sábado, 14 de julho de 2012

Auxiliarás por Amor



Auxiliarás por amor nas tarefas do benefício.
Não te deixarás seduzir pelo verbo fascinante dos que manejam o ouro da palavra para incrementar a violência em nome da liberdade e dos que te induzam a crer seja a vida um fardo de desenganos.
Adotarás  a  disciplina  por  norma  de  ação  em  teu  ambiente  de  trabalho renovador,  e  educar-te-ás na  orientação do  bem, elevando  o vel  da  existência  e sublimando as circunstâncias.
De muitos ouvirás que não adianta sofrer em proveito dos outros e nem semear para sustento da ingratidão; entretanto, recordarás os benfeitores anônimos que te amaciaram    caminho apagando-s tantas   vezes   par que   pudesses   brilhar. Rememorarás a infância, no refúgio doméstico, e perceberás que te ergueste, acima de tudo, da bondade com que te agasalharam o coração. Não conseguiste a ternura materna com recursos amoedados, não remuneraste teu pai pelo teto em que te guardou a meninice, não compraste a afeição dos que te equilibraram os passos primeiros e nem pagaste o carinho daqueles que te alçaram o pensamento à luz da orão, ensinando-te a pronunciar o nome de Deus!...
Reflete nas rzes de amor com que o Todo-Misericordioso nos plasmou os alicerces da vida, e colabora onde estejas para que o bem se erija por sustentáculo de todos.
Enxergarás, nos que te rodeiam,  irmãos  autênticos,  diante  da  Providência Divina. Ajudarás os menos bons para que se tornem bons, e auxiliarás os bons a fim de que se façam melhores.
Se a  perturbação te  dificulta o caminho, serve,  sem alarde, e a  trilha de libertação se te abrirá, propiciando-te acesso à frente.
Se ofensas te apedrejam, escuda-te no dever bem cumprido e serve sempre, na certeza de que a bondade com a força do tempo é a meia natural de todos os reajustes.
Muitos, mandam, exigem, dispõem ou discutem... Serás aquele que serve, o samaritano da benção, o entendimento dos incompreendidos, a luz dos que se debatem nas sombras, a coragem dos tristes e o apoio dos que se afligem na retaguarda!... E, ainda quando te vejas absolutamente a sós, no ministério do bem, serás fiel à obrigação de servir, lembrando-te de que, certo dia, um anjo na forma de um homem escalou um monte árido em supremo abandono, carregando a cruz do próprio sacrifício, mas porque servia e servia, perdoando e perdoando, fez nas trevas da morte o sol das nações, em perenidade de luz e amor para o mundo inteiro.
 Alma e Coração – Emmanuel/Chico Xavier

