quinta-feira, 17 de agosto de 2017

Instrução dos Espíritos

INSTRUÇÃO DOS ESPÍRITOS
12. Homens, por que vos queixais das calamidades que vós mesmos amontoastes sobre as vossas cabeças? Desprezastes a santa e divina moral do Cristo; não vos espanteis, pois, de que a taça da iniquidade haja transbordado de todos os lados. Generaliza-­se o mal ­estar.
A quem inculpar, senão a vós que incessantemente procurais esmagar-vos uns aos outros?
Não podeis ser felizes, sem mútua benevolência; mas, como pode a benevolência coexistir com o orgulho? O orgulho, eis a fonte de todos os vossos males.
Aplicai-vos, portanto, em destruí­-lo, se não lhe quiserdes perpetuar as funestas consequências.
Um único meio se vos oferece para isso, mas infalível: tomardes para regra invariável do vosso proceder a lei do Cristo, lei que tendes repelido ou falseado em sua interpretação. Por que haveis de ter em maior estima o que brilha e encanta os olhos, do que o que toca o coração?
Por que fazeis do vício na opulência objeto das vossas adulações, ao passo que desdenhais do verdadeiro mérito na obscuridade?
Apresente­-se em qualquer parte um rico debochado, perdido de corpo e alma, e todas as portas se lhe abrem, todas as atenções são para ele, enquanto ao homem de bem, que vive do seu trabalho, mal se dignam todos de saudá-lo com ar de proteção.
Quando a consideração dispensada aos outros se mede pelo ouro que possuem ou pelo nome de que usam, que interesse podem eles ter em se corrigirem de seus defeitos?
Dar­-se­-ia o inverso, se a opinião geral fustigasse o vício dourado, tanto quanto o vício em andrajos; mas, o orgulho se mostra indulgente para com tudo o que o lisonjeia. Século de cupidez e de dinheiro, dizeis. Sem dúvida; mas por que deixastes que as necessidades materiais sobrepujassem o bom­ senso e a razão? Por que há de cada um querer elevar-­se acima de seu irmão? Desse fato sofre hoje a sociedade as consequências. Não esqueçais que tal estado de coisas é sempre sinal certo de decadência moral.
Quando o orgulho chega ao extremo, tem­-se um indício de queda próxima, porquanto Deus nunca deixa de castigar os soberbos.
Se por vezes consente que eles subam, é para lhes dar tempo à reflexão e a que se emendem, sob os golpes que de quando em quando lhes desfere no orgulho para adverti-los.
Mas, em lugar de se humilharem, eles se revoltam. Então, cheia a medida, Deus os abate completamente e tanto mais horrível lhes é a queda, quanto mais alto hajam subido.
Pobre raça humana, cujo egoísmo corrompeu todas as sendas, toma novamente coragem, apesar de tudo. Em sua misericórdia infinita, Deus te envia poderoso remédio para os teus males, um inesperado socorro à tua miséria.
Abre os olhos à luz: aqui estão as almas dos que já não vivem na Terra e que te vêm chamar ao cumprimento dos deveres reais.
Eles te dirão, com a autoridade da experiência, quanto as vaidades e as grandezas da vossa passageira existência são mesquinhas a par da eternidade. Dir-­te-­ão que, lá, o maior é aquele que haja sido o mais humilde entre os pequenos deste mundo; que aquele que mais amou os seus irmãos será também o mais amado no céu; que os poderosos da Terra, se abusaram da sua autoridade, ver-­se-­ão reduzidos a obedecer aos seus servos; que, finalmente, a humildade e a caridade, irmãs que andam sempre de mãos dadas, são os meios mais eficazes de se obter graça diante do Eterno.
Adolfo, bispo de Argel. (Marmande, 1862)
Cap. 7 – Bem-Aventurados os Pobres de Espíritos

O Evangelho Segundo o Espiritismo  

Soldados que retornaram da guerra

O LIVRO DOS ESPÍRITOS - ALLAN KARDEC
742 Qual é a causa que leva o homem à guerra?
– Predominância da natureza selvagem sobre a espiritual e satisfação das paixões. No estado de barbárie, os povos conhecem apenas o direito do mais forte; é por isso que a guerra é para eles um estado normal. Contudo, à medida que o homem progride, ela se torna menos freqüente, porque evita as suas causas, e quando é inevitável sabe aliar à sua ação o sentimento de humanidade.
743 A guerra desaparecerá um dia da face da Terra?
– Sim, quando os homens compreenderem a justiça e praticarem a lei de Deus; então, todos os povos serão irmãos.
745 O que pensar daquele que provoca a guerra em seu proveito?
– Esse é o verdadeiro culpado e precisará de muitas reencarnações para expiar todas as mortes que causou, porque responderá por todo homem cuja morte tenha causado para satisfazer à sua ambição.
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"O amor supera todas as questões e manifestações perversas. Ama sempre e sofre com coragem, totalmente entregue a Deus, que vela por ti".
Victor Hugo (espírito) / psicografia de Divaldo Franco. Livro: Os Diamantes Fatídicos
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"O indivíduo consciente sabe que somente lhe acontece aquilo que é de melhor para o seu desenvolvimento espiritual."
Joanna de Ângelis (espírito) / psicografia de Divaldo Franco. Livro: Libertação pelo Amor
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"Todos anelamos a paz do mundo; no entanto, é imperioso não esquecer que a paz do mundo parte de nós.
Emmanuel (espírito) / psicografia de Chico Xavier / psicografia de Chico Xavier. Livro: Fonte Viva

