devora as suas estrelas.
Quem, portanto, não se vê projetado no caleidoscópio mágico do mundo fantástico, considera-se fracassado e recua para a solidão, em atitude de fuga de uma realidade mentirosa, trabalhada em estúdios artificiais.
Parece muito importante, no comportamento social, receber e ser recebido, como forma de triunfo, e o medo de não ser lembrado nas rodas bem sucedidas, leva o homem a estados de amarga solidão, de desprezo por si mesmo.
O homem faz questão de ser visto, de estar cercado de bulha, de sorrisos embora sem profundidade afetiva, sem o calor sincero das amizades, nessas áreas, sempre superficiais e interesseiras. O medo de ser deixado em plano secundário, de não ter para onde ir, com quem conversar, significaria ser desconsiderado. Atirado à solidão.
Há uma terrível preocupação para ser visto, fotografado, comentado, vendendo saúde, felicidade, mesmo que fictícia.
A conquista desse triunfo e a falta dele produzem solidão.
O irreal, que esconde o caráter legítimo e as lídimas aspirações do ser, conduz à psiconeurose de autodestruição.
A ausência do aplauso amargura, face ao conceito falso em torno do que se considera, habitualmente como triunfo.
Há terrível ânsia para ser-se amado, não para conquistar o amor e amar, porém para ser objeto de prazer, mascarado de afetividade. Dessa forma, no entanto, a pessoa se desama, não se torna amável nem amada realmente.
Campeia, assim, o "medo da solidão", numa demonstração caótica de instabilidade emocional do homem, que parece haver perdido o rumo, o equilíbrio.
O silêncio, o isolamento espontâneo, são muito saudáveis para o indivíduo, podendo permitir-lhe reflexão, estudo, auto- aprimoramento, revisão de conceitos perante a vida e a paz interior.
O sucesso, decantado como forma de felicidade, é, talvez, um dos maiores responsáveis pela solidão profunda.
Os campeões de bilheteira, nos shows, nas rádios, televisões e cinemas, os astros invejados, os reis dos esportes, dos negócios, cercam-se de fanáticos e apaixonados, sem que se vejam livres da solidão.
Suicídios espetaculares, quedas escabrosas nos porões dos vícios e dos tóxicos comprovam quanto eles são tristes e solitários. Eles sabem que o amor, com que os cercam, traz, apenas, apelos de promoção pessoal dos mesmos que os envolvem, e receiam os novos competidores que lhes ameaçam os tronos, impondo-lhes terríveis ansiedades e inseguranças, que procuram esconder no álcool, nos estimulantes e nos derivativos que os mantém sorridentes, quando gostariam de chorar, quão inatingidos, quanto se sentem fracos e humanos.
A neurose da solidão é doença contemporânea, que ameaça o homem distraído pela conquista dos valores de pequena monta, porque transitórios.
Resolvendo-se por afeiçoar-se aos ideais de engrandecimento humano, por contribuir com a hora vazia em favor dos enfermos e idosos, das crianças em abandono e dos animais, sua vida adquiriria cor e utilidade, enriquecendo-se de um companheirismo digno, em cujo interesse alargar-se-ia a esfera dos objetivos que motivam as experiências vivenciais e inoculam coragem para enfrentar-se, aceitando os desafios naturais.
O homem solitário, todo aquele que se diz em solidão, exceto nos casos patológicos, é alguém que se receia encontrar, que evita descobrir-se, conhecer-se, assim ocultando a sua identidade na aparência de infeliz, de incompreendido e abandonado.
A velha conceituação de que todo aquele que tem amigos não passa necessidades, constitui uma forma desonesta de estimar, ocultando o utilitarismo sub-reptício, quando o prazer da afeição em si mesma deve ser a meta a alcançar-se no inter-relacionamento humano, com vista à satisfação de amar.
O medo da solidão, portanto, deve ceder lugar à confiança nos próprios valores, mesmo que de pequenos conteúdos, porém significativos para quem os possui.
Jesus, o Psicoterapeuta Excelente, ao sugerir o "amor ao próximo como a si mesmo" após o "amor a Deus" como a mais importante conquista do homem, conclama-o a amar-se, a valorizar-se, a conhecer-se, de modo a plenificar-se com o que é e tem, multiplicando esses recursos em implementos de vida eterna, em saudável companheirismo, sem a preocupação de receber resposta equivalente.
O homem solidário, jamais se encontra solitário.
O egoísta, em contrapartida, nunca está solícito, por isto, sempre atormentado.
Possivelmente, o homem que caminha a sós se encontre mais sem solidão, do que outros que, no tumulto, inseguros, estão cercados, mimados, padecendo disputas, todavia sem paz nem fé interior.
A fé no futuro, a luta por conseguir a paz intima - eis os recursos mais valiosos para vencer-se a solidão, saindo do arcabouço egoísta e ambicioso para a realização edificante onde quer que se esteja.
FRANCO, Divaldo Pereira. O Homem Integral. Pelo Espírito Joanna de Ângelis. LEAL.