quinta-feira, 12 de julho de 2012

Caráter -- Obra de Luz da Consciência - II



Às vezes, o que se sente não é de agora, vem de outros tempos...
A mente não se lembra, mas o coração sabe.
Trocam-se os corpos perecíveis, mas o espírito é sempre o mesmo.
E, além da transitoriedade da aparência das formas, está a energia de cada um, que reflete o que se passa no âmago da consciência.
Sim, há almas de outrora em corpo de agora!
O que se pensa, sente e faz tem suas repercussões naturais... E todo efeito busca sua causa correspondente. E, muitas vezes, isso não é só coisa da vida atual, mas, também, de uma vida para outra, na longa ascese evolutiva do Ser.
Seja ontem, hoje, ou amanhã, cada um é o reflexo do que pensa, sente e realiza. Portanto, é justo que, “a cada um segundo suas obras!”
O fato de estar encarnado novamente não anula a natureza espiritual de ninguém. O revestimento físico não apaga a centelha vital que cada um é - somente restringe temporariamente a sua Luz na carne -, em função da necessidade de se aprender algo na experiência terrestre.
Algumas coisas passam de uma vida para outra... Dentro do coração.
Mas, o que é importante é o caráter de cada um e as possibilidades de transformação que cada vida apresenta ao Ser.
E, nisso, conta muito a espiritualidade e o nível de consciência manifestado. Pois, sem uma noção mais abrangente da existência, tudo se resume apenas a comer, beber, dormir, copular e, finalmente, morrer sem ver sentido na vida.
E é bom assinalar que espiritualidade não é doutrina, é estado de consciência; nem é um lugar aonde ir, mas, sim, aquilo que se carrega dentro do próprio coração.
E isso é caráter de Luz!
É valor interno e intransferível.
Não se compra - nem se vende.
Sequer é da Terra, pois transcende os limites convencionais.
Não pode ser mensurado por nenhum parâmetro humano.
Não é oriental ou ocidental; nem branco, negro, amarelo ou vermelho.
Não tem sexo ou idade, e é válido em outros planos de manifestação.
Sim, algumas coisas podem ter sua origem em outros tempos e condições, mas, tanto antes como agora, o remédio é um só: tomar consciência de si mesmo e manifestar climas melhores na existência.
E todos os que estudam a temática espiritual já sabem disso, só faltando mesmo é por em prática o que sabem teoricamente.
De nada adianta falar de vidas passadas se isso não ajudar a resolver as coisas do momento presente. Assim como, também, de nada adianta encher a mente de conhecimento, se isso não aquecer o coração e as atitudes diárias não corresponderem ao nível daquilo que se estuda.
Conhecimento não é sabedoria!
E Amor real não é emoção barata ou joguinho de egos.
E viver restringido não é fácil, nunca foi.
Na verdade, viver é muito mais do que só comer, beber, dormir, copular e morrer... Também é pensar, sentir, raciocinar, e vencer a si mesmo.
Ah, viver demanda muitas vidas, aqui e algures...
E o mais importante é o nível de consciência que se desenvolve vida após a vida. E é isso que importa na média de cada um.
Sim, Jesus estava certo, quando ensinou que, “a cada um segundo suas obras” - e também quando disse que, “muitos são os chamados, mas poucos os escolhidos”.
Ontem, hoje ou amanhã, isso é assim.
 E, se o semelhante atrai o semelhante, por lógica, quem quer mais Luz, que já tenha um pouco de Luz em seus pensamentos e procedimentos.
Porque espiritualidade é isso: caráter de Luz!**
            Paz e Luz.
            - Wagner Borges –  São Paulo, 10 de julho de 2012.
             - Nota:
            * A primeira parte desse texto está postada no site do IPPB e pode ser acessada no seguinte endereço específico:

terça-feira, 10 de julho de 2012

O coração da Mãe Divina


Mãe de todas as hostes
Mãe de todas as glórias
Ilumine nossos caminhos
Ilumine nossa paz
Intua invisivelmente nossos corações
Intua nossas mentes e intelectos
Inspire nossas ações e atitudes
Inspire nossas posturas e comportamentos
Acima das religiões e doutrinas
Acima de grupos e sistemas
Além das retóricas e semânticas
Além das técnicas e métodos
Excedendo as ciências e paraciências
Excedendo os paradigmas
Rumo ao amor que não se explica
Só se sente e se vivencia
Amor que gera paz incondicional
Na serenidade da certeza íntima inabalável
Que silencia todas as argumentações, desculpas e justificativas,
No amor que une, contribui e colabora
Na percepção e parapercepção pacífica que compreende
Onde a força não está na movimentação das bioenergias,
Mas na integração com as energias cósmicas ou imanentes
Onde a fluência da ação sutil que não ofende ou humilha
Serve ao coração que sofre perdido e desesperado
Onde o brilho azul e dourado das hostes da Mãe abençoam e servem
Onde acontecem os "milagres" das transformações das almas e das reformas íntimas
Muito acima das pressões sistemáticas dos grupos julgadores-condenadores.
Onde a palavra une, a ação pacifica, o gesto serve, o intelecto esclarece...
E o coração ama a outros corações que solicitam
A "potência" não está na força, mas na serenidade convicta, no amor sutil integral que une,
Acima dos desesperados egos inquietos dos homens
Ah, se vocês enxergassem seus egos!
Vocês se envergonhariam sem exceção!
Vocês se envergariam ao chão em lágrimas de autoconhecimento
Mas o Coração da Mãe Divina não viola, não invade, não denigre, não humilha
O coração da Mãe e suas Hostes apenas curam, resgatam, unem, pacificam e consolam
Sem quaisquer julgamentos morais, técnicos ou doutrinários
Pois só os egos julgam outros egos
A paz e o amor não se explicam e nem se teoriza
Se sente na ação que serve e transforma
Os resgates aos egos dos humanos não é fácil
Atolados nos pântanos de seus desejos e apegos físicos, energéticos, emocionais e mentais,
Eles se debatem desesperados gritando suas razões
Nenhuma retórica os convence
Apenas quando sentem a paz inviolável, inabalável e sublime do Coração da Mãe,
É que se calam e se entregam
As Hostes da Mãe Divina, as Servas de Maria,
Os tons de azul, as nuances de dourado e as auras brancas,
Quando se aproximam sorrindo e cantando com seus olhos serenos cheios de brilho e infinito amor que não se explica, exalam a cura inefável.
Se o filho pródigo é o que retorna ao caminho,
O coração da Grande Mãe não espera e o resgata no silêncio de seu abraço.
***
Não me restam mais palavras para tentar expressar o inefável das presenças espirituais das Servas de Maria para quem eu tenho orado todas as noites e pedido inspiração para uma futura obra. Relato isto, não por vaidade, mas é uma cobrança íntima que tenho feito a mim. Pergunto-me: "o que posso escrever para ajudar as pessoas sem o ego de escritor"?
E não há amor maior, esperança maior e cura espiritual maior que a egrégora da Mãe Divina neste planeta. E algumas pessoas tão sofridas e desesperadas encontram nosso site e nos escrevem – e assim sinto meu coração partido por não poder fazer mais – e por paradoxal que pareça, é nestas horas que esqueço meus defeitos e egos ao tentar auxiliar.
Então supliquei e suplico a Mãe Divina com coração e mente abertos e rasgados: "me intua para servir".
Muito humildemente, o último da fila, dos Servos de Maria e mediunicamente,
Dalton Campos Roque – www.consciencial.org