O Espiritismo
www.oespiritismo.com.br

Falando ao trabalhador

FALANDO AO TRABALHADOR
"O progresso nos Espíritos é o fruto do próprio trabalho; mas, como são livres, trabalham no seu adiantamento com maior ou menor atividade, com mais ou menos negligência, segundo sua vontade, acelerando ou retardando o progresso e, por conseguinte, a própria felicidade."
 O CÉU E O INFERNO 1ª parte - Capítulo 3º - Item 7.
Trabalhador da vida persevera agindo no bem.
As criaturas na Terra, de certo modo, se parecem com matérias brutas antes de serem trabalhadas.
Diante do solo que te não pode oferecer argila para a olaria ou leiras para a sementeira, evita a blasfêmia.
Trabalha a terra, dando-lhe o amor que te escorre abundante e amparando-a com a dádiva da linfa vivificante.
Ante a montanha não amaldiçoes as pedras.
Trabalha-as e arrancarás formas preciosas.
Frente à árvore retorcida não lhe desprezes os galhos.
Trabalha o lenho, retirando tábuas e mourões que ensejem agasalhos e utilidades.
Face ao ferro envelhecido e gasto não o injuries. Trabalha nele com o auxílio do fogo e aplica-o em variados usos.
Defrontando o lodo não o insultes.
Trabalha, drenando-o, e conseguirás aí abençoada seara que se cobrirá, oportunamente, de flores e frutos.
Há muitos corações, igualmente assim, na estrada dos homens.
Espíritos difíceis de entender, empedernidos na indiferença, retorcidos pelo ódio, envelhecidos no erro, perdidos na inutilidade, comprazendo-se na ignorância e na crueldade.
Não reclames nem os desprezes.
Abre os braços e socorre-os em nome do amor. Quanto te seja possível trabalha junto a eles e neles, confiante no Divino Trabalhador.
Possivelmente os resultados não virão logo nem o êxito do trabalho surgirá de imediato.
Muitas vezes sangrarão tuas mãos na execução da obra e dilacerarás o próprio coração.
De início a dificuldade, o esforço e a perseverança no trabalho.
Mais tarde a assistência carinhosa e o zelo cuidadoso.
Por fim surpreenderás, feliz, a vitória do trabalho paciente, sorrindo como flores na lama, saudando a beleza e a glória da vida em nome de Jesus, o Obreiro da felicidade de nós todos.
FRANCO, Divaldo Pereira. Espírito e Vida. Pelo Espírito Joanna de Ângelis. LEAL. Capítulo 39.

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domingo, 13 de agosto de 2017

Não estais a sós

NÃO ESTAIS A SÓS
Então neste momento muito grave que nós nos sentimos algo desarvorados que parece, que perdemos a motivação para viver, que nos sentimos vazios torna-se-nos indispensável procurar a palavra quente e amorosa do Rabi Galileu.
Quando Ele nos prometeu o Consolador era para que as nossas lágrimas deixassem o sal da amargura e corressem pela comporta da nossos olhos traduzindo angústia e dor.
O evangelho veio ter conosco para ensinar-nos o hino da santa fraternidade.
A humanidade necessita ver o Cristo descrucificado em nós, não através dos nossos padecimentos, mas por meio da nossa libertação.
A dor tem um sentido sublime de nos despertar para a realidade daquilo em que estamos, não só na carne, mas também fora do invólucro carnal.
Nós, os espíritos amigos, também experimentamos dores e esperanças, alegrias e aflições, que reunimos em uma corbeille de flores para dizer ao Senhor que retiramos todos os espinhos para adornar a senda, por onde vêm as gerações pósteras, sem maltratar os pés nem as angústias.
Necessitamos de compreender, que por mais larga seja a existência física, ela é muito breve; depois que passa...
Então, reflexionar em torno do sentimento do amor, da tolerância, da ternura; é um dever impostergável.
A ternura, que é um gesto dúlcido e humilde de envolver uma outra vida, em esperança e paz, deve estar na aura dos nossos sentimentos a fim de falarmos do Irmão Alegria e do Amigo incomparável de todas as criaturas.
Jesus, meus filhos, é o zênite e o nadir da nossa existência, na matéria e fora dela.
Buscai-O, vivei-O e sede luz. Se não puderdes ser uma estrela, sede um pirilampo, para que haja claridade, no caminho dos trôpegos e dos desesperados.
Acompanhamo-vos, ouvimo-vos e procuramos interceder por vós por que já estivemos nas estradas tortuosas que agora peregrinais e que nos ajudaram a subir a montanha da sublimação evangélica para aspirarmos o supremo amor de Deus através do caminho que leva à Verdade e à Vida.
Tende bom ânimo e não permitais que o desespero se aloje nas vossas almas.
O que não tiverdes agora, bom ânimo!
O amanhã começa, neste momento, e os céus brindar-vos-ão com a dádiva do reconforto se souberdes entender o que o sofrimento vos quer dizer.
Para tanto, amai com a ternura de mãe, com a gentileza de pai, com a alegria de irmão e com devotamento de amigo e o Senhor cantará, aos ouvidos da vossa alma: "Bem-Aventurados sede vós, que me ouvistes e chegastes até mim."
Muita paz, meus amigos!
São os votos do espírito-espírita, em nome dos nossos amigos do mais além,
Bezerra.
(Bezerra de Menezes)