* * * Estude Kardec * * *

terça-feira, 3 de junho de 2014

Diante do Senhor

“Por que não entendeis a minha linguagem? Por não poderdes ouvir a minha palavra.” – Jesus. (João, 8:43.)
A linguagem do Cristo sempre se afigurou a muitos aprendizes indecifrável e estranha.
Fazer todo o bem possível, ainda quando os males sejam crescentes e numerosos.
Emprestar sem exigir retribuição.
Desculpar incessantemente.
Amar os próprios adversários.
Ajudar aos caluniadores e aos maus.
Muita gente escuta a Boa Nova, mas não lhe penetra os ensinamentos.
Isso ocorre a muitos seguidores do Evangelho, porque se utilizam da força mental em outros setores.
Crêem vagamente no socorro celeste, nas horas de amargura, mostrando, porém, absoluto desinteresse ante o estudo e ante a aplicação das leis divinas. A preocupação da posse lhes absorve a existência.
Reclamam o ouro do solo, o pão do celeiro, o linho usável, o equilíbrio da carne, o prazer dos sentidos e a consideração social, com tamanha volúpia que não se recordam da posição de simples usufrutuários do mundo em que se encontram e nunca refletem na transitoriedade de todos os patrimônios materiais, cuja função única é a de lhes proporcionar adequado clima ao trabalho na caridade e na luz, para engrandecimento do espírito eterno.
Registram os chamamentos do Cristo, todavia, algemam furiosamente a atenção aos apelos da vida primária.
Percebem, mas não ouvem.
Informam-se, mas não entendem.
Nesse campo de contradições, temos sempre respeitáveis personalidades humanas e, por vezes, admiráveis amigos.
Conservam no coração enormes potenciais de bondade, contudo, a mente deles vive empenhada no jogo das formas perecíveis.
São preciosas estações de serviço aproveitável, com o equipamento, porém, ocupado em atividades mais ou menos inúteis.
Não nos esqueçamos, pois, de que é sempre fácil assinalar a linguagem do Senhor, mas é preciso apresentar-lhe o coração vazio de resíduos da Terra, para receber-lhe, em espírito e verdade, a palavra divina.
Livro : Fonte Viva – Francisco C. Xavier – Espírito Emmanuel

http://ceacs.wordpress.com ( Centro Espírita Amor e Caridade Santarritense) – 28/05/2014

Amo Você

Depois de vinte e um anos de casado, descobri uma nova maneira de manter viva a chama do amor.
Há pouco tempo decidi sair com outra mulher. Na realidade foi ideia da minha esposa.
Você sabe que a ama, disse ela. A vida é muito curta. Você deve dedicar um tempo para essa mulher.
Mas amo você, eu respondi.
Eu sei. Mas, também a ama. Tenho certeza disso.
A outra mulher, a quem se referia minha esposa, era minha mãe, que eu visitava ocasionalmente, desde que ela enviuvara, há dezenove anos.
Naquela noite, a convidei para jantar e ir ao cinema. Antes de dizer que aceitava, ela foi perguntando:
O que você tem? Você está bem?
Minha mãe é o tipo de mulher que acredita que uma chamada tarde da noite, ou um convite surpresa é sinal de más notícias.
Sosseguei-a, dizendo que simplesmente queria sair com ela, passar algum tempo juntos, só nós dois.
Depois de alguns dias, fui apanhá-la após meu expediente. Estava um tanto nervoso. Nervosismo de um primeiro encontro. E, coisa interessante, pude observar que ela também estava muito emocionada.
Estava me esperando na porta. Havia feito um penteado e usava o vestido com que comemorara seu último aniversário de casamento. Seu rosto sorria e irradiava luz.
Enquanto subia no carro, comentou:
Disse a minhas amigas que ia sair com você e ficaram muito impressionadas.
Fomos a um restaurante aconchegante. Minha mãe se agarrou ao meu braço como se fosse a primeira dama. Quando nos sentamos, tive que ler para ela o menu.
Seus olhos só conseguiam enxergar letras e figuras muito grandes. Fui lendo os nomes dos pratos e, quando levantei os olhos, ela estava sentada do outro lado da mesa e me olhava fixamente. Um sorriso saudoso se desenhava em seus lábios.
Quando você era pequeno, falou, era eu quem lia o menu.
Então é hora de relaxar e me permitir devolver o favor, respondi.
Durante o jantar conversamos muito. Nada extraordinário. Só fomos colocando em dia a vida um para o outro. Falamos tanto que perdemos o horário do cinema.
Quando a deixei em casa, ela comentou:
Só sairei com você outra vez se me deixar fazer o convite.
Concordei, é claro e, quando cheguei em casa disse à minha esposa que a noite tinha sido muito mais agradável do que eu imaginara.
Dias mais tarde, minha mãe morreu de um infarto. Tudo foi muito rápido. Não pude fazer nada.
Depois de algum tempo, recebi um envelope com cópia de um cheque do restaurante onde havíamos jantado, minha mãe e eu. Junto, uma nota dizia:
Paguei um jantar antecipado. Estava certa de que não poderia estar com você outra vez. Paguei um jantar para você e sua esposa.
Você jamais poderá entender o que aquela noite significou para mim. Amo muito você.
Nesse momento, compreendi a importância de dizer amo você e de dar a nossos entes queridos o espaço que merecem.
Nada na vida será mais importante do que o amor.
Enquanto você segue cantando, fale a quem acompanha os seus passos que você o ama.
Enquanto cultiva o jardim do afeto, perfume a vida de quem você ama com as expressivas flores do carinho e da ternura.
Não deixe para mais tarde. Amanhã, poderá acontecer que o canto morra em sua garganta, que a chuva inunde o jardim das suas alegrias ou que as flores do amor murchem por absoluta falta de atenção.
Por Redação do Momento Espírita, com base em texto de autoria ignorada. Do site: http://www.momento.com.br/pt/ler_texto.php?id=4123&stat=0