sexta-feira, 7 de outubro de 2011

Página do coração



A inteligência no mundo é a semente da vida imperecível, lançada ao bendito solo da vida física.
No coração, reside o gérmen da Sabedoria Divina.
Conserva o sentimento por fonte cristalina de amor.
Não te importe quem seja o irmão cansado e oprimido que o desespero humilhou.
Reanima e consola sempre os caídos e desprezados.
Não menoscabes o companheiro que passa coroado pela fantasia de transitória dominação.
Estende os braços fraternos e auxilia-o, porque nem todos chegam, juntos, à taça do desengano.
Não permitas que o calor das paixões te resseque a alma.
Quem apenas indaga, bate à porta, muitas vezes, de espírito ralado pelo desalento, no entanto, quem abre o coração, vive e segue diante, entre a fé e a alegria.
Recorda que a semente germinada não cessa de servir.
Nasce, rompendo os envoltórios inferiores que a sepultam, frondeja, floresce, frutifica e produz incessantemente no bem de todos, até a própria renovação.
Ainda que tudo, em torno de ti, seja sombra e derrota, incompreensão e desânimo, ergue-te e ama sempre, com a fortaleza do herói e com a espontaneidade da criança.
O sol, por amor, sustenta os mundos de nossa família planetária, sem esquecer-se de oscular a pétala da rosa perdida no vale anônimo e correntemente desamparado.
Por saberem amar, as flores, em silêncio, refazem a beleza da Terra, quando os nossos irmãos infelizes aniquilam a natureza com os instrumentos da separação.
Ainda que todos se manifestem contra ti, auxilia e ama sem reclamar.
Enquanto as legiões romanas dominavam todos os recantos do Globo, consagrando o poder da força e o brilho da inteligência, um anjo transformado em homem subiu sozinho um monte ignorado e triste, carregando uma cruz sobre o coração aberto e restaurou o mundo inteiro, convertendo-se em luz para todos os séculos.
Irmãos e companheiros da seara humana, JESUS é o nosso modelo.

Com Ele, nosso Mestre Divino, seja o Amor a nossa meta, sob a inspiração constante do trabalho e da fraternidade.
Livro Escultores de almas. Psicografia de Francisco Cândido Xavier

quinta-feira, 6 de outubro de 2011

Oração atendida


Será que Deus atende mesmo a todas as orações? Jesus nos afirmou que tudo o que pedíssemos ao Pai em Seu nome, Ele nos concederia.
Mesmo assim, a debilidade da nossa fé, vez ou outra, faz com que nos perguntemos: Será que atende?
Afinal, quantos de nós já fizemos rogativas ao Criador, que jamais foram atendidas?
Será preciso algum detalhe que nos possibilite ser atendidos por Deus?
Os mais revoltados, ante seus problemas não solucionados pela Divindade, chegam a admitir a parcialidade Divina que atende a uns e não atende a outros.
Contudo, não é assim. Ocorre que, inúmeras vezes, não nos apercebemos que Deus nos responde, embora nem sempre da forma que desejamos.
Mas, com certeza, sempre é o melhor que o Pai dispõe.
Recordamo-nos de um soldado americano, ferido durante a Guerra Civil. Após o ferimento, seguiram-se meses e meses de sofrimentos. A sua dor atingiu o auge quando ele se deu conta de que havia se tornado um deficiente físico.
No entanto, a transformação radical em sua vida lhe abriu novos horizontes que ele sintetizou em uma oração.
Oração que talvez se constitua em uma das mais belas páginas escritas por um deficiente físico.
Conforme a tradução livre, do original inglês, diz ele:
Pedi a Deus que me desse forças, para tudo conseguir...
Fui feito fraco para aprender a obedecer.
Pedi a Deus a saúde para realizar coisas grandiosas...
Fui feito doente para realizar coisas difíceis.
Pedi a Deus por riquezas, para comprar felicidade...
Fui feito pobre, para vender sabedoria.
Pedi a Deus que me concedesse poder, para que os homens necessitassem de mim...
Fui feito insignificante, para sentir a necessidade de Deus ...
Pedi a Deus por tudo isso, para poder gozar a vida...
E Deus me deu a vida para poder avaliar seu gozo.
Não recebi nada do que pedi, mas obtive tudo aquilo que esperava ganhar.
A despeito dos meus erros, as preces que não fiz foram atendidas.
E, dentre todos os homens, eu me considero o mais ricamente abençoado.
*   *   *
O entendimento do soldado ferido que se tornou um paralítico anônimo nos dá a tônica de como Deus ouve nossas preces e as atende, sempre de acordo com o que seja melhor para nós.
Afinal, muitas vezes passamos a valorizar as pequeninas e preciosas coisas da vida, quando elas nos são retiradas.
*   *   *
O ano de 1981 foi o primeiro Ano Internacional da Pessoa Deficiente.
Ser deficiente não significa ser doente.
É simplesmente ser diferente. Diferente dos padrões considerados como normais.

Redação do Momento Espírita, com base no cap. 1, pt. 1 e cap. 5, pt. 2 do livro
As aves feridas na Terra voam, de Nancy Puhlmann di Girolamo, ed. Inst. Beneficente Nosso Lar, SP.