Mensagem psicofônica obtida pelo médium Divaldo Pereira Franco na noite de 10 de agosto de 2017 ao término da conferência no Grupo Espírita André Luiz, no Rio de Janeiro.

O remédio amargo

O REMÉDIO AMARGO
Uma mulher estava passando por grandes sofrimentos em sua vida. Estava cheia de dívidas, seu marido a abandonou, seus filhos brigaram com ela, e havia o risco de perder a sua casa. Já não aguentava mais aquela situação, e começou a se questionar o motivo de tamanho sofrimento. Pensou em desistir de tudo e tirar sua própria vida.
À noite, em meio a muitas lágrimas derramadas, orou a Deus pedindo que interrompesse tanto sofrimento, pois ela não queria passar por tudo aquilo. Fez uma prece declarando: “Deus, por favor, Não consigo aguentar tanto sofrimento, tantas dificuldades em minha vida. O Senhor é todo poderoso. Suplico que retire este peso dos meus ombros”.
Após a oração, a mulher deitou-se e adormeceu. Começo a sonhar que um anjo vinha em sua presença e lhe dizia as seguintes palavras: “Sou o anjo que Deus enviou para te acudir nesse momento. Por favor venha comigo”.
No sonho, a mulher foi seguindo o anjo e percebeu que ambos iam regressando ao seu próprio passado. Começou a rever várias fases de sua vida, e finalmente parou numa cena em que ela obrigava seu filho a tomar um remédio. O anjo aproximou-se e disse: “A resposta as tuas angústias está dentro de ti. Tu mesmo usou este método para ajudar teus filhos”.
A mulher olhou a cena e viu que, num passado não muito distante, quando seus dois filhos ainda eram crianças, ela os obrigou a tomar um remédio bastante amargo. Um dos seus filhos estava doente, e o médico havia receitado aquele medicamento afirmando que, caso o menino não o tomasse, poderia ficar ainda mais doente. Mas, ao contrário, se ele tomasse a medicação, iria melhorar em pouco tempo. A mãe então levou o remédio para o filho. O menino recusou-se a tomar a medicação, dizendo que o gosto era muito amargo, e que ele não queria sentir aquilo. A mãe então disse que ele deveria tomar de qualquer forma, caso contrário iria castigá-lo severamente. O filho chorou, esperneou, gritou, fez muitas cenas, mas finalmente tomou o medicamento. Alguns dias depois estava curado de sua enfermidade.
O anjo, que acompanhava tudo, perguntou a mulher:
– Você deixaria de dar este medicamento a seu filho por que ele pediu, alegando que não queria sentir o gosto ruim do remédio?
– De jeito nenhum! Respondeu a mãe. Se o medicamento é necessário, e se vai cura-lo, ele precisa tomar, não importa a sua vontade. Pois naquele momento ele era uma criança, e não podia entender o que se passava e a importância da medicação.
O anjo respondeu:
– O mesmo ocorre entre você e Deus. Deus é seu pai ou mãe, e a humanidade inteira são Seus filhos. Os seres humanos são como crianças que não compreendem ainda os benefícios do remédio amargo dos sofrimentos e provações da vida. Da mesma forma que tu obrigas teu filho a tomar uma medicação que é para o bem dele, Deus também nos coloca em circunstâncias que nos são indesejadas, mas que são imprescindíveis para a cura do nosso espírito. Também para ti, os sofrimentos são remédios muito amargos, e te revoltas e te recusas a sentir tamanho dissabor. Procure compreender que, da mesma forma que teu filho precisou do medicamento para se curar, teu espírito precisa atravessar estas tribulações para se purificar.