segunda-feira, 9 de julho de 2012

Terapia contra o medo


O medo, até certo ponto, é uma reação natural perante aquilo que desconhecemos e se expressa por variadas formas no dia a dia.
Causam-nos medo a expectativa de um acontecimento desagradável, a surpresa perante uma situação difícil que não sabemos como enfrentar, ao menos no primeiro momento.
Também a expectativa por uma resposta que talvez seja negativa pode nos provocar certo receio, que pode se transformar em ansiedade controlada.
Também existem os medos de fantasmas, de tormentas, do escuro, da água ou do fogo que, quase sempre, são resultado do período infantil e que ainda não conseguimos vencer.
Mas existe um outro tipo de medo. É esse receio que se agiganta e nos leva a um estado de grande ansiedade, por acontecimentos pequenos ou até de simples expectativas.
Tal estado gera taquicardias, calafrios ou suores abundantes. Tudo demonstrando um desequilíbrio psicológico.
O medo desfigura a realidade. Coisas insignificantes se agigantam e se avolumam, fazendo-nos ver muitas situações distorcidas.
No Rio de Janeiro, uma senhora muito rica precisou, certo dia, ir ao costureiro provar um vestido novo para uma festa. Seu carro estava na oficina. Ela telefonou ao marido e lhe disse:
Bem, estou saindo agora. São três horas da tarde. Vou chamar um táxi porque acho mais seguro. Deverei estar de volta em torno das seis horas. Se eu não estiver de volta até esse horário, por favor, me procure.
Ela vivia atemorizada pela violência. Temia ser assaltada, sequestrada, maltratada. Por isso, tinha todos esses cuidados.
Chamou o táxi, foi até o ateliê de alta costura, provou a roupa, conversou com amigas e retornou para casa em outro táxi.
Quando saltou do carro em frente à sua casa e deu alguns passos na direção do portão, percebeu que um homem a observava de forma estranha.
Seu coração começou a bater violentamente. Ela olhou para trás. O táxi já desaparecera na esquina. Deu mais uns passos e o indivíduo a seguiu.
Ela começou a sentir pavor. Deu meia volta, apressou o passo na direção da rua. Alguém, com certeza, haveria de vê-la e socorrê-la, salvá-la daquele homem que deveria ser um assaltante, um ladrão.
Percebeu que ele continuava atrás dela. Começou a correr. O homem também correu e gritou:
Ei, sua boba, onde é que você vai? Sou eu, seu marido!
* *  *
A mais excelente terapia contra o medo e a ansiedade é a confiança em Deus, que criou a vida com objetivos elevados.
Reflexionemos com calma a respeito do medo e busquemos as suas causas, passando-as pelo crivo da razão.
Sejam, porém, de que ordem forem as causas do medo, exercitemo-nos mentalmente, nos processos para a sua eliminação.
Oremos a Deus, entregando-nos a Ele, em atitude dinâmica e nos disponhamos a enfrentar qualquer situação com pensamento otimista.
Guardemos a certeza de que Deus vela e guarda as nossas vidas.
Redação do Momento Espírita, com base em relato de Divaldo Pereira Franco, em palestra pública no cenáculo da Federação Espírita Brasileira, em Brasília, no dia 11 de novembro de 2000; no cap. 11 do livro Momentos de felicidade e no cap. 14 do livro Momentos de iluminação, pelo Espírito Joanna de Ângelis, psicografia de Divaldo Pereira Franco, edLeal. Em 5.7.2012.

sexta-feira, 6 de julho de 2012

Chico Xavier de sempre...