Basta um minuto


 
Um minuto serve para você sorrir:
Sorrir para o outro, para você e para a vida.
Um minuto serve para você ver o caminho, olhar a flor, sentir o cheiro da flor,
sentir a grama molhada, notar a transparência da água.
Basta um minuto para você avaliar a imensidão do infinito, mesmo sem poder entendê lo.
Em um minuto apenas você ouve o som dos pássaros que não voltam mais.
Um minuto serve para você ouvir o silêncio, ou começar uma canção.
É num minuto que você dará o sim que modificará sua vida... e basta.
Basta um minuto para você apertar a mão de alguém e conquistar um novo amigo.
Em um minuto você pode sentir a responsabilidade pesar em seus ombros:
a tristeza da derrota,
a amargura da incerteza,
o gelo da solidão,
a ansiedade da espera,
a marca da decepção
e a alegria da vitória...
Quanta vitória se decide num simples momento, num simples minuto!
Num minuto você pode amar,
buscar, compartilhar, perdoar,
esperar, crer, vencer e ser...
Num simples minuto você pode salvar a sua vida...
Num pequeno minuto você pode incentivar
alguém ou desanimá-lo!
Basta um minuto para você recomeçar a reconstrução de um lar ou de uma vida.
Basta um minuto de atenção para você fazer feliz um filho, um aluno, um professor, um semelhante...
Basta um minuto para você entender que a eternidade é feita de minutos.

domingo, 2 de outubro de 2011

Dom de Deus


Caridade ? o doce alívio
Àquele que pede à porta;
Entretanto, além do amparo,
A frase que reconforta;

O socorro em que te mostras
Onde o bem se faz preciso,
Colocando em cada gesto
A dádiva de um sorriso.

Caridade ? a paciência
No apoio do braço irmão
Que suporta o companheiro
Na hora da irritação;

O ouvido que escuta e cala,
Cumprindo santo dever,
Esquecendo tudo aquilo
Que não se deve dizer.

Caridade ? a mente calma
Da criatura sincera,
Que ajuda sem reclamar,
Que jamais se desespera;

A voz que adoça pesares,
Que não fere, nem se cansa,
Vestindo a dor da verdade
Na túnica da esperança.

Caridade ? dom de Deus,
A bondade dividida,
Será sempre, em toda parte,
A luz que clareia a vida;

Mas só fica onde trabalha
E nunca aparece em vão,
Quando nasce, vibra e serve
Por dentro do coração.

Xavier, Francisco Cândido. Da obra: Caridade -  Espírito Manoel Monteiro

sábado, 1 de outubro de 2011

Vozes da vida


Ao homem que alegou perante os Céus
Que de nada dispunha para dar
Por sentir-se tão pobre quão sozinho,
O Senhor concedeu a benção de escutar
As migalhas e cousas do caminho!. . .

Disse-lhe um pão largado a um canto da sacola:
Dá-me a feliz esmola
De poder amparar!
Passaram hoje aqui dois pequenos sem nome. . .
Ah!. . . Quanto desejei arredá-los da fome!. . .

Para ajudar, porém, necessito, primeiro,
De tuas mãos, nobre companheiro,
porquanto, é lei de Deus, na exaltação do bem,
Que pessoa nenhuma
Possa melhor servir sem apoio de alguém. . .

Uma rosa a entreabrir-se, acetinada e bela,
Exclamou da janela:
O vento da manhã explicou-me que existe
Em vizinho hospital!
Uma jovem doente abandonada e triste,
Desejando uma flor. . .
Quero sair daqui
Para ofertar-lhe ao peito uma nota de amor
Mas para realizar o sonho
Em que, pobre de forças, me agasalho,
Tentando transformar-me em fé, simpatia e trabalho,
Nada posso sem ti!. . .

Um bloco de papel atirado ao relento
Rogou, a sacudir-lhe o pensamento:
Vem agora comigo,
O impulso de teu lápis não me cansa,
Anseio ser contigo
A carta mensageira de esperança!. . .

Antigo cobertor aposentado
Transmitiu-lhe um recado:
O irmão enfermo, em frente, pede caridade,
Não me conserves sem utilidade. . .
Devo entregar-lhe a paz contra a guerra do frio,
Para isso, porém, neste culto de amor,
A fim de que eu lhe dê o amparo do calor,
Tanto ao catre vazio
Quanto ao corpo cansado de exaustão,
Não te dispenso a colaboração. . .

Pequenina moeda ergueu a voz
E falou-lhe do bolso em que jazia:
Pobre mão de criança semimorta
Veio hoje e pediu socorro à porta. . .
Leva-me a trabalhar.
Suplico a Deus para que alguém me aceite,
Preciso converter-me em xícara de leite
Que nutra, reconforte
E arranque essa criança ao domínio da morte!. . .

O homem renovado
Aguçou a atenção e escutou, mais além. . .
Sementes, fruto, fontes,
Os legumes do vale e as árvores dos montes. . .
Tudo era aceno e voz para o convite ao bem!. . .
Integralmente transformado,
Ouvindo a natureza, em derredor,
Viu-se rico e feliz, firme, grande, maior,
E exclamou para os Céus,
Em júbilo profundo:
Obrigado, meu Deus,
O Dom de trabalhar é o tesouro do mundo,
Ensina-me a servir,
Sê louvado, Senhor,
Na grandeza da vida e na benção do amor!. . .

Espírito Maria Dolores - Francisco Cândido Xavier -  Encontro de Paz