Autor: Hugo Lapa

Dia dos Pais é dia de Deus

DIA DOS PAIS É DIA DE DEUS
Pensando em Deus, pensa igualmente nos homens, nossos irmãos.
Detém-te, de modo especial, na simpatia e no amparo possível, em favor daqueles que se fizerem pais ou tutores.
As mães são sempre revelações angélicas de ternura, junto aos sonhos de cada filho, mas é preciso não esquecer que os pais também amam…
Esse perdeu a juventude, carregando as responsabilidades do lar;
aquele se entregou a pesados sacrifícios, apagando a si mesmo, para que os filhos se titulassem com brilho na cultura terrestre;
outros se escravizaram a filhinhos doentes;
muitos foram banidos do refúgio doméstico, às vezes, pelos próprios descendentes, exilados que se acham em recantos de imaginário repouso, por trazerem a cabeça branca por fora, e, em muitas ocasiões alquebrada por dentro, sob a carga de lembranças difíceis que conservam em relação aos infortúnios que atravessaram para que a família sobrevivesse, e,
ainda outros renunciaram à felicidade própria, a fim de se converterem nos guardais da alegria e da segurança de filhos alheios!…
Compadece-te de nossos irmãos, os homens, que não vacilaram em abraçar amargos compromissos, a benefício daqueles que lhes receberam os dons da vida.
Ainda mesmo aqueles que se transviaram ou enlouqueceram, sob a delinqüência, na maioria dos casos, nos merecem respeitoso apreço pelas nobres intenções que os fizeram cair.
A vida comunitária, na Terra de hoje, instituiu datas de homenagens às profissões e pessoas.
Lembrando isso, reconhecemos, por nós, que o Dia das Mães é o Dia do Amor, mas reconhecemos também que o Dia dos Pais é o Dia de Deus.

Do livro “Seara de Fé”, Emmanuel, Francisco Cândido Xavier

quinta-feira, 10 de agosto de 2017

Auto Doação

AUTO-DOAÇÃO
"893. Qual a mais meritória de todas as virtudes? "Toda virtude tem seu mérito próprio porque todas indicam progresso na senda do bem. Há virtude sempre que há resistência voluntária ao arrastamento dos maus pendores. A sublimidade da virtude, porém, está no sacrifício do interesse pessoal, pelo bem do próximo, sem pensamento oculto. A mais meritória é a que assenta na mais desinteressada caridade".
O LIVRO DOS ESPÍRITOS
Aprende a doar-te, se desejas atingir a prática legítima do Evangelho. Pregador que se alça à tribuna dourada, derramando conceitos brilhantes mas não se gasta nos labores que propõe é apenas máquina de falar, inconsciente e inconsequente.
O verdadeiro aprendiz da Boa Nova está sempre a postos.
Se convidado a dar algo, abre a bolsa humilde, e, recordando-se da parábola da viúva pobre, oferta o seu óbulo sem constrangimento.
Se chamado a dar-se, empenha-se no trabalho, gastando-se em amor, consumindo as energias recordando o Mestre na carpintaria nobre.
Há muita gente nas fileiras do Cristianismo que ensina com facilidade, utilizando linguagem escorreita, falando ou escrevendo, mas logo que é convocada a dar ou doar-se recua apressadamente ferida no amor próprio.
Prefere as posições superiores de mando, distante das honrosas situações do serviço.
Pode ser comparada a parasitas em alta posição na árvore de que se nutrem, inúteis.
Em comezinhos exemplos, encontrarás, no quotidiano, o ajudar gastando-se.
A pedra que afia a lâmina, consome-se no mister.
A grafite que escreve, desaparece enquanto registra.
O sabão que higieniza, dissolve-se, atendendo ao objetivo.
Em razão disso, não receies sofrer nas tarefas a que te propões.
São os maus que te necessitam. Os enfermos te aguardam e os infelizes confiam em ti.
Pede a ti mesmo, algo por ele, e embora o teu verbo não tenha calor nem a tua pena seja portadora da fraseologia retumbante, haverá sempre muita beleza em teus atos e muita bondade em teus gestos quando dirigidos àqueles para quem, afinal, a Boa Nova está no mundo, recordando que Jesus, após cada pregação sublime, dava-se a si mesmo para a felicidade geral.
A estes oferecia a palavra de alento e paz.
Àqueles ministrava, compassivo, lições de vida e gestos de amor.
A uns abria os olhos fechados ou os ouvidos moucos.
A outros lavava as mazelas em forma de pústulas ou recuperava a paz, afastando os Espíritos infelizes.
E a todos se doava, sem cessar, cantando a Boa Nova e vivendo-a entre os sofredores até a Cruz, que transformou em ponte de luz na direção da Vida Imperecível.
FRANCO, Divaldo Pereira. Espírito e Vida. Pelo Espírito Joanna de Ângelis. LEAL. Capítulo 10.

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Viver pela Fé

VIVER PELA FÉ
"Mas o justo viverá pela fé." - Paulo
(ROMANOS, capítulo 1, versículo 17.)
Na epístola aos romanos, Paulo afirma que o justo viverá pela fé.
Não poucos aprendizes interpretaram erradamente a assertiva.
Supuseram que viver pela fé seria executar rigorosamente as cerimônias exteriores dos cultos religiosos.
Frequentar os templos, harmonizar-se com os sacerdotes, respeitar a simbologia sectária, indicariam a presença do homem justo. Mas nem sempre vemos o bom ritualista aliado ao bom homem. E, antes de tudo, é necessário ser criatura de Deus, em todas as circunstâncias da existência.
Paulo de Tarso queria dizer que o justo será sempre fiel, viverá de modo invariável, na verdadeira fidelidade ao Pai que está nos céus.
Os dias são ridentes e tranquilos? Tenhamos boa memória e não desdenhemos a moderação.
São escuros e tristes? Confiemos em Deus, sem cuja permissão a tempestade não desabaria. Veio o abandono do mundo? O Pai jamais nos abandona. Chegaram as enfermidades, os desenganos, a ingratidão e a morte? Eles são todos bons amigos, por trazerem até nós a oportunidade de sermos justos, de vivermos pela fé, segundo as disposições sagradas do Cristianismo.
XAVIER, Francisco Cândido. Caminho, Verdade e Vida. Pelo Espírito Emmanuel. 28.ed. Brasília: FEB, 2009. Capítulo 23.