HÁ DEZ ANOS – NO DIA 30 DE JUNHO – Francisco Cândido Xavier se despedia do corpo físico. Completava uma existência de 92 anos e 75 de exemplificação nos labores espíritas.
Ante a história de vida e da obra mediúnica de Chico Xavier, não podemos nos absorver em questões tópicas, de curiosidade ou de informações pessoais. Sua obra majestosa e profícua assume dimensões de amplas perspectivas. Os livros psicografados aí estão para serem lidos, estudados e ensejarem profundas reflexões. As marcas da existência de dedicação ao bem e à paz são repositórios de iluminação para os caminhos a serem percorridos por todos aqueles que são tocados pela mensagem, pelo estimulo à renovação e ao aperfeiçoamento moral e espiritual.
O homem simples e humilde, entre outros trabalhos significativos, psicografou a obra-prima Paulo e Estevão no ambiente bucólico e pitoresco da Fazenda Modelo, em Pedro Leopoldo (MG), nos horários de pausa e de lazer do seu ambiente de trabalho profissional, com o beneplácito de seu chefe Rômulo Joviano. Hoje, a septuagenário obra é fonte de inspiração com base na epopeia dos primeiros tempos do Cristianismo e das figuras marcantes reverenciadas no título do livro. Entre muitas colocações oportunas de Emmanuel, destacamos a seguir alguns trechos que caracterizam a coerência e a maneira de ser do médium homenageado:
Simplicidade, referindo-se à instituição de Antioquia:
“[...] Vivia-se ali num ambiente de simplicidade pura, sem qualquer preocupação com as disposições rigoristas do judaísmo. [...]”,
Mediunidade natural: “[...] A união de pensamentos em torno de um só objetivo dava ensejo a formosas manifestações de espiritualidade. [...]”,
Dedicação ao próximo: “[...] nossos serviços junto dos desfavorecidos da sorte, para que os seguidores do Evangelho, no futuro, não se arreceiem das situações mais difíceis e escabrosas [...]”.
Os romances históricos elaborados pelo Espírito Emmanuel permitem-nos a compreensão das lutas nos albores do Cristianismo e, na sequencia de séculos, dos esforços dos cristãos. Graças à compreensão dessa longa trajetória passamos a entender a autoridade espiritual do orientador de Chico Xavier, legando-nos oito obras com comentários sobre o Novo Testamento, cinco delas editadas pela FEB, as quais compõem a Coleção Fonte Viva, a começar por Caminho, Verdade e Vida.
As relações entre as dimensões corpórea e incorpórea são esmiuçadas na chamada “Série André Luiz” ensejando ilustrarem-se os ensinos contidos na Codificação Espírita. As ligações entre as humanidades são também evidenciadas em várias obras em forma de poemas e nas conhecidas “cartas familiares”, nas quais os Espíritos demonstram a seus parentes e amigos que sobrevivem à morte do corpo físico. A certeza da imortalidade da alma é fonte de consolo, de esclarecimento e de estimulo ao aperfeiçoamento moral e espiritual.
Nas manifestações públicas, entrevistas e diálogos, Chico se caracterizou pelo respeito e o mérito sobre sua pessoa, direcionando-os ao mundo espiritual. No atendimento continuado aos carentes espirituais e socioeconômicos, Chico sempre levou a mensagem de carinho, consolo e alento. Testemunhamos inúmeros episódios marcantes. Entre estes, em visita que fizemos ao médium, durante a “peregrinação” de um sábado de novembro de 1983, os comentários tecidos em torno do trecho de O Evangelho Segundo o Espiritismo (ED.FEB, cap. VI, it. 1.):
“Vinde a mim, todos vós que estais aflitos e sobrecarregados, que eu vos aliviarei. Tomai sobre vós o meu jogo e aprendei comigo que sou brando e humilde de coração [...]”
Depois dos comentários dos convidados, Chico concluiu:
“Todos estamos sob o jugo da lei, mas o do Cristo é mais suave”
e concitou todos à paciência, à calma, à cooperação porque o amor e a caridade são imprescindíveis para a aceitação do jugo do Cristo.
Em 2010, foi concretizado o “Projeto Centenário de Chico Xavier”, de responsabilidade e com base em amplos estudos do Conselho Federativo Nacional da FEB, cujo objetivo foi enfatizar a obra de Chico Xavier e contribuir com a memória de sua atuação, respeitando sua privacidade pessoal e espiritual.
Cinco palavras-chave forma tema da ampla divulgação, sintetizando a ação de Chico: espírito, saber, fé, amor e caridade. Mais de 600 eventos foram implementados em todo o País, com ampla difusão  e repercussões nas varias modalidades de mídia. Mesmo depois de desencarnado, Chico Xavier e sua obra psicográfica foram instrumentos para a mais abrangente difusão do Espiritismo, o que permite considerar aquele período como o “Ano do Espiritismo”.
Os que conheceram e privaram da amizade com o médium entendem que hoje ele estaria próximo de todos os que desinteressadamente atuam na sementeira do amor, do bem e da paz. Parece-nos oportuna a manifestação de Chico Xavier, quando, completando 50 anos de labores mediúnicos, declarou humildemente a um jornal espírita:
“Sou sempre um Chico Xavier lutando para criar um Chico Xavier renovado em Jesus e, pelo que vejo, está muito longe de aparecer como espero e preciso [...]”.
Antonio Cesar Perri de Carvalho - “Reformador” Junho 2012