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quarta-feira, 9 de agosto de 2017

A Alegria no Dever

A ALEGRIA NO DEVER
Quando Jesus estava entre nós, recebeu certo dia a visita do apóstolo João, muito jovem ainda, que lhe disse estar incumbido, por seu pai Zebedeu, de fazer uma viagem a povoado próximo.
Era, porém, um dia de passeio ao monte e o moço achava-se muito triste.
O Divino Amigo, contudo, exortou-o a cumprir o dever.
Seu pai precisava do serviço e não seria justo prejudicá-lo.
João ouviu o conselho e não vacilou.
O serviço exigiu-lhe quatro dias, mas foi realizado com êxito.
Os interesses do lar foram beneficiados, mas Zebedeu, o honesto e operoso ancião, afligiu-se muito porque o rapaz regressara de semblante contrafeito.
O Mestre notou-lhe o semblante sombrio e, convidando-o a entendimento particular, observou:
- João, cumpriste o prometido?
- Sim - respondeu o apóstolo.
- Atendeste a Vontade de Deus, auxiliando teu pai?
- Sim - tornou o jovem, visivelmente contrariado -, acredito haver efetuado todas as minhas obrigações.
Jesus, entretanto, acentuou, sorrindo calmo:
- Então, ainda falta um dever a cumprir - o dever de permaneceres alegre por haveres correspondido a confiança do Céu.
O companheiro da Boa Nova meditou sobre a lição e fez-se contente.
A tranquilidade voltou ao coração e à fisionomia do velho Zebedeu e João compreendeu que, no cumprimento da Vontade de Deus, não podemos e nem devemos entristecer ninguém.
XAVIER, Francisco Cândido. Pai Nosso. Pelo Espírito Meimei. FEB.

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Dor e Coragem

DOR E CORAGEM
Na Terra todos temos inimigos. Todos, sem exceção. Até Jesus os teve. Mas isso não é importante. Importante é não ser inimigo de ninguém, tendo dentro da alma a dúlcida presença do incomparável Rabi, compreendendo que o nosso sentido psicológico é o de amar indefinidamente.
Estamos no processo da reencarnação para sublimar os sentimentos. Por necessidade da própria vida, a dor faz parte da jornada que nos levará ao triunfo.
É inevitável que experimentemos lágrimas e aflições. Mas elas constituem refrigério para os momentos de desafio. Filhos da alma, filhos do coração!
O Mestre Divino necessita de nós na razão direta em que necessitamos d’Ele. Não permitamos que se nos aloje no sentimento a presença famigerada da vingança ou dos seus áulicos: o ressentimento, o desejo de desforçar-se, as heranças macabras do egoísmo, da presunção, do narcisismo. Todos somos frágeis. Todos atravessamos os picos da glória mas, também, os abismos da dor.
Mantenhamo-nos vinculados a Jesus. Ele disse que o Seu fardo é leve, o Seu jugo é suave. Como nos julga Jesus? Julga-nos através da misericórdia e da compaixão.
...E o Seu fardo é o esforço que devemos empreender para encontrar a plenitude.
Ide de retorno a vossos lares e levai no recôndito dos vossos corações a palavra libertadora do amor. Nunca revidar mal por mal. A qualquer ofensa, o perdão. A qualquer desafio, a dedicação fraternal. O Mestre espera que contribuamos em favor do mundo melhor, com um sorriso gentil, uma palavra amiga, um aperto de mão.
Há tanta dor no mundo, tanta balbúrdia para esconder a dor, tanta violência gerando a dor, que é resultado das dores íntimas.
Eis que Eu vos mando como ovelhas mansas ao meio de lobos rapaces, disse Jesus. Mas virá um dia, completamos nós outros, que a ovelha e o lobo beberão a mesma água do córrego, juntos, sem agressividade.
Nos dias em que o amor enflorescer no coração da Humanidade, então, não haverá abismo, nem sofrimento, nem ignorância, porque a paz que vem do conhecimento da Verdade tomará conta de nossas vidas e a plenitude nos estabelecerá o Reino dos Céus.
Que o Senhor vos abençoe , filhas e filhos do coração, são os votos do servidor humílimo e paternal, em nome dos Espíritos-espíritas que aqui estão participando deste encontro de fraternidade.
Muita paz, meus filhos, são os votos do velho amigo,
Bezerra.

Psicofonia de Divaldo Pereira Franco, em 25 de setembro de 2011, na Creche Amélia Rodrigues, em Santo André – SP.

terça-feira, 8 de agosto de 2017

Gestação Frustrada

GESTAÇÃO FRUSTRADA
O retorno do Espírito ao mundo corporal, em cumprimento da Lei de Progresso, se dá pelo processo biológico que conhecemos por Gestação.
Embora sejamos individualidades ímpares, o processo reencarnatório também obedece a determinados princípios, como nos afirma o Benfeitor Espiritual Alexandre:
“Grande percentagem de reencarnações na Crosta se processa em moldes padronizados para todos, no campo de manifestações puramente evolutivas. Mas outra percentagem não obedece ao mesmo programa. Elevando-se a alma em cultura e conhecimentos, e, consequentemente, em responsabilidade, o processo reencarnacionista individual é mais complexo, fugindo à expressão geral, como é lógico. (1)
Desejamos, neste pequeno ensaio, focar nossa atenção para os processos em que a gestação não alcança a sua finalidade última, não permitindo ao Espírito experienciar a vida física por determinado tempo.
Também esse assunto chamou a atenção de Allan Kardec, que demandou aos Espíritos Superiores:
“Há, como indica a ciência, crianças que, desde o ventre materno, não têm possibilidades de viver? Qual o objetivo disso?
– Isso acontece frequentemente; a Providência o permite como prova para seus pais ou para o Espírito que está para reencarnar”. (2)
“Existem crianças que, nascendo mortas, não foram destinadas à encarnação de um Espírito?
– Sim, há as que nunca tiveram um Espírito destinado para o corpo; nada devia realizar-se por elas. É, então, somente pelos pais que essa criança veio”. (3)
A esse respeito foi proposto ao Benfeitor André Luiz o seguinte questionamento:
“Como compreenderemos os casos de gestação frustrada quando não há Espírito reencarnante para arquitetar as formas do feto?
– Em todos os casos em que há formação fetal, sem que haja a presença de entidade reencarnante, o fenômeno obedece aos moldes mentais maternos. Dentre as ocorrências dessa espécie há, por exemplo, aquelas nas quais a mulher, em provação de reajuste do centro genésico, nutre habitualmente o vivo desejo de ser mãe, impregnando as células reprodutivas com elevada percentagem de atração magnética, pela qual consegue formar com o auxílio da célula espermática um embrião frustrado que se desenvolve, embora inutilmente, na medida de intensidade do pensamento maternal, que opera, através de impactos sucessivos, condicionando as células do aparelho reprodutor, que lhe respondem aos apelos segundo os princípios de automatismo e reflexão. (4)
Voltando ao Livro dos Espíritos encontraremos:
“O Espírito sabe, com antecedência, que o corpo que escolheu não tem probabilidades de vida?
– Algumas vezes, sabe; mas se o escolher por esse motivo, é porque recua diante da prova”. (5)
E também:
“Quando uma encarnação falha para o Espírito, por uma causa qualquer, é suprida imediatamente por outra existência?
– Nem sempre imediatamente. É preciso ao Espírito o tempo de escolher de novo, a menos que uma reencarnação imediata seja uma determinação anterior”. (6)
Fica claro que a gestação do corpo físico também está vinculada às necessidades de provas e expiações do Espírito reencarnante e dos Pais, e como dentro das possibilidades da não consumação da gestação há a recusa da mesma por parte da mãe, que provoca o aborto, os Benfeitores nos esclarecem:
“Quais são, para o Espírito, as consequências do aborto?
– É uma existência nula que terá de recomeçar”. (7)
Ainda em Missionários da Luz André Luiz comenta sobre o aborto:
“Há, por exemplo, os casos em que a mulher, por recusa deliberada à gravidez de que já se acha possuída, expulsa a entidade reencarnante nas primeiras semanas de gestação, desarticulando os processos celulares da constituição fetal e adquirindo, por semelhante atitude, constrangedora dívida ante o Destino”. (8)
O comentário de André Luiz está fundamentado em O Livro dos Espíritos:
“O aborto provocado é um crime, qualquer que seja a época da concepção?
– Há sempre crime quando se transgride a Lei de Deus. A mãe, ou qualquer outra pessoa, cometerá sempre um crime ao tirar a vida de uma criança antes do seu nascimento, porque é impedir a alma de suportar as provas das quais o corpo devia ser o instrumento”. (9)
Atestam os Espíritos, no entanto:
“No caso em que a vida da mãe esteja em perigo pelo nascimento do filho, existe crime ao sacrificar a criança para salvar a mãe?
– É preferível sacrificar o ser que não existe a sacrificar o que existe”. (10)
Outra possibilidade de interrupção da gestação é a do Espírito recusar, quando já definido, o seu processo reencarnatório:
“ O Espírito poderia, no último momento, recusar o corpo escolhido por ele?
- Se recusasse, sofreria muito mais do que aquele que não tentou nenhuma prova”. (11)
Pensemos nisso.
Antônio Carlos Navarro
 Referências:
(1) Missionários da Luz, Francisco C. Xavier – André Luiz, cap. XII;
(2) O Livro dos Espíritos, item 355;
(3) Idem, item 356;
(4) Evolução em Dois Mundos, Francisco C. Xavier – André Luiz, cap. 33;
(5) O Livro dos Espíritos, item 348;
(6) Idem, item 349;
(7) Idem, item 357;
(8) Missionários da Luz, Francisco C. Xavier – André Luiz, cap. XII;
(9) O Livro dos Espíritos, item 358;
(10) Idem, item 359;
(11) Idem, item 355 a.
 Obs. Os negritos do texto são do autor do mesmo.