quarta-feira, 4 de julho de 2012

Valores do corpo e do Espírito


Viver no mundo é estar em contato permanente com o desejo de ter coisas, pessoas, riquezas.
Nos shoppings e meios de comunicação, o apelo é sempre para comprarmos mais, consumirmos mais, acumularmos mais.
O que fazer, já que somos treinados desde pequenos para desejar conforto, prazeres, bens?
Como escapar a esse verdadeiro fascínio que as coisas materiais exercem sobre nós e nos tornam escravos do trabalho e do dinheiro?
Havia um homem muito rico, um milionário cujas terras pareciam não ter fim. Certa noite, ele olhava para a extensão de suas propriedades e alegrava-se profundamente.
Via os imensos campos, os trigais maduros, os celeiros cheios, as moedas que enchiam os cofres.
Ele pensava: “Tenho tanta coisa que já nem cabe nos depósitos. Amanhã mandarei derrubar estes celeiros e construirei outros maiores.”
E o homem dizia para si mesmo: “Alegra-te, minha alma, pois tens riquezas para muitos anos. Descansa, come, bebe, diverte-te.”
O que esse homem não sabia é que naquela mesma noite morreria. Suas terras, riquezas e todos os seus bens materiais ficariam para trás.
A história desse homem rico é adaptação de uma parábola contada por Jesus.
Era uma ocasião em que o Mestre queria ensinar que não devemos nos fixar excessivamente nas coisas materiais, pois elas são temporais, passageiras.
Ensinava Jesus que os verdadeiros valores são os do espírito. Esses continuam conosco: seguem com a nossa alma quando a morte chega. Por isso eles devem ser a nossa principal fonte de atenção.
O mundo exerce um enorme fascínio sobre as pessoas. Ao nascermos, esquecemos nossa verdadeira origem: a natureza espiritual. E mergulhamos em um ambiente onde quem é mais esperto e competitivo leva a melhor.
Para piorar, somos julgados pelo modo de vestir, pelo lugar em que moramos, pelo tamanho da conta bancária.
Muitas vezes desejamos escapar dessa lógica perversa, mas como fazer isso?
Alguns mais radicais acreditam que a solução é fugir do mundo, escapar das regras sociais, viver como ermitão, longe de tudo e de todos.
É uma opção extrema, mas não é a solução.
A vida em sociedade lapida os nossos relacionamentos. Isolar-se é fugir. No relacionamento com as pessoas é que podemos ver quem realmente somos.
Viver em isolamento é uma artificialidade. Coragem real é expor-se às situações e tornar-se vencedor.
Por isso, para escapar da atração das coisas materiais a solução é o equilíbrio. Trabalhar sim, mas sem se tornar escravo.
Acumular o suficiente para o sustento do corpo, mas sem ceder à ganância. Desejar as coisas boas, mas sem exageros.
Uma frase resume tudo isso: viver no mundo e não para o mundo.
E a fórmula para manter os pés no chão é bem simples: basta lembrar que um dia deixaremos roupas, jóias, imóveis, dinheiro. Tudo ficará aqui na Terra.
E, ao morrermos, a pergunta então será: o que levamos com a nossa alma? Que exemplos deixaremos? Que boas lembranças nossos amigos e parentes terão de nós? Acredite: isto, sim, é essencial.
Texto da Redação do Momento Espírita

terça-feira, 3 de julho de 2012

Benfeitores e Bênçãos



       Confiemos nos benfeitores e nas bênçãos que nos enriquecem os dias, sem, no entanto, esquecer as próprias obrigações, no aproveitamento do amparo que nos ofertam.
       Pais abnegados da Terra, que nos propiciam o ensejo da reencarnação, por muito se façam servidores de nossa felicidade, não nos retiram da experiência de que somos carecedores.
       Mestres que nos arrancam às sombras da ignorância, por muito carinho nos dediquem, não nos isentam do aprendizado.
       Amigos que nos reconfortam na travessia dos momentos amargos, por mais nos estimem, não nos carregam a luta íntima.
       Cientistas que nos refazem as forças, nos dias de enfermidade, por mais nos amem, não usam por nós a medicação que as circunstâncias nos aconselham.
       Instrutores da alma que nos orientam a viagem de elevação, por muito nos protejam, não nos suprimem o suor da subida moral.
       Ninguém vive sem a cooperação dos outros.
       Encontramo-nos, porém, à frente do amor de que todos somos necessitados, assim como o vegetal, diante do apoio da Natureza. A planta não se cria sem ar, não medra sem sol, não dispensa o auxílio da terra e não prospera sem água, mas deve produzir por si mesma.
       Assim também, no reino do espírito.
       Todos temos problemas, reclamando o concurso alheio, mas ninguém pode forjar a solução do esforço para o bem que depende exclusivamente de nós.
Emmanuel (Chico Xavier)
(De “Estude e Viva”, de Francisco Cândido Xavier e Waldo Vieira, pelos Espíritos Emmanuel e André Luiz)
Autor: Emmanuel - Fonte: Estude e Viva