Agosto

AGOSTO
Só quem vive bem os agostos é merecedor da primavera!
Lembro-me bem. Foi quando julho se foi, que um vento mais gelado, mais destemperado, que arrastava ainda folhas deixadas pelo outono, me disse algumas verdades. Convenceu-me de que o céu começaria a apresentar metamorfoses avermelhadas. Que a poeira levantada por ele daria lições de que as coisas nem sempre ficam no mesmo lugar e que é preciso aceitar que a poeira só assenta depois que os redemoinhos se vão.
Foi quando julho se foi que a minha solidão me convidou para uma conversa. E me contou de tempo de esperas. E me disse que o barulho das árvores tinha algo a dizer sobre aceitação. E eu fiquei pensando como elas, as árvores, aceitam as estações que, se as estremecem, também lhes florescem os galhos. Mas tudo a seu tempo. Foi em agosto que descobri que os cachorros loucos são, na verdade, os uivos que não lançamos ao vento. São nossos estremecimentos particulares que a nossa rigidez de certezas não nos permite encarar.
O mês de agosto tem muito a ensinar. Porque agosto é mês jardineiro, é dentro dele, berço do inverno, que as sementes dormem. Aguardam seu tempo de brotar. Agosto é guardador da boa-nova, preparador de flores. Agosto é quando Deus deixa a natureza traduzir visivelmente o tempo das mutações.
Mude, diz agosto, em seu recado de sementes. Aceite, diz agosto, com seu jeito frio de vento que levanta poeira e a faz avermelhar o céu. Compartilhe, diz agosto. Agasalhos, sopas quentinhas, cafés com chocolate, abraços mais apertados – eles também aquecem a alma e aninham o corpo. Distribua mais afetos, que inverno é acolhimento, é tempo de preparar setembro. E, de setembro, todos sabemos o que esperar. Esperamos a arrebentação das cores, que com seus mais variados nomes vêm em forma de flores.
Vamos apreciar agosto, recebê-lo com o espanto feliz de quem não desafia ventos. Que ele desarrume e espalhe suas folhas e levante suas poeiras.
Aceite as esperas, mas coloque floreiras na janela.
Só quem vive bem os agostos é merecedor da primavera!
Miryan Lucy de Rezende

Escritora e Educadora Infantil

História de um pão

HISTÓRIA DE UM PÃO
Quando Barsabás, o tirano, demandou o reino da morte, buscou debalde reintegrar-se no grande palácio que lhe servira de residência.
A viúva, alegando infinita mágoa, desfizera-se da moradia, vendendo-lhes os adornos.
Viu ele, então, baixelas e candelabros, telas e jarrões, tapetes e perfumes, jóias e relíquias, sob o martelo do leiloeiro, enquanto os filhos querelavam no tribunal, disputando a melhor parte da herança.
Ninguém lhe lembrava o nome, desde que não fosse para reclamar o ouro e a prata que doara a mordomos distintos.
E porque na memória de semelhantes amigos ele não passava, agora, de sombra, tentou o interesse afetivo de companheiros outros da infância...
Todavia, entre eles encontrou simplesmente a recordação dos próprios atos de malquerença e de usura.
Barsabás, entregou-se as lágrimas de tal modo, que a sombra lhe embargou, por fim, a visão, arrojando-o nas trevas.
Vagueou por muito tempo no nevoeiro, entre vozes acusadoras, até que um dia aprendeu a pedir na oração, e, como se a rogativa lhe servisse de bússola, embora caminhasse às escuras, eis que, de súbito, se lhe extingue a cegueira e ele vê, diante de seus passos, um santuário sublime, faiscante de luzes.
Milhões de estrelas e pétalas fulgurantes povoavam-no em todas as direções.
Barsabás, sem perceber, alcançara a Casa das Preces de Louvor, nas faixas inferiores do firmamento.
Não obstante deslumbrado, chorou, impulsivo, ante o Ministro espiritual que velava no pórtico.
Após ouvi-lo, generoso, o funcionário angélico falou sereno:
- Barsabás, cada fragmento luminoso que contemplas é uma prece de gratidão que subiu da Terra ...
- Ai de mim - soluçou o desventurado - eu jamais fiz o bem...
- Em verdade - prosseguiu a informante -, trazes contigo, em grandes sinais, a pranto e a sangue dos doentes e das viúvas, dos velhinhos e órfãos indefesos que despojaste, nos teus dias de invigilância e de crueldade; entretanto, tens aqui, em teu crédito, uma oração de louvor...
E apontou-lhe acanhada estrela, que brilhava a feição de pequenino disco solar.
- Há trinta e dois anos - disse, ainda, o instrutor -, deste um pão a uma criança e essa criança te agradeceu, em prece ao Senhor da Vida.
Chorando de alegria e consultando velhas lembranças, Barsabás perguntou:
- Jonakim, o enjeitado?
- Sim, ele mesmo - confirmou a missionário divino. - Segue a claridade do pão que deste, um dia, por amor, e livrar-te-ás, em definitivo, do sofrimento nas trevas.
E Barsabás acompanhou a tênue raio do tênue fulgor que se desprendia daquela gota estelar, mas, em vez de elevar-se as Alturas, encontrou-se numa carpintaria humilde da própria Terra.
Um homem calejado aí refletia, manobrando a enxó em pesado lenho...
Era Jonakim, aos quarenta de idade.
Coma se estivessem as dois identificados no doce fio de luz, Barsabás abraçou-se a ele, qual viajante abatido, de volta ao calor do lar... (...)
Decorrido um ano, Jonakim, a carpinteiro, ostentava, sorridente, nos braços, mais um filhinho, cujos louros cabelos emolduravam belos olhos azuis.
Com a benção de um pão dado a um menino triste, por espírito de amor puro, conquistara Barsabás, nas Leis Eternas, o prêmio de renascer para redimir-se.
Pelo Espírito Irmão X
XAVIER, Francisco Cândido. O Espírito da Verdade. Espíritos Diversos. FEB.