segunda-feira, 2 de julho de 2012

Usina de forças


Ama o corpo que te serve de instrumento para o progresso espiritual com respeito e elevação.
Através dele, cresces e constróis o mundo de esperança e felicidade, se o conduzes com dignidade e trabalho.
Não suponhas que ele seja responsável pela falência dos teus valores éticos, ou pelas sucessivas quedas que te retêm na retaguarda.
Considerando-o, prolongar-lhe-ás a existência e finalidade, preservando-o de desgastes desnecessários.
*
A fraqueza moral nunca é da carne, mas, sim, do Espírito que a comanda.
*
Graças ao corpo, a Humanidade recebeu as belezas da arte superior através de Miguel Ângelo, Rafael, Goya, Rembrandt e, antes deles, Fídias, Praxíteles ou Renoir, Tissot, Manet.
Por ele se expressaram, na música divina, Bach, Mozart, Beethoven, Sibelius, Schummann, Carlos Gomes, Villa Lobos, para nos recordarmos apenas de alguns poucos.
Através dele, o pensamento se humanizou em Sócrates, Platão, Aristóteles, Rousseau, Hegel, Kant...
Utilizando-o, Krishna, Buda, Confúcio, Jesus, Allan Kardec, trouxeram ao mundo a canção de beleza da imortalidade em triunfo.
Mergulhados nele, Pasteur, Koch, Hansen, Fleming, ampliaram os horizontes da saúde, ao lado de Kraepelin, Griesinger, Freud, Jung, que lutaram pelo reequilíbrio mental e emocional dos homens.
Conduzindo-o com nobreza, Francisco de Assis, Teresa de Ávila, Vicente de Paulo, mantiveram viva a chama da fé e da caridade.
... E milhares de cientistas, filósofos, artistas, poetas, músicos, santos, heróis e lutadores anônimos construíram sob divina inspiração o mundo onde agora respiras.
*
Certamente, há muito ainda por fazer. E isto a ti compete realizar, oferecendo a tua quota de engrandecimento.
*
Se os vestígios do primitivismo, do qual ele proveio, te induzem à promiscuidade de qualquer natureza ou ao seu rebaixamento moral, sustenta-o na fragilidade com o combustível da temperança, não agindo de forma a perturbar-lhe o equilíbrio ou intoxicá-lo com os miasmas da injunção danosa.
*
Se te ocorre ciliciá-lo, a fim de o acalmar, conforme ensinam, erradamente, os atormentados da fé, balsamiza-lhe os impulsos com os medicamentos da prece e os esforços do trabalho que retemperam as energias.
*
Se o tombas, por qualquer motivo ou invigilância, não o lastimes nem o recrimines. Simplesmente, levanta-o e evita-lhe repetir o insucesso.
*
Se o tens enfermo ou mutilado, acode-o com o otimismo e a confiança em Deus.
*
Se o possuis sadio e harmônico, bendize-o com a sua preservação cuidadosa.
*
Nem excesso de cuidados, vivendo para ele, nem abandono, desprezando-o à própria sorte.
*
O teu corpo é conquista que alcançaste diante das Soberanas Leis da Vida.
Torna-o uma usina de forças a serviço do bem e um santuário de bem-aventuranças com possibilidades de alçar-te das cinzas e do lodo da terra aos altiplanos espirituais, onde reinam a felicidade e o amor total.
* * *
Espírito Joanna de Ângelis/Franco, Divaldo Pereira - obra: Momentos de Coragem.
Salvador, BA: LEAL, 1988.