* * * Estude Kardec * * *

A doença sinaliza...

A DOENÇA SINALIZA MUITAS VEZES A FALTA DE ALEGRIA EM NOSSA VIDA
A gratidão é uma das mais eficientes terapias espirituais para a saúde, porque o ato de agradecimento faz com que o corpo libere endorfinas na corrente sanguínea, substâncias que fortalecem o sistema imunológico, favorecem a dilatação das artérias, relaxando o aparelho circulatório.
Já a queixa provoca um acréscimo desnecessário de adrenalina na circulação, contribuindo para o enfraquecimento do sistema de defesa e para o risco de derrame doenças cardíacas.
A doença sinaliza muitas vezes a falta de alegria em nossa vida, e a gratidão é a grande alavanca do contentamento.
A ingratidão, por sua vez, demonstra a teimosia que temos em não enxergar quanta coisa boa já nos ocorreu e ainda nos ocorre, todos os dias e isso nos afasta da felicidade e da saúde.
Certamente por isso o apóstolo Paulo afirmou ter aprendido a contentar-se com tudo.
Dos lábios de Jesus jamais alguém registrou alguma palavra de reclamação.
Embora na condição de Governador Espiritual da Terra habitasse esferas espirituais resplandecentes, não se queixou ao viver os trinta e três anos de sua vida nas faixas sombrias do planeta.
Tendo enfrentado as mais rudes provações, sem merecê-las, jamais esboçou qualquer gesto de fastio diante da cruz a que foi condenado.
Convivia com doentes e equivocados, sem mostrar qualquer gesto de repugnância, ao revés, a todo mostrou o carinho do seu afeto e apontou caminhos para a libertação de suas dores.
Nós que padecemos da enfermidade da ingratidão, aprendamos com o Médico Jesus, pois não nos basta pedir-Lhe a cura se nos recusamos a seguir suas prescrições.
Quando focalizamos aquilo que parece errado em nossa vida, costumamos esquecer aquilo que está certo.
Costumamos nos queixar de um determinado órgão que está enfermo, mas será que já agradecemos aos demais que funcionam perfeitamente?
Talvez alguns dias em um leito hospitalar nos façam descobrir a importância da gratidão.
Presos a uma cama perceberemos o quanto éramos felizes antes da doença pela simples faculdade de andar alguns passos.
E quantos passos nós não demos, presos a reclamações inúteis?
Geralmente não observamos o milagre das pequenas coisas que ocorrem todos os dias em nossa vida.
O fato de você estar respirando neste momento é um grande milagre, já se deu conta disso?
Tente sentir as batidas do seu coração, imagine o sangue percorrendo uma extensão considerável de vasos e artérias.
Pense na complexidade do processo digestivo, transformando alimentos em nutrientes para a sua sobrevivência.
E tudo isso ocorre sem a sua direta colaboração.
Quantos milagres ocorrem todos os dias em nosso corpo e não damos a mínima importância.
Converse carinhosamente com seu corpo.
Agradeça a todos os seus órgãos o esforço e o trabalho que eles têm feito a seu favor durante todos esses anos.
Desculpe-se também por não ter dado a eles a devida atenção e cuidado.
Agradeça também a doença que o visita, na certeza de que ela é o remédio necessário à cura de um dos mais terríveis males que acometem o ser humano, que é a falta de gratidão.
Não esqueça que, para ser abençoado pela vida, você primeiro precisa abençoá-la também.

Livro: “O Médico Jesus”, de José Carlos de Lucca